Polícia

Delegado de SP começa 2023 tendo um dos piores salários do Brasil, alerta Sindicato

Segundo ranking nacional, dos 27 estados da federação, São Paulo está em 24º lugar.

Por: Da Assessoria atualizado: 21 de janeiro de 2023 | 13h20
(Ilustração). (Ilustração).

 

São Paulo, o estado mais rico do País, sendo o que mais arrecada impostos, é também um dos que paga o pior salário ao delegado de Polícia. Isto é o que aponta levantamento realizado pelo Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp). Das 27 unidades da federação, São Paulo está em 24º lugar. O estado que melhor remunera o delegado no Brasil é Mato Grosso - 14º em arrecadação, segundo o Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).  

Em 2022, SP atingiu R$ 1,03 trilhão em arrecadação, o que lhe garante a liderança nacional neste quesito e com distância significativa do segundo colocado, Rio de Janeiro, com R$ 394,1 bilhões. Já no ranking salarial dos delegados de Polícia, o estado mais rico do Brasil figura entre as últimas posições. É o 24º colocado, com salário bruto de R$ 12.458,97 mensais àqueles que estão iniciando a carreira.  

O piso paulista só perde para a Bahia (R$ 11.882,15), Espírito Santo (R$ 11.260,12) e Sergipe (R$ 11 mil) - sendo os dois últimos estados indiscutivelmente menores em dimensão geográfica em comparação com SP. Os valores são referentes a junho de 2022, período mais recente da pesquisa do Sindpesp. 

Ranking da remuneração paga a delegados e da arrecadação de impostos (Divulgação/Sindpesp).

Mato Grosso, estado que melhor paga os delegados de Polícia no País, oferece vencimento de R$ 22.446,13, quase o dobro da remuneração de SP, mesmo sendo o 14º colocado no ranking de arrecadação de impostos de 2022, com R$ 42,2 bilhões. Já o Rio de Janeiro paga R$ 20.590,59 de salário aos delegados, estando, assim, na 6ª posição do levantamento do Sindpesp.  

Investigadores e escrivães da Polícia Civil paulista também estão entre os que têm os piores salários do Brasil. A remuneração inicial é de R$ 4.717 para as duas categorias. Enquanto o investigador amarga na 17ª posição do ranking salarial, o escrivão ocupa o 18º lugar, de acordo com o Sindpesp. 

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A presidente do Sindicato dos Delegados de SP, Jacqueline Valadares, destaca a necessidade urgente de valorização e de reestruturação da carreira policial. Para a profissional, o não incentivo salarial no estado mais rico do Brasil é um dos motivos para o sucateamento da Polícia Civil. “Hoje, há um déficit de 38,5%, ou seja, menos 16 mil policiais trabalhando, entre delegados, investigadores, escrivães e outros cargos. A recomposição não acompanha as saídas, que se dão por exonerações, incluindo as desistências, ou aposentadorias. Resultado: os policiais da ativa acabam sobrecarregados, muitas vezes, com equipamentos obsoletos e em delegacias precárias. Nessas condições, é impossível prestar serviço de excelência à população paulista, que tanto clama por segurança. São Paulo é de longe o estado mais rico do Brasil, mas paga um salário vergonhoso àqueles que estão nas ruas todos os dias combatendo o crime”, complementa.

Jacqueline Valadares, presidente do Sindicato dos Delegados paulista (Divulgação/Sindpesp).

Jacqueline defende, ainda, nomeações imediatas e novos concursos com urgência, para a recomposição dos quadros da Polícia Civil. “As contratações devem acontecer com maior agilidade. Inclusive, estamos cobrando para que os candidatos aprovados em concursos já realizados sejam chamados o quanto antes. Por outro lado, se a gente não remunerar bem este servidor, não conseguimos manter ele na carreira. Temos de sair deste looping, deste ciclo vicioso. Não é só contratar. É valorizar, é pagar bem. Se isso não acontecer, este déficit que temos hoje jamais vai mudar”, alerta.  

Indicadores 

O ranking salarial do Sindpesp abarca informações obtidas em portais da transparência, setores de recursos humanos das Secretarias de Segurança e Diários Oficiais (DOs) dos estados. O levantamento é disponibilizado no site da entidade

Já o Impostômetro é um serviço da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O levantamento considera todos os valores arrecadados pelas três esferas de governo (municipal, estadual e federal) no Brasil a título de tributos: impostos, taxas e contribuições, incluindo multas, juros e correção monetária. 

 

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