Opinião

Que dor é essa?

Nada escapa ao consumo. O modelo de produção acabou se inserindo em praticamente todas a esferas sociais, afetando as relação pessoais e também a própria relação do individuo com ele mesmo. Sobre esse tema, confira o artigo da psicóloga e psicoterapeuta Giovana Lopes.

Por: Giovana Lopes
Que dor é essa?

A paralisia mental e intolerância à  realidade pegou todos nós.
Quando o coração chora a razão vem e determina: Este mundo é para os que não choram, os que não sentem, os que nunca se cansam, os que estão belos e eternamente jovens...
A felicidade se tornou um produto de consumo?
Todos os dias saltam na frente dos nossos olhos uma infinidade de anúncios, estímulos: “Pão de açúcar, lugar de gente feliz”, uma bolsa Louis Vuitton (tem que ser a original, pois é usada pela modelo Gisele Bundchen), Mc Lanche Feliz...
Sem contar ainda a tamanha comercialização da Páscoa que de tão grande o menino perguntou ao pai: “Pai, Jesus era um coelho?” {Folha de SP}.
Atualmente, praticamente nada escapa ao consumo. O modelo de produção acabou se imiscuindo em praticamente todas a esferas sociais, afetando relação pessoais, de emprego, o sistema educacional, os esportes, entre outros, e também a própria relação do individuo com ele mesmo.
É claro que é mais difícil ter um encontro verdadeiro com o outro, mas principalmente o encontro consigo mesmo.
Também já pensaram nisso por nós e é comum encontrarmos pendurados nos postes das cidades anúncios de videntes, médiuns, leitores de búzios etc, que prometem resolver,  dentre outros, os problemas amorosos dos consulentes.
Jornais de grande circulação, revistas semanais trazem paginas com muitas ofertas desse tipo. Algumas são incríveis e refletem o desespero do consumidor: “Amor perdido. Trago de volta quem você ama, melhor que era antes”. Existem dezenas de exemplos oferecendo o encontro do amor, a salvação do pensamento, etc.
Se essas ofertas existem em grande profusão é sinal de que há um grande público consumidor interessado nelas. E isso demonstra que, realmente o mercado conhece profundamente o consumidor  em suas dificuldades, necessidades, dejesos etc.
Será exagero pensar em tudo isso dessa forma?
Uma voz ainda diz: pare de exagerar, sou mulher e o exagero vem junto da alma feminina.
O equilíbrio é o meio termo?

Nesse caso acredito que não. O equilíbrio é conseguir albergar na própria mente a dor, o desconhecido, as vivências emocionais de amor e raiva, medo angústia...
Por que afinal, pensamos que não podemos sentir tudo isso?
As flores de plástico não morrem, é verdade, mas também não tem a elegância do seu perfume. A emoção é o cheiro, é o cair das suas pétalas quando for o seu tempo. Assim como nosso envelhecer e por fim morrer.
Que dor é essa que nos consome e o que já inventaram para nos proteger?
Alias o que ainda não foi feito para nos proteger?
Espero que a neurociência possa nos comunicar que conseguimos desvendar o maior segredo: A mente tem limites. E esse pode ser o remédio. Não é preciso apagar um caso de amor não correspondido, pois quero o brilho eterno de uma mente com muitas lembranças, mesmo que desagradáveis as vezes.
Que bom ainda podermos chorar. O coração não foi para o freezer da vida, não tomou vacina anti-sofrimento e por isso mesmo não morreu. Posso dizer que o tomar leite com manga, essa mistura do tempo da vovó é mais moderna  do que pensamos.
O medo da mistura ainda esta presente em grande parte das relações humanas, pois não queremos fazer uma deliciosa vitamina com todos os ingredientes emocionais que a vida nos oferece.
O cardápio é seu, não é virtual, é de verdade, é a sua vida, de todos nós!

Giovana Lopes | Psicóloga – Psicoterapeuta. Membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo  (SBPSP). Candidata IPSO  -International Psychoanalytical Studies Organization. Membro da Organização dos Candidatos  da América Latina (SOCAL).
 

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