Aguinaldo Galvão: “A população não acredita mais na atual Administração”
Vereador Aguinaldo Galvão (DEM) é o terceiro entrevistado do SIGA MAIS nesta semana.
O SIGA MAIS publica hoje a terceira entrevista da rodada realizada com vereadores da Câmara Municipal de Adamantina. Hoje, é a vez do vereador Aguinaldo Galvão (DEM). Ele é presidente do diretório municipal do Democratas, partido que detém 4 das 9 cadeiras no legislativo local.
Aguinaldo foi administrador do terminal rodoviário de Adamantina e presidiu a EMDA (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Adamantina), quando a mesma assumiu a conclusão das obras do Conjunto Bandeirantes.
Para essa rodada de entrevistas, os nove vereadores da Câmara Municipal de Adamantina foram convidados. Oito aceitaram o convite do SIGA MAIS e responderam nossas perguntas, sendo a presidente Maria de Lourdes Santos Gil (DEM) e os vereadores Fábio Roberto Amadio (PT), Aguinaldo Pires Galvão (DEM), Diniz Parússolo Martins (DEM), Luiz Carlos Galvão (PSDB), Noriko Onishi Saito (PV), Roberto Honório de Oliveira (DEM), Rogério César Sacoman (PSB). Apenas o vereador Hélio José dos Santos (PR), vice-presidente da Câmara Municipal, se recusou a participar.
Como o senhor avalia seu comportamento e o comportamento da população nas redes sociais, quando o tema é política local?
Aguinaldo Pires Galvão – Eu vejo com bons olhos esse novo meio de relacionamento pelas redes sociais. Evidentemente que às vezes algum cidadão acaba distorcendo o assunto que está sendo focado, mas de um modo geral considero muito importante. Eu participo mostrando um pouco do nosso trabalho, nosso dia-a-dia e nosso comportamento como vereador.
E a atuação da imprensa tradicional, sobre os temas envolvendo a classe política de Adamantina?
Aguinaldo – O rádio tem nos dado oportunidade e sempre que buscamos espaço, os canais estão abertos. Quando aos jornais, alguns são mais fechados e outros têm mais liberdade, mas também acabo encontrando espaço para colocar nosso pensamento. De um modo geral, considero razoável.
Qual avaliação o senhor faz da administração Ivo Santos?
Aguinaldo – Infelizmente, gostaria de falar o contrário. A cidade está mal administrada, sem rumo. Para nós vereadores, independente do partido, era bom que a cidade estivesse bem, bem administrada, mas infelizmente não é isso que está ocorrendo.
Além do prejuízo político que o prefeito, pessoalmente, possa colher com esses resultados quais reflexos uma administração com esse perfil provoca na cidade?
Aguinaldo - Isso traz enormes consequências, aqui negativas. A próxima administração, após o encerramento do atual mandato, vai herdar muitos problemas, vai assumir uma prefeitura com maquinário quebrado, com dívidas, com vários vícios.
E o diálogo entre Câmara e Prefeitura Municipal?
Aguinaldo – Vou falar por mim. Estou sempre aberto, à disposição dos secretários e prefeitos. O interesse maior é Adamantina. Isso não quer dizer que estejamos fechados. Quem está fechada é a administração. Fala-se muito na cidade sobre uma queda de braços entre os poderes, e eu não vejo assim. Prova é que vários projetos vindos do Executivo foram aprovados por nós vereadores na Câmara Municipal. Agora quando o projeto não é bom, sou um vereador independente e voto de acordo com meus princípios.
Tivemos recentemente o episódio que envolveu a votação do projeto de lei sobre a permuta de área para a Fatec, quando a proposta do prefeito foi derrotada. Com isso, há correntes na cidade que acreditam na existência de uma guerra de forças motivada por diferenças políticas. Qual sua observação sobre essa interpretação de setores da sociedade?
Aguinaldo – Com certeza não existe isso. Eu estive no Centro Paula Souza com outros vereadores, e também recebemos aqui também técnicos do órgão. Está bem claro que o Centro Paula Souza quer uma área com tora a infraestrutura e a primeira área, definida em 2012, reúne todas as condições pra isso. Essa exigência de infraestrutura está em relatório do órgão e a administração municipal não divulgou isso, escondendo essa informação da população, querendo colocar a população contra os vereadores. Agora, é importante que haja uma definição urgente sobre a situação da Fatec. A impressão que se dá é que o prefeito não quer iniciar a Fatec. Já relação ao matadouro também somos favoráveis a uma solução para aquele espaço.
Sobre a atuação de lideranças políticas e nomes da política local, que não estejam atualmente exercendo mandatos políticos, é saudável, participativa ou é só discurso, em Adamantina?
Aguinaldo – Falo pela atuação do nosso partido, o DEM. É saudável, aberta ao diálogo e sempre estamos em contato com outras lideranças locais, compartilhando ideias e o ponto de vista sobre vários temas da nossa cidade.
O que a FAI tem de positivo, na sua gestão, que poderia servir de exemplo para a Prefeitura de Adamantina e outras prefeituras da região?
Aguinaldo – A FAI é um exemplo de administração séria e bem dirigida. Vejo toda a equipe em sintonia, e levam a coisa com seriedade. Não tem politicagem. Administram pensando em fazer o melhor, pensando no futuro.
No geral, em que há mais erros e mais acertos, na atual administração municipal?
Aguinaldo – Primeiro, é uma administração que não promove o diálogo com os representantes do legislativo. Entendo também que o chefe do executivo escolheu mal alguns secretários, que a meu ver não têm capacidade paro cargo que ocupam. A administração também esconde as coisas e tenta passar outra imagem para a população, como é o caso da Fatec, além de gastar muito em coisas que poderiam ser evitadas. Portanto, vejo o resultado como sendo muito negativo, infelizmente. E a população já demonstra isso, nas redes sociais e em contato conosco. A população não acredita mais na atual Administração. Como ponto positivo, o que funciona razoavelmente bem, é a zona rural. Numa escala de zero a dez, dou nota sete e meio.
Têm surgido movimentações em várias cidades brasileiras pela redução dos subsídios (salários) dos agentes políticos, entre os quais os vereadores, vice-prefeito, prefeito e secretários. Com seu ponto de vista sobre esse movimento?
Aguinaldo – Primeiro, o eleitor tem que saber escolher seus representantes, para depois não ficar aí se lamentando. Com referencia à Câmara de Adamantina, esta Casa poderia, pela legislação, ter um número de até treze vereadores, mas acho que poderia ter onze representantes, mas sem criar novas despesas. A representatividade seria mais significativa, com mais dois vereadores, o que facilitaria também a composição das comissões permanentes. Mas tudo isso, como disse a pouco, sem provocar novas despesas. A minha sugestão é dividir o total do montante de recursos pagos hoje aos atuais nove vereadores, para onze vereadores. Ou seja, teríamos consequentemente uma redução no subsídio individual recebido por cada vereador e uma melhor representação da comunidade na Câmara Municipal, sem ampliar o volume final das despesas com o pagamento dos mesmos. E especificamente sobre mim, faço jus a cada centavo que recebo pelo meu trabalho parlamentar. Nos oito primeiros meses deste ano conquistei recursos financeiros para a cidade superiores a toda a soma de salário dos quarenta e oito meses de mandato como vereador.
O que o senhor tem de mais significativo, de resultado efetivo, até agora, no seu atual mandato parlamentar?
Aguinaldo – É importante destacar que a principal atribuição do vereador é fiscalizar. Não abro mão disso. Procuro evitar o atrito e sempre inicio tentando buscar uma solução para os problemas que chegam até mim. Agora, se as providências não são tomadas, aí sim faço os encaminhamentos, requerimentos e aciono outros órgãos, como, por exemplo, o Tribunal de Contas. Em relação ao volume de conquistas, destaco aqui duas emendas parlamentares voltadas para recapeamento e pavimentação asfáltica, na área de infraestrutura urbana, na área de cultura, no social e na área da saúde, e nelas, temos grandes parceiros como os deputados Eleuses Paiva, Mauro Bragato e Estevan Galvão, sendo que muitas dessas conquistas foram trabalhadas conjuntamente pela bancada do DEM na Câmara Municipal. E está prestes a sair uma emenda da deputada Mara Gabrili no valor de R$ 200 mil para atender a Apae, aprovada há mais de um ano e que ainda tramita pelos corredores da burocracia para ser liberada, entre outros pedidos, em fase de consolidação. Assim, desta forma, vamos continuar buscando recursos e fiscalizando.
Qual o perfil desejado para administrar Adamantina a partir de 2017?
Aguinaldo – Primeiro precisamos de uma pessoa com coragem de tomar atitudes. Tem que ser administrador com visão de futuro. O quadro está aí e quem for entrar vai precisar promover mudanças estruturais importantes. Na atual conjuntura, vai ter que diminuir secretarias e enxugar a máquina pública. Também cito duas metas que o futuro prefeito não vai poder abrir mão. É preciso pensar no desenvolvimento industrial e gerar empregos. O caminho para isso é legalizar áreas, como no Distrito Industrial Valentin Gatti, anexo ao Parque Itamarati, e a criação de novos distritos industriais. E também atuar na conquista de casas populares. Sobre esse segundo tópico, estive como Secretário da Habitação Rodrigo Garcia em Sagres, há cerca de quarenta dias, e o mesmo reforçou a prioridade do Governo do Estado em atender municípios de até cinquenta mil habitantes com programas de moradia popular pela CDHU. Aqui, a administração municipal adquiriu área e não sai do papel.