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Isso são negócios, guarde suas histórias tristes para você mesmo!

Veja as conexões entre Frank Underwood, um personagem ambicioso, inescrupuloso e detestável político, protagonista da série House of Cards, e o cotidiano de Adamantina.

Por: Isabel Gonçalves
Isso são negócios, guarde suas histórias tristes para você mesmo!

Frank Underwood é um personagem ambicioso, inescrupuloso e detestável político - protagonista da série House of Cards-, mas, na realidade, se atentos aprendemos muito com Francis sobre os bastidores da política, afinal, lá não parece muito diferente de cá.

“Such a waste of time, he chose money over power. In this town, a mistake nearly everyone makes. Money is the McMansion in Sarasota that starts falling apart after ten years. Power is the old stone building that stands for centuries. I can not respect someone that doesn’t see the difference”

“Ele escolheu dinheiro em vez de poder - um erro que quase todos desta cidade cometem. Dinheiro é mansão no bairro errado, que começa a desmoronar após dez anos. Poder é o velho edifício de pedra, que se mantém de pé por séculos. Eu não posso respeitar alguém que não veja a diferença”

Na política partidária brasileira é muito fácil identificar estes dois tipos, os ávidos pelo poder e os loucos por dinheiro, que se retroalimentam e vivem em plena harmonia interessada. Uns ávidos por corromper e outros ansiosos por ser corrompidos, em um lamaçal que não incomoda em absoluto as partes.

Compõem este cenário as hienas e sanguessugas que se mantém vivos mudando apenas de lado, para elas não importa de onde venha o alimento, desde que estejam sempre sorridentes sendo muito bem alimentados com cargos, contratos, compras...

É trágico, mas o drama maior é que tanto a turma do poder, quanto a do dinheiro, tão ávidos, não se preocuparam ou se preocupam com a “galinha dos ovos de ouro”, matam sem dó nem piedade a pobre e ainda brigam por seu espólio, depois partirão para outra carcaça.

Tenham em mente que na escala de prioridades de nossos governantes, primeiro vem quem os coloca lá, ou seja, quem alimenta o poder, quem paga a campanha.

Segunda prioridade, os cargos loteados para alimentar as coligações espúrias.

Terceira prioridade, os cargos para os militantes profissionais que de forma quase visceral são os responsáveis pela força da campanha.

Tudo isso “alimentado” pela sangria descarada dos cofres públicos, má fé e incompetência administrativa.

E por último na escala de prioridades, vem à população e suas necessidades básicas, como saneamento básico, saúde, segurança, educação, transporte.

Por tudo isso e mais um pouco não sobra dinheiro para investimentos, pois nesta escala de prioridades ele é sugado ao longo do seu sujo percurso ou desperdiçado nas mãos de corruptos e incompetentes muito bem alimentados. Por estes motivos não existe muita coisa boa vindo de nossos governantes.

E neste caminho perverso da conquista e/ou manutenção do poder, onde governos e partidos se confundem deliberadamente com a figura do “Estado”, se encontra um sujeito, despolitizado, sem informação (embora imerso nela) e sem cultura, incapaz de dar contexto ao que os cerca. Por isso aceitamos a gestão de ineptos e incompetentes, silenciamos diante de um insustentável mundo de extorsões em forma de preços e impostos em cascata que se perde na péssima gestão desses recursos e corrupção, e, como se já o suficiente, assistimos inertes a vergonhosos, deprimentes e miseráveis embates políticos, onde programas e propostas são deixados de lado e, até mesmo escondidos e escamoteadas, para dar espaço as fofocas, mentiras, medo e adereços. Tudo pelo poder e sua manutenção.

E quer saber o mais irônico? Os protagonistas disso tudo, a turma do poder, dinheiro e serviçais compõem a tal “gente de bem” da cidade, do estado... Gostaria que alguém explicasse o significado de “gente de bem”. O que define esta tal “gente de bem”? Ou esta tal “gente de bem” se auto define como “gente de bem”? De “gente de bem” o inferno está cheio, na realidade tudo o que vem acontecendo nesse país, nos municípios, estado e federação é por causa dessa tal “gente que se arroga do bem”! Atos, meus caros, ações, exemplo é isso que precisamos, de discurso vazio e hipócrita dessa tal “gente de bem”, sinceramente, eu já estou de saco cheio!

E se você acredita que mudar de partido alterará este sistema mórbido de poder e dinheiro, está muito enganado, a mudança terá que ser muito mais profunda, de alguma forma precisamos revolucionar o cenário político desse nosso país, começando por nossa cidade. Eu me pergunto, assistindo de perto a cena politica partidária de Adamantina, como votar? Em partidos, em pessoas? Porque é tudo muito confuso, as ideologias dos partidos são muito tênues, difusas e até mesmo inexistentes. Eu tenho a sensação que muitos se filiam a partidos apenas para ter uma chance de concorrer a um cargo eletivo e não pela representação, ideologia e significado desse partido no cenário municipal, estadual e nacional. Esquerda e direita se confundem, emulam e até mesmo inexistem neste micro cenário.

Mas como diria Frank Underwood "Isso são negócios, guarde suas histórias tristes para você mesmo".

 

Isabel Cristina Gonçalves é Adamantinense, Oceanógrafa, Mestre em Educação e Doutora em Educação Ambiental. Atualmente trabalha como pesquisadora, Pós-Doutoranda, pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no projeto: "Mudanças climáticas globais e impactos na zona costeira: modelos, indicadores, obras civis e fatores de mitigação/adaptação - REDELITORAL NORTE SP" | Acesse aqui seu perfil no Facebook.

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