Cidades

“Adamantina não admite mais esses plantonistas da política, que sangram e sugam a nossa cidade”

Jornal Impacto entrevista ex-prefeito Kiko Micheloni (DEM).

Por: Da Redação atualizado: 7 de maro de 2016 | 11h25
Entrevista com Kiko Micheloni (DEM) foi publicada hoje no Jornal Impacto (Reprodução). Entrevista com Kiko Micheloni (DEM) foi publicada hoje no Jornal Impacto (Reprodução).

Em entrevista ao Jornal Impacto, publicada hoje (4), o ex-prefeito de Adamantina, Kiko Micheloni (DEM) responde questões polêmicas e desabafa, sobre vários aspectos da política local.
Na entrevista, Kiko volta a se manifestar sobre a política adamantinense, fala sobre sua administração, rebate críticas e acusações e avalia o cenário local, em especial o período administrado por Ivo Santos.
Kiko foi questionado pelo Jornal Impacto sobre informações de que estaria impedido de disputar as próximas eleições, decorrente de apontamentos referentes à Empresa Municipal de Desenvolvimento de Adamantina, do seu primeiro ano como prefeito (2005), e respondeu. “Tenho meus oito anos de prestação de contas aprovados pelo Tribunal de Contas e Câmara Municipal. A questão envolve a EMDA, que estava inativa e isso gerou um apontamento do Tribunal de Contas. É mera questão burocrática e o assunto está sub judice, e tenho certeza absoluta que se resolver colocar meu nome à disposição não terei nenhum impedimento, e já há decisões do Poder Judiciário que não reconhecem a decisão dos tribunais de contas, sustentando que as mesmas não podem declarar candidato inelegível, automaticamente”, disse ao Jornal Impacto. “E destacamos que na minha gestão todas as contas da Prefeitura foram julgadas regulares e não pesa sobre a minha pessoa qualquer mácula que evidencie improbidade administrativa, má-versação de recursos públicos e tampouco dano ao erário. Nunca me utilizei da administração pública para satisfação de interesses pessoais, não me locupletei dos recursos públicos em benefício próprio e tampouco acobertei eventuais atos ímprobos dos meus auxiliares”, completou

“Hoje, notadamente, que faz maior oposição à cidade de Adamantina é quem está no poder”

Sobre a atuação do DEM, partido citado pelo Jornal Impacto como o de maior oposição em Adamantina, Kiko se manifestou: “O nosso partido não tem sede de poder. Temos, sim, preocupação com o cotidiano do nosso município. Nesse aspecto, é preciso fazer algumas pontuações, entre as quais, que possuímos a maior bancada na Câmara Municipal, com quatro vereadores, e junto com as lideranças nacionais do nosso partido, somos os responsáveis pelo maior volume de emendas parlamentares que se converteram em melhorias para a cidade, conquistadas ao longo dos últimos três anos. Quando se coloca sobre oposição, temos uma postura independente, em apurar responsabilidades, denunciar e exigir que se cumpra a lei. Hoje, notadamente, que faz maior oposição à cidade de Adamantina é quem está no poder, e destacamos o atraso na FATEC, a iminente perda da nova sede da Delegacia Seccional de Adamantina, festa do peão, as confusões da ExpoVerde, selo Município Verde-Azul e inúmeros prejuízos que a cidade contabiliza, desde janeiro de 2013”, criticou.
Sobre o perfil esperado do futuro prefeito de Adamantina, disse ao Jornal Impacto: “Não pode ser aventureiro, é preciso que tenha a vida pessoal organizada, histórico de integridade, componha uma equipe conhecedora de administração pública e da realidade local, e que tenha a coragem de dizer não”.

“O que se tentou, e ainda se tenta, é justificar a incapacidade administrativa e de gestão, buscando desculpas artificiais, para justificar a própria limitação”.

O Jornal Impacto reconheceu características de honestidade no ex-prefeito, porém questionou Kiko sobre morosidade na sua gestão, em especial, referiu-se a obras públicas inacabadas. Falou sobre os caminhos da burocracia, que dificultam obras públicas em todas as esferas, e destacou: “Sempre atuamos com vontade política, esforço e paixão pelas conquistas, para a nossa cidade. Prova disso é que superamos esses desafios e conseguimos concretizar mais de 140 convênios, entre estadual e federal”.
Kiko também foi questionado pelo Jornal Impacto sobre críticas realizadas na administração Ivo Santos, contestando o saldo de R$ 10,8 milhões anunciados no final de 2012, em saldo na conta bancária da Prefeitura, deixados pelo ex-prefeito, no final do mandato. Por sua vez, Kiko citou mapa financeiro de 31 de dezembro de 2012, e que é peça integrante do termo de transmissão de cargo ao novo prefeito, ocorrido em 1º de janeiro de 2013, informando o volume total líquido de R$ 10.823.880,02. “Contra fatos, não há argumentos. O que se tentou, e ainda se tenta, é justificar a incapacidade administrativa e de gestão, buscando desculpas artificiais, para justificar a própria limitação”.
Sobre críticas que recebeu na área da saúde pública, Kiko rebateu ao Jornal Impacto. “É importante lembrar que assumimos o governo, em 2005, com a Santa Casa sob intervenção e mergulhada em dívidas, que passavam de R$ 2,5 milhões, e reerguemos o hospital, devolvendo sua gestão à irmandade. Desde que assumimos começamos a atuar pelo resgate de toda a estrutura de saúde, quitar dívidas e conquistar melhorias e equipamentos. Temos consciência de que, o cenário vivido hoje, foi amplamente combatido em 2012, pelo nosso grupo político, durante a campanha eleitoral, no sentido de esclarecer e alertar a população, na época, quando a cidade viveu uma onda de promessas, com o objetivo de aliciar as pessoas. Hoje, o que se tem, é reflexo de escolhas erradas realizadas lá atrás, e que atualmente impactam no cotidiano da nossa população. Prometeram AME – e nos acusaram duramente sobre isso – prometeram remédio entregue por mototáxis e outros benefícios. E hoje nos deparamos com uma cidade sem medicamentos básicos, com a falta de 75 tipos de remédios, e dívidas com fornecedores de medicamentos, que passam de R$ 200 mil”.

“Administrar com pouco ou muito recurso, sem responsabilidade, sem ética, sem transparência e respeito aos cofres públicos, seria desastroso”

Em relação a dívidas com precatórios, o qual teve por várias vezes seu nome citado pela administração do ex-prefeito Ivo Santos, o Jornal Impacto questionou se o mesmo deixou essas dívidas para a nova administração. “Ao assumir em 2005 herdamos um grande volume de precatórios por conta de desapropriações de áreas da antiga Fepasa e da região onde hoje está o Parque dos Pioneiros, que não foram pagas por quem tomou essas decisões, ficando o saldo devedor para as administrações seguintes, sobre o qual fomos responsáveis em honrá-los. No nosso mandato não houve nenhum precatório decorrente de desapropriações. O que foi realizado por nós foi quitado dentro do exercício, sem qualquer dano ao erário, tanto assim que as despesas decorrentes já foram objeto de análise pelo TCE e consideradas regulares. Em relação às ações trabalhistas, que geraram precatórios, destacamos que o sistema de pagamento de férias sempre foi o mesmo tanto na Prefeitura de Adamantina, quanto nas outras prefeituras da região, bem como na maioria dos órgãos do poder público estadual e federal. Ocorre que esse sistema estava dissonante das regras previstas na CLT e calhou de justamente na nossa gestão alguns advogados aproveitarem-se dessa falha para instigar os servidores públicos municipais a irem a juízo requerer o pagamento em duplicidade. Foi uma montanha de ações trabalhistas, muitas das quais propostas pelos principais assessores e apoiadores do prefeito que teve o mandato cassado. Em resumo, assumimos em 2005 com o montante de R$ 848.829,53 em precatórios, em valores da época, e deixamos o exercício, no final de 2012 com o saldo de R$ 717.000,00 em precatórios a pagar. Ao longo dos oito anos da nossa administração, pagamos R$ 3.433.000,00 em precatórios”.  
O Jornal Impacto questionou também se o governo de Kiko Micheloni teria êxito, sem os recursos extras que foram injetados na Prefeitura, com a licitação da folha de pagamento e renovação do contrato com a Sabesp. O Jornal citou a cifra de R$ 10 milhões. Sobre esse tema, Kiko respondeu: “Na realidade é imprescindível que se faça uma atualização. O volume acrescido, com essas receitas extraordinárias, foi de R$ 8,7 milhões. De qualquer forma, administrar com pouco ou muito recurso, sem responsabilidade, sem ética, sem transparência e respeito aos cofres públicos, seria desastroso. O que é imprescindível considerar é que a postura de quem administra é determinante para consolidar dinheiro público em investimentos e melhorias. E o risco desse mesmo recurso, ser administrado por mãos erradas, seria uma tragédia sem precedentes, para a nossa história. Aliás, os recentes acontecimentos, na nossa cidade, mostram o quanto o perfil de quem administra e quem está ao seu entorno, constroem a realidade que não queríamos. A título de informação, no nosso mandato, pagamos R$ 7,1 milhões referentes a dívidas de financiamentos previdenciários contraídos com o INSS, de saldos remanescentes vindos desde 1996, período governado pelo prefeito cassado Ivo Santos”, revelou.

“Respondo pelo saldo desses últimos três anos. Foi um desastre, com resultados e prejuízos incalculáveis”

Sobre o novo prefeito Dr. Pacheco, que voltou a assumir a prefeitura, depois da cassação do mandato de Ivo Santos, Kiko fez uma análise sintética. “Não houve tempo para atuação mais ampla, que permitisse uma avaliação mais objetiva e detalhada sobre esse primeiro período em que dirigiu a cidade, no final de novembro. Porém, cito com positivo o desfecho dado à definição da área para a instalação da FATEC. E depositamos no atual prefeito a confiança e esperança de dias melhores, para nossa cidade”.
Em relação ao governo do ex-prefeito Ivo Santos, também respondeu ao Jornal Impacto. “Respondo pelo saldo desses últimos três anos. Foi um desastre, com resultados e prejuízos incalculáveis, para hoje e para o futuro de Adamantina. Infelizmente a expectativa de todos os adamantinenses não foi realizada”. 
O Jornal também cobrou de Kiko sua interpretação sobre a atuação de grupos políticos em Adamantina, que seria motivada por ódio e rancor. Sobre esse tópico, Kiko respondeu: “Em partes, isso é verdadeiro. Mas pior que isso são as pessoas que não atuam em nenhum cargo executivo ou legislativo. São justamente aqueles que se acovardam nas eleições e para eles, a rua é o ápice e o grande palco da fofoca, da plantação de fuxicos maldosos e que pouco ou nada contribuem, efetivamente, para a construção da cidade que os adamantinenses são merecedores. O que cabe a cada cidadão, hoje, e diante de todo esses episódios recentes, é invocar o discernimento e clareza para identificar esses especialistas no terrorismo do ‘quanto pior melhor’, que pautam seus discursos e atitudes na possibilidade de ter algum ganho ou benefício próprio, ao custo de uma cidade inteira. Adamantina não admite mais esses plantonistas da política, que sangram e sugam a nossa cidade, que mamam nas tetas públicas e trazem prejuízo para a maioria”.
Por fim, Kiko agradeceu e reiterou aspectos de sua administração. “Agradecemos mais uma vez o apoio e confiança dos adamantinenses ao nosso trabalho, e o reconhecimento à nossa conduta, seja em relação ao nosso governo, vivenciado no período de 2005 a 2012 – quando alcançamos 100% de esgoto tratado, nota 6,3 na educação básica e promovemos a redução da mortalidade infantil, todos índices de primeiro mundo – ou em relação à nossa posição no atual governo, quando buscamos recursos e melhorias para a cidade, sem nos recusarmos a combater os atos lesivos aos cofres públicos. Esse tem sido nosso direcionamento. E por fim, externamos nossas expectativas de bons frutos para o prefeito que assumiu, e que vença os desafios a que se propôs enfrentar”.

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