Polícia

Mãe e padrasto são presos em Santo Expedito; criança de um ano morreu após ingerir crack

Segundo a Polícia Civil, criança teve fácil acesso à droga que o casal tinha na casa.

Por: Da Redação atualizado: 8 de agosto de 2022 | 14h50
Delegacia da Polícia Civil de Santo Expedito, que sediou as investigações (Divulgação/PC). Delegacia da Polícia Civil de Santo Expedito, que sediou as investigações (Divulgação/PC).

A Polícia Civil de Santo Expedito, contando com o apoio da Polícia Militar local, prendeu na tarde desta sexta-feira (5) um homem de 20 anos e uma mulher de 19 anos. Eles eram padrasto e mãe de uma criança de 1 ano de idade que morreu depois de ingerir uma porção de crack, substância entorpecente, que o casal guardava no interior da residência em Santo Expedito.

Conforme nota à imprensa divulgada pela Polícia Civil, as investigações foram iniciadas com a notícia da morte da criança em Presidente Prudente, em 5 de maio deste ano, depois de permanecer internada por cinco dias na unidade de saúde.

Segundo relato inicial do padrasto e da mãe – conforme a nota –, teria havido ingestão de terra ou outro corpo estranho, que logo evoluiu a quadro de asfixia. Exames médicos preliminares realizados na criança comprovaram a inexistência de terra na boca e/ou vias aéreas da infante, gerando desconfianças na equipe médica acerca dos relatos do casal.

Com o avanço das investigações, a Polícia Civil angariou indícios suficientes que indicavam que a criança teve fácil acesso ao entorpecente crack, mantido na residência para tráfico de drogas efetivado pelo casal, e acabou por engolir a referida substância que causou asfixia e consequente morte.  Denúncias anônimas aportaram na Delegacia de Polícia e reforçaram o apurado.

Órgãos assistenciais e de proteção à criança e adolescente do Município também passaram a acompanhar o caso, sendo que tais informações também foram recebidas por esses órgãos e integraram as investigações.

Segundo a Polícia Civil – conforme a nota –, ainda no curso do inquérito policial instaurado para apurar as circunstâncias da morte da criança o casal foi ouvido em declarações e a mãe se portou com apatia, sem demonstrar fortes emoções, e apresentou diversas e confusas versões sobre os fatos apurados, informando que a criança quase engoliu uma porção de maconha em outra oportunidade. Já o padrasto, informou que a criança teria ingerido restos de um cigarro de maconha e que teria, por descuido, caído no chão, ressaltando que tudo não passava de “um acidente”, “um descuido” (sic).

A confirmação de que a criança havia ingerido crack ocorreu após a conclusão dos laudos periciais. “Diante de todos os elementos de informação angariados, os laudos periciais foram cruciais para comprovar a prática do hediondo crime perpetrado pelo referido casal. O laudo pericial necroscópico e demais laudos complementares comprovaram que a criança morreu em decorrência de insuficiência respiratória aguda, broncoaspiração e intoxicação exógena por cocaína”, narra a nota. A Polícia Civil explica que o crack é derivado da cocaína.

Na nota da Polícia Civil, o delegado João Paulo Tardin, que preside as investigações, narrou sobre as investigações e a conduta do casal. “As investigações encampadas pela Polícia Civil, alicerçadas nos elementos médico-periciais juntados aos autos, foram suficientes a elucidar que o consternante resultado morte da criança está intrinsicamente ligado às condutas criminosas de sua genitora e seu padrasto. Trata-se, em verdade, de atuação dolosa do casal investigado, na modalidade de dolo eventual, com manifesta indiferença ao bárbaro resultado elucidado na presente investigação, diante de todos os elementos de informação devidamente colacionados. O resultado morte, portanto, se mostrava perfeitamente previsível ao casal investigado, que embora não quisesse produzi-lo, categoricamente assumiu o risco de fazê-lo. Em complemento, não há que se falar em atuar culposo dos investigados, posto que não se mostra razoável crer que o casal tenha previsto o resultado morte e a ele tenha dado causa por negligência. Todos os elementos de informação angariados demonstram que os investigados em momento algum tentaram evitar o hediondo resultado, posto que continuaram a manter drogas na edificação residencial em locais variados e de fácil acesso, mesmo ciente de que a criança já manuseou entorpecente em data anterior, assumindo a efetiva exposição do risco e indiferença diante do provável resultado morte das infantes de tenra idade que ali residiam”, destacou a autoridade policial.

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Mais drogas encontradas durante a prisão do casal

Diante de todas as provas produzidas a autoridade policial requereu à Justiça a prisão temporária do casal investigado e mandado de busca domiciliar. Os pedidos tiveram parecer favorável do Ministério Público e os respectivos mandados foram expedidos pela Vara do Júri da Comarca de Presidente Prudente.

Com os mandados, os investigados foram presos em Santo Expedito na tarde desta sexta-feira. Durante as buscas domiciliares duas porções de maconha foram localizadas e apreendidas.

(Divulgação/PC).

Novamente ouvidos na Delegacia de Polícia de Santo Expedito, os investigados informaram que a criança ingeriu droga por descuido. “A atrocidade do crime elucidado destoa da realidade vivenciada na pacata cidade de Santo Expedito, todavia, resta a certeza de que o rápido e eficiente trabalho de investigação encampado pela Polícia Civil efetivou a resposta estatal adequada. Com o término das investigações e eventual denúncia, os investigados poderão ser submetidos ao Tribunal do Júri para devido processamento e – esperada – condenação”, pontuou o delegado Tardin.

A prisão temporária tem prazo de duração inicial de 30 dias. Os presos capturados serão submetidos à audiência de Custódia em Presidente Prudente e permanecerão à disposição da Justiça.

Padrasto foi flagrado com drogas no interior de ambulância

Conforme destacou o setor de investigações da Delegacia de Polícia Civil de Santo Expedito, “em análise ao histórico criminal do casal verificou-se que padrasto foi alvo de denúncias acerca de comércio ilícito de drogas, sendo certo que foi autuado e preso em flagrante delito, em duas oportunidades nesta cidade, pelos crimes de tráfico de drogas, fatos consumados em 9 de setembro de 2021 e 11 de fevereiro de 2022", diz a nota.

Segundo a Polícia Civil, o investigado armazenava os entorpecentes em local de fácil acesso aos moradores da casa, inclusive as crianças, já que guardava a droga no interior da geladeira e sobre uma sapateira.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, em 28 de fevereiro deste ano, o padrasto foi surpreendido na posse de entorpecente enquanto estava no interior de ambulância do serviço municipal, acompanhado da mulher mãe da criança. Sobre ele recaia denúncia de que estaria buscando entorpecente em Presidente Prudente e transportando a droga até Santo Expedito enquanto utilizava o serviço de ambulância, se fazendo passar por paciente, visando afastar eventuais suspeitas das forças de segurança.

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