Cidades

Arte, vida e futuro: da iniciação ao teatro em Adamantina ao ingresso em artes cênicas na UEL

Dois atores da Companhia Multiverso Teatral iniciam graduação em artes cênicas em Londrina (PR).

Por: Da Redação atualizado: 24 de abril de 2025 | 14h55
Riquelme Miranda e Felipe Silva de Souza no campus da UEL  (Cedida). Riquelme Miranda e Felipe Silva de Souza no campus da UEL (Cedida).

Inspirados pela iniciação teatral e pelas primeiras experiências mais aprofundadas em artes cênicas vividas em Adamantina, onde integram o elenco da Companhia Multiverso Teatral — originada a partir das oficinas de teatro oferecidas pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo desde 2022 — dois jovens atores adamantinenses iniciaram recentemente um novo roteiro em suas vidas.

Impulsionados pelas vivências e conexões construídas dentro de um trabalho de base que chegou aos palcos da cidade, Felipe Silva de Souza, de 20 anos, e Riquelme Miranda, de 19, ingressaram neste semestre no curso de graduação em Artes Cênicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Desde o início do mês, ambos residem na moradia estudantil da universidade e frequentam um curso que é referência no país.

Em Adamantina, a Companhia Multiverso Teatral foi liderada pela atriz, diretora e produtora cultural Letícia Rodrigues da Silva. Além dos dois jovens agora alunos da UEL, Letícia também vive um momento de ascensão profissional, tendo sido nomeada diretora de Cultura do município de Lucélia. Ao dirigir e coordenar a Multiverso, Letícia incentivou o grupo a ocupar espaços, promover as artes cênicas e buscar oportunidades.

Felipe e Riquelme em Londrina (Cedida).

Foi justamente isso que fizeram os dois jovens, ao deixarem a cidade, os empregos, familiares e amigos para perseguirem o sonho de estudar artes cênicas, atuar profissionalmente e mergulhar ainda mais no universo das artes e suas múltiplas linguagens.

Felipe: no primeiro papel foi escalado para ser árvore

Em Adamantina, Felipe atuava na área de marketing e criação de conteúdo digital. Na infância, cursou o ensino fundamental na Emef Navarro de Andrade e, posteriormente, na Escola Estadual Helen Keller. Já o ensino médio foi realizado na Etec Eudécio Luiz Vicente. 

Foi ainda criança que teve os primeiros contatos com o teatro, em peças escolares e na igreja. “O teatro sempre esteve na minha vida. Não fui eu que busquei o teatro, foi o teatro que veio até mim”, disse ao Siga Mais. E explica: “Na pré-escola, eu iria participar de um teatro, e seria a árvore. Um menino que faria o príncipe faltou a um ensaio, e a professora o retirou do elenco. Eu estava perto, ela me puxou pelo braço e disse: ‘Você vai ser o novo príncipe’. Foi aí que comecei a atuar”, lembra.

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Mais tarde, já adolescente, surgiu a paixão por filmes e séries, o que ajudou a enriquecer seu repertório e fortalecer sua sensibilidade diante das linguagens cênicas, tanto nos palcos quanto nas telas. Foi nessa fase, em transição para a vida adulta, que Felipe descobriu o curso de teatro oferecido pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Adamantina, vivência que lhe proporcionou intenso aprendizado e a oportunidade de participar de montagens em espaços públicos da cidade.

Felipe relata que a decisão de cursar Artes Cênicas foi fortemente influenciada por sua professora de teatro, Letícia Rodrigues da Silva, que também é egressa da UEL. Em 2023, ele já havia sido aprovado no vestibular da instituição, mas, sem condições suficientes para a mudança de cidade, adiou o sonho. Agora, com apoio familiar e mais estrutura, está concretizando a primeira etapa do seu projeto de formação profissional. “Naquela época, eu não tinha um apoio familiar tão grande. Isso mudou muito em um ano. Desta vez consegui vir muito por conta do apoio do meu pai, da minha mãe e dos meus avós, que continuam em Adamantina, mas sempre me apoiando e rezando por mim. Eu só tenho a agradecer a eles”, conta. Outro apoio importante foi de seu amigo Riquelme, colega de curso e de quarto no alojamento universitário.

Felipe (Cedida).

A graduação em Artes Cênicas é apenas o início. Felipe também pretende buscar formação em audiovisual e cinema. “Decidi cursar Artes Cênicas por influência da Letícia, minha professora. Mas, na verdade, meu sonho inicial sempre foi ser cineasta. Escolhi fazer teatro primeiro para, no futuro, dirigir atores de forma mais profissional, compreendendo de verdade como eles se sentem. Um bom técnico precisa ter sido jogador antes. Acredito que tudo é um degrau, e não pretendo parar só nas artes cênicas. Quero estudar também produção audiovisual e cinema. Tudo o que puder agregar, eu vou buscar”, afirma.

Arte alcança lugares onde muitos não chegam fisicamente

Ao reconhecer o papel do curso de iniciação teatral oferecido pelo poder público de Adamantina, Felipe destaca a importância de políticas culturais nos municípios. “Para mim, a arte é um ato político, uma forma de manifestação. Ela alcança lugares onde muitos não conseguem chegar fisicamente. Para a cidade, a arte muda perspectivas e faz com que você se sinta pertencente a algum lugar”, afirma. “Eu não me via fazendo outros cursos de graduação, e me perguntava: ‘O que há de errado comigo?’ Até que descobri que era artista”, completa.

Além dos agradecimentos à família e amigos, Felipe destaca o papel do então secretário municipal de Cultura e Turismo, Sérgio Vanderlei, durante a gestão 2021/2024. “A gestão dele foi maravilhosa. Abriu portas e resgatou o teatro, que há muito tempo não existia em Adamantina. Hoje, muitos alunos daquela turma estão indo para a UEL. A gente se formou dentro do teatro, e, após uma pandemia, ele salvou muitas pessoas”, afirma.

Outro agradecimento especial de Felipe é para Meire Cunha, que foi supervisora da Casa Afro até o fim do ano passado. “Ela foi essencial na minha formação pessoal e política. Me ajudou a ter consciência sobre muitas coisas e sempre esteve presente quando precisei”, diz. “E por último, mas não menos importante — e acredito que por causa dela estou fazendo artes cênicas — a Letícia Rodrigues, hoje diretora de Cultura de Lucélia e minha mentora”, finaliza.

Riquelme: novela em casa em teatro na escola e igreja

Riquelme também tem uma trajetória de vida semelhante. Estudou na Escola Estadual Helen Keller e, ainda jovem, trabalhou como atendente em lanchonete e padaria em Adamantina. Ele aponta dois momentos marcantes na infância e adolescência que despertaram seu interesse pelas artes.

Uma das influências surgiu dentro de casa, ao assistir novelas diariamente com a avó. “Sempre fui noveleiro”, brinca. Fora de casa, teve experiências com teatro infantil na igreja e na escola. “Desde pequeno isso já estava no sangue”, comenta.

Riquelme (Cedida).

A vivência mais determinante ocorreu aos 17 anos, no fim da adolescência, ao ingressar no curso de teatro promovido pelo poder público e liderado pela professora Letícia Rodrigues. “Eu não pensava nisso quando era pequeno, mas depois, ao acompanhar mais o cinema nacional e as novelas, foi surgindo esse despertar. Quando soube da abertura das inscrições para o grupo, não pensei duas vezes. Me inscrevi e, em uma semana, já estávamos tendo aulas”, relata. “E depois de um tempo, vi que tinha vocação.”

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As oportunidades oferecidas pela Companhia Multiverso permitiram seu desenvolvimento artístico e o impulsionaram a prestar vestibular na UEL, onde foi aprovado. Com o desejo firme de cursar a graduação, contou com o apoio da própria família e da família de Felipe. “Esse apoio foi fundamental”, ressalta.

Agora, nas primeiras semanas de aula, Riquelme já traça seus planos para o futuro. “Minha expectativa é sair daqui a quatro anos formado como ator profissional, com meu registro, e participar de produções teatrais, cinematográficas e televisivas”, projeta.

Ele também enfatiza a relevância do investimento público em arte e cultura. “É um investimento que beneficia a todos e atinge diversas áreas das nossas vidas”, afirma. “Quero agradecer à professora Letícia Rodrigues, hoje diretora de Cultura de Lucélia, e à gestão do Sérgio Vanderlei. Durante todo aquele período, tanto ela quanto ele foram sempre solícitos e contribuíram com a realização pessoal de cada um e também do coletivo”, conclui.

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