Gostaria de saber, por onde anda a “inteligência” de Adamantina!?
Adamantina não pode se dar ao luxo de involuir e se esfacelar devido a disputas políticas, de egos e nas batalhas pelo poder.
Adamantina por muito tempo “funcionou” como exportadora de “inteligência”, isto é, muitos jovens moradores deixaram a cidade para estudar em outros centros, tanto no estado, quanto fora dele. Muitos por lá ficaram, porque se afeiçoaram a novas cidades, mas creio que, principalmente, porque não havia na cidade espaço e oferta de trabalho para que retornassem.
Adamantina é conservadora, no sentido de conservar, manter as “coisas” do jeito que sempre foram, de uma forma isso dá certa previsibilidade e pretensa "tranquilidade", mas por outro lado, não abre espaço para os novos tempos, para que o “novo mundo” adentre em seu território. O que por décadas pode ter sido bom, hoje é a perfeita ilustração da estagnação da cidade. Por este motivo, talvez até a contra gosto de alguns grupos que resistem as mudanças, esta bolha tende a estourar, ser implodida de dentro pra fora e, este movimento estará, de certa forma, ligado a FAI, pois esta acolheu parte significativa desses jovens que partiriam para estudar em outro centros e também, passou a formar “cérebros” e “inteligência” que necessitam de mercado de trabalho, alguns irão buscar este mercado fora, mas muitos permanecerão na região, como dentistas, fisioterapeutas e advogados, por exemplo, e agora futuros médicos, este é um movimento perceptível e sem volta.
Estes novos profissionais tendem ao movimento, buscando seu espaço, e assim quebrar a inércia, questionar o “status quo”, pois são de uma nova geração e têm novas idéias e ideais, cultura e novas concepções de cidade e mundo que se chocam com o que está estabelecido.
Estes recém formados e futuros profissionais são muito benvindos para renovar os ares “já carregados” que por estas bandas sopram, espero que sejam participativos, críticos, e que se engajem na busca de soluções para os problemas da cidade e contribuam para a construção de uma Adamantina mais “inteligente” e menos retrógrada, que é “dominada” pelos mesmos grupos, entra ano e sai ano, que não se renovam.
Não é um critica direta aos políticos da cidade, mas uma provocação para que estes se renovem e busquem reconstruir seus quadros, que agreguem aos seus partidos e chapas “sangue” novo, gente com novas idéias, planejamento, experiência e acima de tudo, que tenham uma nova concepção de gestão para uma cidade.
É um tanto quando difícil compreender que em pleno século XXI, carregado de novas idéias inovadoras, no que tange a gestão pública e privada, ainda se pense e governe uma cidade como há décadas atrás, com uma política voltada para dentro, baseada na antiga e ultrapassada governança provinciana que privilegia grupos em detrimento de uma visão mais ampla de gestão.
A moderna administração, baseada em competência administrativa e horizontalização, fundamentada em planejamento e visão em médio e longo prazo, quebra estes paradigmas arcaicos e mostra que é possível conceber uma cidade onde não se perde perde, muito pelo contrário, mas sim, onde a a sociedade, agricultores, empresários, comerciantes, ganham. A administração do século XXI deve ser pautada no empreendedorismo, na constituição de oportunidades de bons empregos, salários e qualidade de vida.
As “coisas” estão se transformando, isto é um fato. Entretanto, isto não se trata de um fenômeno a que devemos assistir e nos adequar, simplesmente, como se entendia até pouco. O mundo e sua dinâmica, inclusive a climática, não é mais a mesmo, por este motivo precisaremos de gestores que têm a capacidade de compreender a complexidade desses sistemas: socioambiental, sociocultural e socioeconômica, que são indissociáveis. A gestão não pode mais ser pautada pela velha e arcaica forma de administração que compreende as cidades como um ser estático, ela precisa ser pautada na compreensão da complexidade de cada sistema – saúde, transporte, segurança, educação, mobilidade urbana, modais de transporte, saneamento básico, oferta de empregos, qualidade de vida, energia sustentável e alternativa (Adamantina é um cenário perfeito para abrigar usina solar), preservação e conservação ambiental – e na busca por inteligência administrativa que vise à adaptação – aos novos desafios - e consequente resiliência desses sistemas.
A marca deste novo tempo é reconhecer os indivíduos, grupos e organizações como atores indissociáveis no processo de construção e reconstrução das estruturas e realidades. O olhar e a visão daqueles que compreendem seu papel e o potencial do alcance de suas práticas no desenho das novas “paisagens” é o líder moderno. Este olhar é o catalisador das transformações e dos processos que modela os novos tempos, em fina e interativa sintonia com as atuais demandas econômicas, políticas, tecnológicas, sociais, socioculturais e ambientais. Filtrando, assimilando, processando, criando e recriando de forma inovadora, imbuído de valores humanos e éticos e guiado por premissas sustentáveis. É tempo de dar um basta na velha e arcaica forma de gerir uma cidade.
Neste sentido, Adamantina precisa se reinventar, não apenas no cenário empresarial e gestor, mas também político, as “cabeças” da cidade precisam perder o asco que têm de se manifestar, ou mesmo, a predileção pela acomodação e não tomar parte das discussões. A população não pode mais se furtar de participar ativamente nas tomadas de decisões da cidade.

Infelizmente, nos últimos anos, não apenas a "pretensa corrupção” encarnada em descalabros com o erário e, sangria dos já vazios cofres públicos, foi a única “tragédia” que se abateu sobre a cidade, somou-se a isso uma inabilidade, ineficiência e, em alguns casos, incompetência gestora que ganhou tons trágicos, pois afetou diretamente a vida cotidiana da população.
Um exemplo dessa inércia, misturada com doses cavalares de arrogância, prepotência e “um que” de incompetência foi o caso da FATEC. A FATEC de Ourinhos – não muito mais velha que a de “Adamantina”, está em pleno funcionamento, foi analisada pelo MEC - segundo reportagem do Jornal do Povo – e a Faculdade ficou colocada entre as 12 melhores do país, e é a segunda do estado. A FATEC de Ourinhos oferece 5 curso, com duração de 3 anos, conta com aproximadamente 2.000 alunos, 80 professores e 50 funcionários. E a Faculdade de Tecnologia de Adamantina? Chega a doer constatar que passados mais de 3 anos e a FATEC sequer começou a ser construída. Isso é um crime político contra a população de uma cidade tão empobrecida como a de Adamantina.
A nova gestão, ao que me parece, vem tentando atacar estes problemas, trazendo um pouco mais de eficiência à gestão, cortando na carne, desinchando a máquina, valorizando o funcionário de carreira, mas o grau de sucateamento – humano e material - é tão grande e as histórias mal contadas continuam assombrando a cidade – como o caso do terreno para a construção de casas populares – que a sensação é que a luz no final do túnel parece ainda muito distante.
É aterrador que a falência do município de Adamantina, diretamente relacionada à má gestão - catalisada pela tragédia que é o pacto federativo e, em tempos de falência do estado e federação, não há de onde tirar dinheiro – faça com que o novo prefeito tenha que “escolher” áreas para salvar, o cobertor ficou tão pequeno que para cobrir um problema outro é descoberto. Exemplo, o deslocamento do maquinário para atender as necessidades do Selo de Município Verde e Azul, enquanto a limpeza dos terrenos e recolhimento de entulhos ficou em “stand by” porque não há maquinário suficiente, pois grande parcela deles está sucateado e/ou sem peças de reposição. É uma tragédia, em tempos de zika, dengue, chicungunya. É a escolha de Sofia, sinceramente eu não gostaria de estar na pele do novo prefeito.
Adamantina tem um imenso potencial “incubado”, creio que em curto prazo o maior deles é se transformar em um polo educacional, a cidade conta com a já estabelecida FAI que a cada dia que passa se fortalece e pode vir a ser um centro universitário (marcado pela tríade - Ensino, Pesquisa e Extensão) para onde convirjam estudantes de toda a região, do estado e, também, atrair alunos de outros estados. Temos em Adamantina escolas particulares de extrema qualidade que formaram e formam uma gama imensa de jovens, escolas que também recebem alunos da região. Com a Faculdade de Tecnologia do Estado - FATEC se abre um novo flanco. O ensino técnico é fundamental para a formação de muitos jovens e também em sua qualificação para o mercado do trabalho. Adamantina pode ter excelência nessas três frentes educacionais e, a partir daí fazer girar diversos negócios que dariam um “up grade” na qualidade e oferta de serviços além de um grande aporte financeiro, movimentando e fazendo rodar a economia da cidade.
Eu também me pergunto, onde estão e o que pensam e realizam nossos vereadores? A gente vê “uns par” deles atuando de forma significativa e se movimentando, mas cadê o resto, afinal são 9? Buscar verbas para asfalto e o que o valha é imprescindível para cidade que carece de recursos, mas e a “inteligência”, onde fica? Onde estão projetos inovadores? E a análise do plano diretor? – vital para uma cidade - Por que aprovaram sem questionar projetos pra lá de insanos do executivo? Caso da compra do terreno, uma APP, para casas populares, por exemplo. Como aprovar compras de terrenos que necessitam de grande investimento em infraestrutura sem que tenham analisado o plano diretor da cidade? É como desconsiderar a fisiologia de um corpo, não se preocupar e levar em conta a capitalização - artérias, veias e arteríolas -, sem irrigação os membros entram em necrose e morrem.
Se Adamantina está imersa nesse caos, certamente alguns vereadores se descuidaram, ou foram coniventes, ou omissos, isso também é inadmissível!

Precisamos quebrar este triste ciclo vicioso de votar sem consciência crítica e receber em troca gestões incompetentes e irresponsáveis, somos também causa de nossos infortúnios, cúmplices do sistema que “acreditamos” combater.
Na realidade, somos reflexo de uma sociedade perfeitamente ajustada a um sistema mórbido e subserviente que mais nos tira do que dá. Uma sociedade que (com)vive em paz com a corrupção; com o mercantilismo da saúde; que prioriza o tratamento de doenças em detrimento da prevenção ou até mesmo a cura; que (com)vive em paz com a violência cotidiana das ruas e com a intolerância de uma sociedade retrógrada, intolerante, preconceituosa; uma sociedade que aceita passivamente a imensa desigualdade social e educacional de nosso país; que (com)vive em paz e sem entender as consequência da extração e destruição, sem parcimônia, de bens naturais comuns a todos nós, que são nossas riquezas naturais e nosso patrimônio cultural; e do quanto custa para toda a população a má gestão pública.
O eleitor, por seu lado, também precisa participar das discussões, deixar de ser irresponsável e personalista. Não mais encarnar aquele que não está interessado em conhecer as possíveis idéias inovadores, concretas e planejadas que um candidato idealiza para a sua cidade.
Infelizmente muitos eleitores são personalistas, querem mais é saber da imagem do candidato, em detrimento de seu potencial gestor, e há, também, aqueles preocupados com as possíveis boquinhas e benesses que receberão dos eleitos. São seres despolitizados que, infelizmente, infestam as seções eleitorais em dia de votação.
Está na hora de compreendermos que precisamos "combater" o eleitor despolitizado, aquele que escolhe seu candidato pelas benesses que poderá receber, ou pela simpatia, seu sobrenome, ou porque este eleitor carece de senso crítico, pois, meus caros, tudo isso pode ser catastrófico para uma cidade. Por este motivo, as discussões políticas e a participação da sociedade é fundamental, para ajudar este sujeito despolitizado a construir uma nova forma de perceber e participar da política.
Gostaria de saber, por onde anda a “inteligência” de Adamantina!? Na realidade, estão por aí, desmotivados e desconectados, mas agora é hora de unir, juntar a aqueles que caminham em sentido análogo, discutir, criticar, participar, contribuir e acima de tudo, propor soluções. É imperativo que haja uma força conjunta de atuação, uma união acima de tudo propositiva, pois não precisamos de forças destrutivas. Adamantina não pode se dar ao luxo de involuir e se esfacelar devido a disputas políticas, de egos e nas batalhas pelo poder.