Eleito, maioria disse não a Ivo nas eleições de 2012
Maioria disse não a Ivo, votando nos outros três candidatos.
As circunstâncias vividas pelos adamantinenses desde janeiro de 2013, quando o atual governo municipal passou a (des)comandar a cidade, permitem contextualizar este período como um dos mais retrógrados da história da cidade.
E a manifestação de reprovação e descrença ao governo amarelo eleito em 2012, que se propôs a governar a cidade, não é opositiva gratuita ou implacável, como dito nesta semana pelos governistas que deixaram o poder, mas sim um retrato das urnas, das eleições de 2012, onde a maioria disse não ao candidato eleito.
A conta é simples: Ivo Santos foi eleito com 8.636 fotos. Outros 11.617 disseram não a Ivo Santos, votando nas outras três opções de candidaturas. Ou seja, em números objetivos, a maioria não quis a proposta do grupo amarelista.
O que se viveu na cidade, ao longo de praticamente três anos, é responsabilidade coletiva de quem se propôs a convencer seus cidadão a acreditar no governo que foi eleito, e que fez Adamantina a retroceder na sua trajetória. Todavia, nada tira, exclui a responsabilidade objetiva de quem foi empossado para governar, e assim não fez.
Nesse aspecto, é importante, também, trazer à memória o cenário da campanha eleitoral de 2012 na cidade. Em todos os setores há pessoas bem intencionadas que por algum motivo foram seduzidas a acreditar, seja pelos elementos da pauta de propostas para o município, seja por simpatizar-se a algum integrante do grupo que compunha a base do candidato, ou por qualquer outro interesse ou artifício difuso, legítimo ou não.
Outras decidiram seu voto para vingar uma mágoa ou um aspecto pessoal que eventualmente não fora atendido pelos integrantes dos demais grupos, em especial, para vingar-se do grupo governista, que ficou em segundo lugar nas eleições daquele ano.
Estabeleceu-se assim o discurso do bem contra o mal, de verdades e mentiras, do pinoquismo sem limites, da sedução a qualquer custo e do apoderamento das fragilidades e expectativas por oportunistas eleitorais que souberam detectar o núcleo do desejo da população, que por sua vez permitiu ser seduzida pelo promessismo de soluções instantâneas, e que ao final, na prática, se traduziu em decepção.
Enfim, por infinitas motivações e interesses, as escolhas foram feitas e as consequências vividas por toda uma cidade. O que a maioria eleitoral numérica decidiu não era a escolha da maioria eleitoral numérica que disse não e queria outros caminhos.
O prefeito empossado faz parte do novo governo dentro do mesmo governo. E tem depositado sobre si as expectativas de uma cidade inteira, que agoniza. Aos 45 do segundo tempo, tem agora a responsabilidade de organizar a estrutura pública municipal e dar a todos os cidadãos as respostas, com transparência, atitude e coragem.
Sobre o autor | Acácio Rocha é jornalista, diretor de conteúdo do Portal Siga Mais | Acesse aqui sua fanpage.