Para sempre, dona Alcina
“Deus não pode estar em todos os lugares e por isso fez as mães”. (Ditado judaico)
Se por um lado todo mundo sabe que domingo é o Dia das Mães, por outro nem todo mundo sabe como é difícil encontrar palavras para homenageá-las. E tudo fica mais difícil se quem se propõe a prestar a homenagem tenha perdido sua mãe há pouco tempo. Sendo assim, depois de muito pesquisar, cheguei à conclusão de que um pequeno poema de Carlos Drummond de Andrade teria as palavras certas para essa data tão especial:
Para sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Por fim, em nome de dona Alcina Toledo Nascimento de Oliveira (in memoriam), ofereço essas belas palavras de Drummond a todas as mães do mundo. Só eu sei como é duro enfrentar a vida sem o carinho, sem a compreensão e sem a cumplicidade da minha saudosa genitora. Feliz Dia das Mães!
(*) Londrina é servidor público municipal e jornalista profissional (Mtb 35079).