Dr. Pacheco: “Não posso ficar de braços cruzados, esperando”
Em coletiva de imprensa, Dr. Pacheco destaca posturas, aspectos e medidas, e pede apoio.
O Prefeito Dr. Pacheco, no cargo desde 18 de novembro – um dia após o afastamento judicial do Prefeito Ivo Santos – recebeu a imprensa em seu gabinete o começo da tarde de hoje (27), onde respondeu questionamentos diversos, sobretudo as decisões já em andamento, como a reorganização interna, redução de secretarias e diretorias, situação financeira da Prefeitura, articulações com outras áreas e a rápida de decisão sobre a área para instalação da FATEC, pondo fim a um período de três anos de incertezas, indefinições e insegurança, em razão da indefinição de Ivo Santos sobre o local.
Ainda na entrevista, Dr. Pacheco falou sobre a dificuldade que tem sido equilibrar o cotidiano da atividade médica, já que não deixou de atender seus pacientes, fazendo com que divida o dia com decisões sobre a saúde das pessoas e a saúde financeira e administrativa da Prefeitura de Adamantina, e os momentos vividos como vice-prefeito, em um período em que teria sido deixado de lado pelo prefeito Ivo Santos, fazendo com que, naturalmente, se afastasse do núcleo de decisões.
Cenário de crise
Inicialmente, Dr. Pacheco expôs os aspectos da crise econômica e política que o país atravessa, e seus impactos nos municípios, o que atinge, de maneira objetiva, as contas públicas da Prefeitura de Adamantina. Com menos atividade econômica no país, há menos dinheiro em circulação, e por consequência, menos impostos são recolhidos pela área pública para o custeio de sua estrutura, no atendimento a seus compromissos, nos serviços públicos prestados aos cidadãos, pagamento de fornecedores e custeio da folha de pagamento.
Esse é o drama agonizante vivido pela Prefeitura de Adamantina. “Administrar com dinheiro é fácil. Hoje estamos sem dinheiro e com muitas dívidas”, disse.
O Prefeito relatou sobre aligueis atrasados e fornecedores que se recusam a prestar serviços e fornecer materiais à Prefeitura. “Não fornecem porque estão com os pagamentos atrasados”, disse.
Presente à coletiva, o Secretário Municipal de Finanças, Reinaldo Turra, informou que o valor da dívida, de recursos próprios, é de R$ 2 milhões. Porém, o volume é maior, em razão de haver muitas situações que aguardam empenho, portanto, ainda não contabilizadas. Em paralelo, informou haver saldo financeiro de R$ 9,8 milhões, praticamente oriundos de convênios, ou seja, recursos carimbados, que dependem agora da execução dos mesmos, e não podem ser usados em qualquer área.
Turra destacou também aspectos que sinalizam uma certa desorganização contratação de despesas, ao longo dos útmos anos, como por exemplo na área da saúde, onde, diante da dinâmica do setor, os veículos eram submetidos à manutenção, substituição de peças e serviços de maneira direta, sem se submeter aos ritos das compras públicas, criando assim várias lacunas que agora precisam ser respondidas e honradas pela Prefeitura.
O Secretário elogiou a postura e as atitudes do Prefeito Dr. Pacheco. “Admiro o nosso chefe do executivo, que tem tomado decisões difíceis”, disse.
Reengenharia
Com o panorama econômico e político vigente, e sem qualquer perspectiva de avanços e incremento das receitas a curto prazo, o quadro vivido pelo Prefeito Dr. Pacheco tem exigido uma série de medidas, dentre as quais, a decisão pela reorganização da estrutura de trabalho do primeiro escalão. Hoje são 12 secretarias municipais, que serão reduzidas a 6 ou 7, o que será definido nos próximos dias. Também pretende estender a redução da estrutura das diretorias presentes em cada secretaria e já adiantou, de maneira oficial, que vai centralizar as áreas de cultura e esportes, por meio de diretorias, sob o “guarda chuva” da Secretaria Municipal de Educação.
Dr. Pacheco defendeu as medidas. “Reordenar para ter redução de custos e reposicionar para ter mais eficiência”, disse. “Temos que recuperar a funcionalidade e assim poder pagar fornecedores”, completou.
Porém, reconheceu ter errado na maneira como fez algumas colocações, no primeiro encontro com sua equipe, no dia seguinte à sua posse. E citou, nominalmente, ter errado com a Secretária Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Briana Veiga, que se desligou da Prefeitura na última sexta-feira (20). “Fui infeliz em ter falado daquela maneira. Pedi desculpas e se pudesse traria de volta”.
ExpoVerde
Sobre a ExpoVerde, Dr. Pacheco diz que tem cobrado de maneira objetiva para que o balancete seja finalizado e apresentado às autoridades, imprensa e à comunidade, o que foi compromissado que ocorresse 30 dias após as festividades.
A ExpoVerde foi cercada de êxito, porém, a posterior, a administração municipal se viu impossibilitada de honrar compromissos com fornecedores da festa, gerando outras dificuldades em efeito cascata, atingindo a estrutura como um todo. Com custo estimado em R$ 1,2 milhão, a festa foi realizada num momento de contenção de gastos, e hoje o município amarga a ressaca do evento e a impossibilidade de honrar compromissos com fornecedores da festa.
Fatec
Em poucas horas do seu mandato, Dr. Pacheco conseguiu resolver o drama vivido entre os adamantinenses diante da indefinição da área da FATEC, pelo prefeito Ivo Santos.
Mesmo sendo parte do governo que foi eleito em 2012 e empossado em 2013, a atitude revelou que Dr. Pacheco era um sim, pela FATEC na área original, dentro de um governo que sempre disse não para esse encaminhamento.
Rapidamente, já após sua posse, Dr. Pacheco enviou o projeto à Câmara Municipal, que já foi votado pela Câmara e transformado em lei, e agora corre para cumprir com um roteiro burocrático, visando a lavratura da escritura e a consolidação da doação da área ao Centro Paula Souza.
Nesta semana, Dr. Pacheco já esteve em São Paulo e conseguiu obter a confirmação de que as aulas da FATEC de Adamantina se iniciam no segundo semestre do ano que vem, com o curso de Gestão de Serviços, para uma turma de 40 alunos, e mais dois cursos para o início de 2017.
Vice-prefeito sem espaço
O prefeito Dr. Pacheco foi questionado sobre a conduta da atual administração, da qual foi eleito em 2012 e empossado em 1º de janeiro de 2013, o que, evidentemente, não se torna possível dissociá-lo.
Em resposta, lembrou que durante a campanha propagou que seria Secretário Municipal de Saúde, para contribuir de maneira mais efetiva, dentro da sua área de conhecimento. Porém, com o problema de saúde vivido pelo Ivo, recém eleito, em novembro de 2012, obrigou a reprogramar sua atuação que se iniciaria em janeiro de 2013.
Nesse aspecto, e diante da necessidade, decidiu que estaria mais próximo de Ivo Santos, o que culminou com o convite feito a Jorge Chihara para assumir o cargo de Secretário Municipal de Saúde. Assim, Dr. Pacheco se pôs numa condição de colaborador, além de assumir a função de diretor do Centro de Saúde, sem onerar a Prefeitura. E pretendia, assim, a atuar e participar das decisões sobre a saúde pública local, dentro de uma costura e sintonia com Chihara.
Porém, segundo revelou Dr. Pacheco, sua voz não foi ouvida e perdeu espaço. “Eu dava opiniões, que não aconteciam da maneira como eu falava”, relatou. Pouco depois, o Vice-Prefeito e o Secretário Municipal de Saúde foram surpreendidos com decisões de mudanças no quadro de funcionários da Secretaria Municipal de Saúde, sem que fossem consultados ou participassem disso. “Causou estranheza. E tudo o que eu falava não era atendido. As decisões eram tomadas à revelia, sem eu e o Jorge participar”, desabafa.
Esse cenário levou ao afastamento gradativo de Dr. Pacheco do núcleo decisório do governo liderado por Ivo Santos. “Fui me afastando. Não sentia mais o lugar nem a importância em estar presente ou não”, disse. “Ele [o prefeito] pendeu para outro lado e não me ouviu em nada”, continuou. “Mas sempre fiquei à disposição”, destacou.
Medidas e relacionamento Dr. Pacheco e Ivo Santos
Sobre o receio de tomar medidas, com vistas à eventualidade de, a qualquer tempo, o Prefeito afastado ser reconduzido ao cargo pelo Tribunal de Justiça, Dr. Pacheco foi objetivo e destacou que assumiu o cargo depois do afastamento judicial de Ivo Santos para não fugir da responsabilidade e dos compromissos que tem com as pessoas. “Enquanto eu estiver no cargo tenho que tomar as medidas”, disse. “Sei que pode haver uma decisão a qualquer momento, mas não posso ficar de braços cruzados esperando”, completou.
Na eventualidade de Ivo Santos ser reconduzido ao cargo pelo TJ, Dr. Pacheco frisou que vai continuar ao lado dele, e reiterou: “Eu pretendo ter uma atuação efetiva. Se ele quiser, vai ter meu apoio”.
Dr. Pacheco destacou à imprensa que quer o bem do prefeito afastado Ivo Santos. “Quero o bem dele, e quero que ele seja inocentado”.
Eleições 2016
Dr. Pacheco tem hoje uma ampla aprovação popular e o reconhecimento público, inclusive de partidos políticos adversários, o que poderá canalizar para uma nova evidência política nas eleições municipais de 2016, já que nas eleições de 2012 seu prestigio profissional e seu relacionamento com a comunidade foram fortemente destacados e agregadores e votos.
Porém, considerado a possibilidade de manter-se no cargo – ou não -, Dr. Pacheco surge como um novo nome cercado de aspectos que, hoje, poderiam credenciá-lo a uma nova eleição ou à reeleição. Todavia, não sustenta nem almeja isso.
O prefeito elogiou e disse admirar as pessoas que se apaixonam pela política, mas prefere ter uma atuação de colaborador, ao invés de concorrer a um cargo eletivo. “Eu não quero”, frisou, objetivamente. “Tô empolgado pelo apoio que tenho recebido de todos, porém quero continuar como médico”.
Emoção
Por diversos momentos o Prefeito Dr. Pacheco, que é médico, falou sobre a correria que tem vivido ultimamente, em dosar o expediente na Prefeitura, no seu consultório médico, nos serviços que presta na região, na área de medicina do trabalho, e no atendimento e realização de cirurgias na Santa Casa local. “O trabalho tem sido intenso, muito mais do que o habitual”. Ao final, se emocionou bastante, destacando valores da vida humana e da luta profissional para promover a saúde das pessoas e salvar vidas. “Felicidade é o sentimento do dever cumprido”, completou.