Cidades

Adamantinense estava no local e no momento da queda do paredão de rocha em Capitólio

Engenheiro estava em um grupo de 14 pessoas. lancha virou com a onda provocada pela queda da rocha.

Por: Da Redação atualizado: 12 de janeiro de 2022 | 15h28
Momento da queda da coluna de rocha, no Lago de Furnas, em Capitólio (Reprodução). Momento da queda da coluna de rocha, no Lago de Furnas, em Capitólio (Reprodução).

EXCLUSIVO | O engenheiro químico Sérgio Luis Rossette Guerreiro, que hoje mora em Belo Horizonte (MG) – filho da educadora aposentada Jocely Rossette Guerreiro, moradora em Adamantina – estava no local e no momento da queda do paredão de rocha no Lago de Furnas, na cidade mineira de Capitólio, ocorrido no sábado (8), por volta do meio dia.

O SIGA MAIS fez contato com a aposentada na manhã desta segunda-feira (10). De acordo com Jocely, Sérgio estava em um grupo de 17 pessoas, entre familiares e amigos. Do grupo, 14 foram fazer o passeio de lancha. Cinco delas eram crianças, das quais duas são netos da moradora de Adamantina. “Estavam 20 metros do local de onde caiu a rocha e disseram que foi assustador”, conta Jocely. “A lancha virou com a onda provocada pela queda da rocha. Todos caíram na água. Alguns se machucaram com fraturas, entre elas a minha nora e duas cunhadas do meu filho”, descreve. “Esses pedaços de rocha voaram por todas as direções. O Sérgio, os dois filhos, um cunhado e um sobrinho nada sofreram”, continua.

As duas cunhadas do adamantinense foram entrevistadas pelo Fantástico, em reportagem sobre a tragédia exibida neste domingo.

A queda da coluna de rocha atingiu pelo menos quatro barcos de turistas. As vítimas foram levadas para hospitais das cidades de Passos, Piumhi e São José da Barra. Segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMG), pelo menos 30 pessoas ficaram feridas.

Tragédia fez 10 mortos e buscas devem continuar no local

As buscas no Lago de Furnas continuarão pelos próximos dias, anunciaram neste domingo a Defesa Civil e a Polícia Civil de Minas Gerais. Segundo os órgãos, os trabalhos prosseguirão porque, embora todos os dez mortos tenham sido resgatados, algumas vítimas tiveram somente pedaços de corpos encontrados. 

Buscas no local da tragédia (Divulgação/CBMG).

Além disso, a polícia aguarda eventuais comunicações de novos desaparecimentos, no caso de eventuais turistas que estavam sozinhos. “Pode ser que uma pessoa ou um casal estivesse caminhando e tenha caído uma pedra. Até o momento, nenhum dos órgãos recebeu informação de outros desaparecidos. Nós estamos iniciando e não temos pressa de terminar os trabalhos”, disse o delegado Marcos Pimenta, da Polícia Civil mineira.

Até a manhã desta segunda-feira, oito pessoas foram identificadas. Os dez mortos estavam hospedados em uma pousada em São José da Barra (MG). Eles eram familiares e amigos uns dos outros.

Publicidade

Rede Sete Supermercado

Responsabilidades

O sargento da Defesa Civil de Minas Gerais Wander Silva informou que a apuração sobre a falta de fiscalização e de medidas de segurança, que poderiam ter prevenido a tragédia, será discutida na investigação do inquérito aberto pela Marinha.
“Este não é o momento [de discutir isso]. Estamos concentrados nas buscas, e essas responsabilidades, no decorrer do inquérito, serão apuradas. Isso será verificado posteriormente”, argumentou. Cerca de duas horas antes da tragédia, a Defesa Civil mineira emitiu um alerta de cabeça d´água (forte enxurrada em rios provocada por chuvas) para a região de Capitólio, mas os passeios turísticos continuaram normalmente.

Reunião

Os prefeitos de São José da Barra, Paulo Sergio de Oliveira, e de Capitólio, Cristiano Silva, anunciaram que medidas para reforçar a segurança do turismo no Lago de Furnas serão discutidas nesta segunda-feira. O encontro reunirá prefeitos da região e representantes da Defesa Civil de Minas Gerais, da Polícia Militar e da Marinha.

Segundo o prefeito de Capitólio, uma lei municipal de 2019 disciplina o turismo no cânion, proibindo banhos na área de circulação das lanchas e limitando a 40 o número de embarcações que podem permanecer por até 30 minutos na área do cânion. Além disso, normas da Marinha estabelecem o ordenamento da orla do lago.

Ele admitiu, no entanto, que, até agora, não existia uma norma sobre a distância mínima entre as lanchas e os paredões rochosos. Segundo ele, um perímetro mínimo de segurança só poderá ser definido após estudo técnico. O prefeito ressaltou que o desprendimento de um bloco tão grande é inédito na região.

“Meu pai vive aqui há 76 anos e nunca viu um desligamento de rocha desses. Acredito que, daqui para a frente, a gente precisa fazer uma análise [geológica]. Aquelas falésias estão ali há milhares de anos. Essa formação rochosa de quartzito tem essas fendas e fissuras. Já foram feitos vários estudos geológicos. Se tinha algum risco, tinha de ser emitido por um órgão superior”, explicou.

O prefeito disse ainda que uma foto de 2012, divulgada ontem nas redes sociais, com paredão com fissura larga, não se refere à rocha que desabou, mas a um que continua intacto no trecho central do cânion. De acordo com ele, a fissura no bloco que desmoronou era menor que a da pedra mostrada na foto.

Publicidade

Cóz Jeans
Prefeitura de Adamantina
FS Telecomunicações

Publicidade

ADT Drone