Câmara decide manter investigação e estuda possibilidade de afastamento do prefeito
Oitiva das testemunhas começa na próxima semana, pelos membros da CIP.
Em decisão apresentada aos demais vereadores da Câmara Municipal de Adamantina na tarde de hoje (7), os integrantes da Comissão Investigação e Processante (CIP) decidiram pela manutenção das investigações abertas em dezembro passado, contra o prefeito Ivo Santos (PSDB).
O anúncio à imprensa foi feito pelo presidente da CIP, vereador Fábio Roberto Amadio (PT), composta também pelos vereadores Luiz Carlos Galvão (PSDB), como Relator, e Roberto Honório de Oliveira “Robertinho da Dengue” (DEM), como membro.
A manifestação da CIP está dentro do que determina o Regimento Interno (RI) da Câmara Municipal, que exige um posicionamento tão logo fosse apresentada a defesa prévia do prefeito investigado, o que ocorreu no dia 4, semana passada. Desde então, os integrantes da CIP se reuniram três vezes e decidiram pelo relatório que pede a continuidade da investigação.
Cinco testemunhas
A defesa prévia tem cerca de 10 páginas e é assinada pelos advogados Salvador Mustafa Campos e Luciano Ramos Volk. Salvador é ex-prefeito de Pacaembu e Luciano Ramos Volk é um dos advogados do agravo de instrumento protocolado no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ/SP), que levou a desembargadora Vera Angrisani a reconduzí-lo ao cargo, depois de ter sido afastado pela Justiça de Adamantina.
Na defesa foram arroladas cinco testemunhas. Uma delas é o então Secretário Municipal de Finanças Neivaldo Marcos Dias de Moraes, que teve o cheque de R$ 276.269,50, para pagamento de precatórios, depositado em sua conta. Esse é o centro da investigação.
Também foram arroladas como testemunhas a ex-Secretária Municipal de Assuntos Jurídicos, Maria Cristina Dias, o atual Secretário Municipal de Educação Wilson Hermenegildo (que também é Secretário Municipal de Gabinete) e duas funcionárias da Secretaria Municipal de Finanças, Priscila Rossi valente Silva e Rosimeire Aparecida Molena.
Prefeito pode ser afastado cautelarmente
Com a decisão pela continuidade da investigação, a CIP deve iniciar na próxima semana a oitiva das testemunhas arroladas na defesa, bem como ouvir o prefeito investigado, além de requerer documentos e fazer os levantamentos necessários, para instruir a decisão final. Sendo identificada a responsabilidade do prefeito, o mesmo poderá ter o mandato cassado, o que dependerá de votação plenária.
Durante o transcurso da CIP, que foi instalada em 10 de dezembro e iniciou seus trabalhos dia 16 do mesmo mês, o prefeito pode ser afastado cautelarmente, situação prevista no RI da Câmara. Segundo Fabião, essa hipótese não está descartada e é objeto de estudo entre a Comissão, que poderá propor seu afastamento.
A investigação
O prefeito Ivo Santos é investigado sobre eventuais irregularidades na emissão e cheque no valor de R$ 276.269,50, pela Prefeitura de Adamantina, para pagamento de precatórios.
A denúncia contra Ivo Santos foi protocolada na Câmara Municipal pelo líder comunitário Antônio Rivelin, morador e eleitor adamantinense, filiado ao diretório municipal do Democratas (DEM). É integralmente embasada nas investigações sobre eventual desvio de dinheiro público decorrente da emissão de cheque no valor de R$ 276.269,50, pela Prefeitura de Adamantina, em fevereiro deste ano, depositado na conta pessoal do então Secretário Municipal de Finanças, Neivaldo Marcos Dias de Moraes.
Esses procedimentos, tidos como suspeitos, motivaram a ação de improbidade administrativa proposta pelo Ministério Público local e que tramita junto à 3ª Vara da Comarca de Adamantina. Neivaldo, por sua vez, teve o sigilo bancário quebrado pela Justiça. Ele e Ivo Santos tiveram os bens bloqueados pela Justiça e Ivo chegou a ser afastado do cargo por decisão judicial em 17 de novembro e foi reconduzido por decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ/SP), no dia 2 de dezembro.