Saúde

Estudantes da UniFAI vão à Amazônia e atuam junto a comunidades na região de fronteira

Estudantes da UniFAI prestam atendimentos a comunidades ribeirinhas e indígenas na Amazônia.

Por: Da Redação atualizado: 2 de outubro de 2018 | 07h39
Bruno e Maria Eduarda na expedição Doutores Sem Fronteiras (Foto: Acervo Pessoal). Bruno e Maria Eduarda na expedição Doutores Sem Fronteiras (Foto: Acervo Pessoal).

Dois estudantes do Centro Universitário de Adamantina (UniFAI) vivenciaram neste ano uma experiência marcante, no exercício prático da futura profissão e na experimentação de diferentes realidades.
Bruno Cesar Doretto Macorini (20), morador em Flórida Paulista, é aluno do 6º termo do curso de odontologia em Adamantina e Maria Eduarda Vilela Rodrigues da Cunha (21) é estudante do 7ª termo do curso de medicina, na mesma instituição. Eles deixaram o conforto das próprias casas e imergiram em uma expedição embarcada da ONG Doutores Sem Fronteiras, em julho deste ano, com atendimento odontológico a comunidades desassistidas na região de fronteira no Vale do Guaporé, ao longo de trechos do Rio Mamoré, em Rondônia. A localidade faz fronteira com a Bolívia.
A viagem dos estudantes teve o apoio institucional da UniFAI, prestando auxílio referente às taxas da ONG e nas passagens aéreas de Presidente Prudente a Porto Velho (RO), cidade-base da operação, onde se integraram aos demais do grupo e partiram em expedição. A UniFAI também apoiou os dois estudantes na elaboração de documentário sobre as atividades a campo.

Pioneirismo, intercâmbio e aprendizado

O caminho para se chegar ao Doutores Sem Fronteiras é exigente e rigoroso, o que permite o ingresso de estudantes extremamente dedicados e comprometidos. Nesse contexto, Adamantina tem dois representantes locais inseridos em um projeto de reconhecimento internacional. Desta forma, por dois anos seguidos, a cidade é reconhecida por ter representantes locais – estudantes da UniFAI – vivenciando uma oportunidade única de aprendizado profissional e humano.
Vencido todo o rigor para o ingresso de voluntários, esta foi a segunda expedição que Bruno participa e a primeira expedição de Maria Eduarda. Ele esteve na Amazônia Central, no ano passado, retornando agora à região fronteiriça. Porém, ambos são pioneiros, em duas situações: Bruno foi o primeiro estudante do oeste paulista a participar da expedição, em 2017, e Maria Eduarda a primeira estudante de medicina a integrar o grupo.
Bruno Macorini conheceu o Doutores Sem Fronteiras em 2016, quando participou do processo seletivo e em meados de julho de 2017 compôs a missão como intercambista, atuando por 30 dias na Amazônia Central. Ao retornar, já começou a se preparar para uma nova oportunidade, participando de encontros na cidade de São Paulo, palestras e estudos sobre as regiões, para que pudesse atuar, agora em 2018, na condição de ativista.
A viagem foi em julho deste ano e a expedição durou 40 dias, passando pelo Vale do Mamoré Guaporé, terras indígenas Sete de Setembro e Uru eu wau wau, e junto a comunidades Ribeirinhas do Baixo Madeira (RO).
Ele explica que neste ano as ações se estruturaram em três etapas, em novos roteiros bem como retornando a localidades onde estiveram em 2017. Nessa recente viagem, segundo Bruno, uma experiência marcante foi conhecer as aldeias Indígenas na região de Fronteira no Vale do Guaporé, localidade de difícil acesso. “Navegamos por 15 dias, não só levando tratamentos especializados, mas também esperança, atenção, amor, devolvendo a eles a autoestima, através da odontologia”, disse.

Já nas regiões onde estiveram ano passado e que foram revisitadas pelo Doutores Sem Fronteiras, Bruno disse ter percebido uma melhora em saúde bucal daqueles moradores. “Isso é reflexo de um bom atendimento dado a eles o ano passado e o trabalho incansável de prevenção, levando informação a respeito de saúde bucal. Assim, o conjunto do trabalho já está mostrando resultados muito significantes”, conta. Sobre o cotidiano dessas pessoas atendidas com o serviço odontológico, Bruno destaca a dificuldade de acesso a atendimentos especializados de saúde.
Já em relação à própria experiência e dos demais voluntários, Bruno descarta qualquer cenário de dificuldade, valorizando assim a iniciativa, a experiência e o aprendizado. “Não encaramos como uma dificuldade, pois quando você vai por conta própria, por prazer, por vontade ajudar, não se torna uma dificuldade, e sim um prazer em estar atuando nessas comunidades”, explica.
Ao retornar da expedição, Bruno enumera os ganhos vivenciados na prática. “Os ganhos são muitos, eu costumo dividi-los em pessoal, profissional e cultural”, destaca. “Estamos em contato a todo momento com culturas novas, tronco linguístico diferente, os rituais da região, e tudo isso é fantástico. Nós aprendemos muito com aquelas pessoas”, diz.
Sobre os ganhos profissionais, ele cita que a equipe é formada em 90% por profissionais especialistas e de referência na odontologia os outros 10% são formados por alunos de todo o Brasil que ingressaram no processo seletivo. “Desta forma, a troca de experiências vividas lá é um ganho muito importante para a formação do aluno, abre um leque maior que vai além do que aprendemos na graduação”, comemora.
Sobre seu futuro profissional, Bruno espera carregar consigo toda a carga de aprendizado e a vivência no Doutores sem Fronteiras. “Precisamos ter uma atuação humanizada e enxergar o próximo como pessoa, e não como um número”, completa.

Primeira estudante de medicina a participar da expedição

A participação de Maria Eduarda Cunha na expedição do Doutores Sem Fronteiras se constituiu um marco para a própria ONG. Ela se tornou a primeira estudante de medicina a integrar o grupo. “Eu sempre tive a vontade de participar de um projeto voluntário como este, mas parecia distante da minha realidade”, disse.
Ela revelou que já havia feito contato com alguns projetos, mas nunca deu certo. Uma colega teve contato com uma postagem do estudante Bruno Macorini. Eles estudam no mesmo campus e isso facilitou a aproximação. Bruno forneceu as orientações iniciais, Maria Eduarda fez contato com a ONG e logo já participou de uma reunião em São Paulo, seguida de outros encontros, até ser admitida no processo seletivo e viajar na expedição.
Selecionada, Maria Eduarda passou a integrar o grupo e vivenciou sua primeira expedição. “Foi uma experiência incrível, diferente e encantadora. Essa primeira etapa sem dúvidas ficará guardada em minha memória e com um carinho especial, porque além de ter sido o primeiro contato, fui presenteada com paisagens maravilhosas, conheci pessoas encantadoras, histórias inspiradoras e uma cultura riquíssima, sem falar na alegria contagiante e a energia espetacular que cada paciente e cada profissional transmitiam”, conta. “Era prazeroso cada esforço e correria, pois a equipe estava muito unida e percebia-se que estávamos ali todos com o mesmo objetivo, com muita entrega e amor por cada comunidade visitada”, continua.
Nessa imersão, Maria Eduarda destaca ainda como diferenciais marcantes a riqueza cultural, a forma leve, apaixonante e verdadeira da população indígena, o valor dado à família, a garra da população ribeirinha – em espacial do Lago Cuniã – e a valorização e o respeito que os indígenas têm com a natureza. “E também, a oportunidade de conhecer profissionais com pensamento de solidariedade e doação”, destaca.  

A estudante conta que na circulação da expedição pela região pode observar diferentes realidades e a mesma recepção aberta e acolhedora pelos moradores. “Cada etapa possuía um perfil diferente”, diz. “Em algumas comunidades o que mais chamou atenção foi a carência da população e o abandono. Já em outras, acesso difícil. Isso faz com que a assistência à saúde daquela população seja falha e precária”, revela. “Em contrapartida, a forma simples, a gratidão que eles possuem me inspira a ser uma pessoa melhor e uma futura profissional diferente”, completa Maria Eduarda.
Toda essa oportunidade de aprendizado e vivência fez a expedição valer a pena, sobretudo pelo atendimento às comunidades, e para a própria formação profissional dos estudantes que se voluntariaram para participar da expedição.
Nesse universo, Maria Eduarda contabiliza um conjunto de ganhos e recompensas, que orientarão a futura carreira. “Os valores éticos, morais e culturais que me foram ensinados de uma forma tão natural e simples me fez perceber que realmente a felicidade está tão perto e em coisas tão pequenas”, conta. “A  forma honesta e verdadeira de cada pessoa, desde a criança ao idoso, é inspiradora. Lá eles tratam seres humanos como seres humanos, sem julgamento e pré-conceito”, revela a estudante. “Conviver com médico, dentistas e todos os outros profissionais me fez querer ser mais que uma médica diferente, para que eu me torne uma pessoa melhor. Nisso, fui inspirada por cada atitude de amor e dedicação da equipe e da população atendida”, completa.
A estudante de medicina ressalta também a importância da integração e diálogo multiprofissional, para a atuação em saúde. “Nessa expedição eu realmente aprendi o verdadeiro significado de trabalho em equipe e isso vou levar para o resto da minha vida, pois a medicina não é nada sem as outras áreas. Todos precisamos de um auxílio e quando a equipe é multidisciplinar o benefício ao paciente é muito superior”, comemora.
Para ela, o médico precisa ser muito mais que um bom profissional. “Ele precisa ter ética, misericórdia, compaixão, ter empatia, ser solidário, saber escutar, saber trabalhar em equipe, respeito e saber o seu limite e o limite da profissão. E claro ele precisa amar o ser humano e amar a sua profissão”, finaliza. 

A ONG Doutores Sem Fronteiras

A Associação Doutores Sem Fronteiras é uma entidade sem fins lucrativos que tem como objetivo fomentar a retribuição das conquistas profissionais, por meio da colaboração, utilizando o conhecimento técnico de seus associados com o intuito de erradicar a falta de acesso de determinadas populações às premissas básicas de saúde, educação e bem estar, sem interferir na cultura, religião e características sociais das localidades atendidas.
Tem a missão de ser o elo entre os profissionais dispostos a contribuir voluntariamente com seu conhecimento técnico na assistência daqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade, e a visão de liderar a assistência às populações em situação de vulnerabilidade, combatendo os efeitos da desigualdade e proporcionando satisfação e felicidade aos atendidos.
Em seu site oficial, o fundador da ONG, Dr. Caio Eduardo Caseiro de Lima Machado, destaca a essência do trabalho dos Doutores Sem Fronteiras. “Partindo do princípio que as sementes jogadas ao solo nascem e crescem dando posteriormente seus frutos, esperamos que nossas jornadas sejam as sementes para uma conscientização, educação bucal e dentária que se espalhe construindo bons hábitos e que os governos locais estimulados ampliem a rede de atendimento com melhorias e que mais patrocinadores nos apoiem para que possamos ser autossuficientes para que o nosso trabalho possa prosseguir com qualidade e sustentabilidade”.

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