Em outubro teremos a chance de revolucionar Adamantina, ou simplesmente deixar tudo como está
Analisem muito bem os candidatos, na composição política da câmara e da prefeitura.
Sabemos que as prefeituras estão em quase estado de penúria, não é segredo para ninguém, muito devido ao estrangulamento promovido pelo governo federal e estadual, e para piorar o cenário, no caso de Adamantina e região, há nenhuma, ou pouquíssima força política, pois por estas bandas não conseguimos união para eleger deputados, nem estadual, o que dirá federal. Mas é importante frisar que muito dessa “miséria” é também, consequência de administrações obtusas, fisiológicas e clientelistas. Infelizmente nossos políticos se acostumaram a governar com o que tem, não estão “habituados” e muitos sequer têm competência para buscar novos recursos e investimentos.
Outro grande problema (devido ao clientelismo, fisiologismo e apadrinhamento) é que sujeitos despreparadas assumem secretarias, além de uma máquina extremamente inchada. Há um sucateamento estrutural e também humano, isso é grave e precisa ser revertido, mas para tanto, a população precisa entender este processo e começar a fazer seu papel, que é o de não apenas exigir que a “coisa” certa seja feita e fiscalizar, mas acima de tudo, entender todo este processo e sacudir a cena política partidária.
Pois é, meus caros, infelizmente não conseguimos atribuir responsabilidades, isso acontece porque não compreendemos o que é função do cidadão, da federação, do estado e do município, por não participar da vida pública da cidade, por ser subserviente a qualquer autoridade política como se fossem seres superiores e não o que realmente são, agentes públicos que ocupam cargos públicos para servir a população e não se servir da população.
E tem mais, os vereadores de Adamantina estão por aí, são 9, alguns deles já ocupam o cenário político da cidade há muito tempo. Afinal, quem acompanha de perto – trabalho deles – as contas da cidade certamente deveria conhecer a realidade financeira do município, portanto é inadmissível que os vereadores tenham permitido que as coisas chegassem a este ponto, de total desestruturação dos serviços públicos e dívidas em torno de 14 milhões. Os vereadores são, também, responsáveis por este estado calamitoso que a cidade se encontra, na realidade, que foi colocada. É inaceitável que depois que o caldo esteja derramado alguns se arvorem e passem a criticar de forma veemente e visceral o estado de penúria que Adamantina se encontra, mas pergunto, por que não atuaram antes?
O que deveria motivar uma mulher e um homem que se candidatam a ocupar um cargo público? Prefeitos, vereadores, secretários, diretores, cargos de confiança, concursados? Nada mais e nada menos do que servir o público com competência, qualidade e correção. Espera-se de pessoas públicas a grandeza de grandes mulheres e homens, não a covardia de meros oportunistas que se apropriam do público para benefício pessoal ou como cabide de emprego. É inadmissível e revoltante que em uma cidade pequena como Adamantina o público seja uma forma de garantia de emprego, muitos não têm a mínima ligação, habilidade, competência ou aptidão, ocupam cargos simplesmente porque são bons cabos eleitorais. Qual o custo para a cidade? Qual o custo para a população?
Vivemos tempos tão negros e de uma amoralidade e falta de ética ímpar que trabalhar em benefício próprio ou de grupos, nem causa vergonha nos agentes públicos. E isso acontece, meus amigos, pois grupos se sucedem no poder com o compromisso de fazer bem a seus grupos e não a sua cidade e população.

Basta de gente como esta, se não há nesses senhores a mínima ética administrativa, que ao menos a população entenda que administrações são feitas de continuidade, matem-se o que foi bom e refaz o que estava ruim, mas nenhuma cidade sobrevive quando a cada 4 anos grupos se sucedem tentando “redescobrir a roda”, simplesmente porque trará mais benefícios políticos e financeiros para seus grupos, destruindo o que o outro começou. Isso é indigno, imoral e deveria ser punido não apenas pelas urnas, mas também pela justiça, se houvesse justiça para crimes do colarinho branco neste país. E eu computo como crime não apenas o roubo descarado do erário público, mas a incompetência administrativa.
Pensem em todos os administradores que esta cidade já teve, reflitam sobre os absurdos cometidos e como isso nada significou, pois estes ainda têm a cara de pau de se candidatar, eleger laranjas, ou fazer parte de grupos para conquistar um naco da cidade, em coligações que renderão “tenebrosas transações”. Já é hora do cidadão dessa cidade dar uma basta em tudo isso, chega!
Se o cidadão não conseguir pensar com contexto e problematizar toda a realidade que o cerca continuará, entra ano e sai ano, sendo massacrado e dominado por grupos que, além de incompetentes, administram uma cidade, estado e nação em benefício próprio e de seus grupos.
Este ano teremos a oportunidade de mudar esta triste realidade que se apoderou de nossa cidade, ou deixar tudo como está. Analisem muito bem os candidatos, na composição política da câmara e da prefeitura. Precisamos defenestrar do cenário político os sujeitos que orbitam a esfera do poder entra ano e sai ano, que não trazem nada de novo, apenas carregam os mesmos vícios do passado, políticos que usam do poder como status ou para impulsionar suas vidas pessoais se servindo do bem público e não servindo ao público, se são probos, muitos são arcaicos, incompetentes e retrógrados - apenas a boa vontade não faz um grande político. Enquanto nós não entendermos este “modus operandi”, continuaremos sendo as vítimas passivas desse sistema mórbido de apropriação da cidade e manutenção do poder.
OBS: Peço desculpas a todos, meus textos estão se escasseando, isso porque tenho ficado longas temporadas fora da cidade à trabalho, muitos deles em campo, longe da internet, longe de tudo e, também, extremamente ocupada com outras demandas, isso tudo me deixa muito distante de Adamantina, dessa forma não consigo acompanhar de perto o dia a dia da cidade, assim, eu não consiga me “apropriar” da realidade local para discuti-la, infelizmente.
Sobre a autora | Isabel Cristina Gonçalves é Adamantinense, Oceanógrafa, Mestre em Educação e Doutora em Educação Ambiental. Atualmente trabalha como pesquisadora, Pós-Doutoranda, pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no projeto: "Mudanças climáticas globais e impactos na zona costeira: modelos, indicadores, obras civis e fatores de mitigação/adaptação - REDELITORAL NORTE SP" | Acesse aqui o perfil de Isabel Gonçalves no Facebook
