Esportes

Fisioterapeuta de Adamantina e surdoatletas campeões mundiais em futsal são homenageados em Brasília

André Sadao, de Adamantina, é fisioterapeuta da Seleção Brasileira de Futsal de Surdos.

Por: Da Redação atualizado: 5 de dezembro de 2019 | 15h26
O fisioterapeuta André Sadao Ocamoto, 30 anos, de Adamantina, com o presidente Jair Bolsonaro e a primeira-dama Michelle Bolsonaro (Acervo Pessoal). O fisioterapeuta André Sadao Ocamoto, 30 anos, de Adamantina, com o presidente Jair Bolsonaro e a primeira-dama Michelle Bolsonaro (Acervo Pessoal).

O fisioterapeuta André Sadao Ocamoto, 30 anos, de Adamantina, junto com os surdoatletas da Seleção Brasileira de Futsal de Surdos - campeã mundial na Suíça pelo “4th World Deaf Futsal Championships” (4º Campeonato Mundial de Futsal de Surdos 2019) –, foram recebidos nesta segunda-feira (2) em Brasília, em uma solenidade da Caixa Federal voltada à inclusão, com a participação do presidente Jair Bolsonaro e a primeira-dama Michelle Bolsonaro, além de autoridades da instituição bancária e do Governo Federal.

Em Brasília, o grupo de surdoatletas e a equipe técnica que obtiveram o título de campeões do Campeonato Mundial de Futsal de Surdos, realizado de 9 a 16 de novembro último, na Suíça, foram saudados pelo presidente e a primeira-dama, e fotografados com as autoridades. Michelle Bolsonaro chegou a postar selfie em seu perfil no Instagram com o fisioterapeuta André Sadao. 

Atletas e equipe técnica da Seleção Brasileira de Futsal de Surdos com presidente Jair Bolsonaro e outras autoridades, em Brasília (Reprodução/Instagram Michelle Bolsonaro). 

O torneio em território suíço reuniu 12 seleções e foi disputado na cidade de Winterthur. Foi a quarta edição do campeonato e a terceira participação brasileira.  A equipe brasileira obteve seis vitórias em seis jogos, com 49 gols marcados e apenas cinco sofridos. A equipe brasileira contou com 14 atletas, sob comando do técnico Vanderlan da Silva, de Caxias do Sul (RS).

A trajetória do grupo e a recente conquista mundial no futebol de salão trouxeram visibilidade e colocaram os surdoatletas no centro da cerimônia da Caixa, que abordou políticas inclusivas no próprio banco e outras apoiadas pela instituição financeira.

Trabalho e trajetória do fisioterapeuta de Adamantina

André Sadao mora em Adamantina desde 1995, quando seus pais mudaram para a cidade. Fez pré-escola no Cema II e passou pelas escolas Navarro de Andrade, Fleurides Cavalini Menechino, Helen Keller e Colégio Objetivo. Por fim, ingressou no curso de fisioterapia da FAI (hoje Centro Universitário de Adamantina UniFAI), concluindo a graduação em janeiro de 2011, e desde então desenvolve sua atividade profissional na cidade e região. Tem formação complementar em acupuntura pelo Instituto Brasileiro de Acupuntura e Massoterapia (IBRAM) e osteopatia completo pelo Instituto Docusse de Osteopatia e Terapia Manual (IDOT).

Presidente Jair Bolsonaro e André Sadao  (Acervo Pessoal).

 Ele atua como fisioterapeuta esportivo da Seleção Brasileira de Futsal de Surdos e é também fisioterapeuta da Atlética de Medicina de Fernandópolis (A.A.A.P.S.), pela Universidade Brasil desde 2017 – onde estuda sua namorada – além de ter atuado como fisioterapeuta esportivo em diversos jogos universitários.

Ainda nas modalidades inclusivas, foi fisioterapeuta esportivo da Seleção Brasileira de Handebol no “2018 World Deaf Handball Championship” (Campeonato Mundial de Handebol de Surdos 2018), disputado em julho de 2018 em Caxias do Sul/RS, sob a promoção do ICSD – International Committee of Sports for the Deaf.

Segundo André, sua inserção no meio esportivo, como profissional de fisioterapia, surgiu no final de 2017 quando o técnico de handebol do time da Atlética de Medicina de Fernandópolis, Tiago Marçal, tinha acabado de chegar da Turquia, e curiosamente perguntou sobre a estrutura técnica e se havia, por exemplo, profissional da sua área na equipe.

Até então André não sabia que a Confederação Brasileira de Desportos de Surdos (CBDS) não possui recursos do governo e nem de instituições privadas, onde o técnico revelou que se tratava de um trabalho voluntário. Marçal falou ainda que em 2018 aconteceria o Campeonato Mundial de Handebol de Surdos, em Caxias do Sul (RS).

André se integrou ao grupo e passou a viajar um final de semana por mês à capital paulista para acompanhar os treinos na escola de educação física da Polícia Militar de São Paulo. Nesse ano, em 2018, o feminino de handebol ficou com o bronze e o masculino em 4º lugar.

Ele explica que na sequência surgiu a possibilidade de acompanhar as meninas no futsal. Os treinos eram realizados em Jundiaí ou Vinhedo, e também se deslocava para lá um final de semana por mês.

Com as atletas da Seleção Brasileira de Futsal de Surdos, André realiza o atendendo de fisioterapia, acupuntura e osteopatia, auxiliando na prevenção, tratamento e recuperação das atletas, pré e pós jogos.

André Sadao conta ainda que sempre praticou esportes, onde se destacou no atletismo até os 15 anos, sendo por três vezes o terceiro melhor do Estado de São Paulo nos 100 metros rasos. E agora como fisioterapeuta junto com o time de surdos, comemora o terceiro lugar no handebol feminino de surdos, o quarto lugar no handebol masculino de surdos, e agora campeão mundial pela seleção brasileira de futsal de surdos. (Continua após a publicidade...)

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Superação, reconhecimento e visibilidade aos surdoatletas

A trajetória do grupo é marcada por múltiplas superações. Hoje, no esporte, cada um arca com suas despesas. Segundo André, os surdoatletas possuíam o bolso atleta, mas há quatro anos o programa foi cortado. “Desde então o atleta não recebe nada”, diz. “Nós somos voluntários, isso que é gratificante”, orgulha-se

 Primeira-dama Michelle Bolsonaro postou essa foto eu seu perfil no Instagram, com o fisioterapeuta André Sadao (Reprodução/Instagram Michelle Bolsonaro).

 André Sadao em selfie com a primeira-dama Michelle Bolsonaro  (Acervo Pessoal).

 Já em relação às homenagens desta semana em Brasília, ele destaca o reconhecimento dado ao grupo. “As homenagens que recebemos nos proporcionaram um sentimento ímpar, sem explicação”, define. “De onde elas vieram, de onde nós viemos e  sendo sempre voluntários, tudo isso se torna muito gratificante e mostra o potencial proporcionado pela inclusão”, continua. “Deficiência não tem barreiras, pois eles podem ir muito além, tanto no esporte como para a vida pessoal. Ver o sorriso delas é emoção que não tem tamanho. A ficha demora a cair”, completa.

Agora, segundo André, as expectativas se tornam mais promissoras. “A visibilidade que o esporte está dando a elas é muito importante para a inclusão social, com benefícios para a comunidade e para a população surda”, finaliza.

Em sua postagem no Instagram, Michelle Bolsonaro escreveu que a sede da CBDS será criada em Brasília no ano de 2020 e que núcleos esportivos devem ser distribuídos em outras cidades do Brasil para fomentar e apoiar o esporte surdolímpico.

Campeonato Mundial de Futsal de Surdos 2019

Durante o Campeonato Mundial de Futsal de Surdos 2019, na fase de classificação, o Brasil integrou o grupo A, ao lado de Suíça, Tailândia e Holanda. Já na estreia, as meninas brasileiras venceram as surdoatletas suíças por 17 x 0. Na sequência, goleada por 7 x 0 sobre a equipe da Tailândia e 11 x 0 sobre o time da Holanda.

Surdoatletas da Seleção Brasileira de Futsal de Surdos: equipe vencedora do 4º Campeonato Mundial de Futsal de Surdos 2019, realizado na Suíça (Reprodução/CBDS).

Com o primeiro lugar no grupo, a seleção se encontrou com o Japão nas quartas de final. Foi a partida mais difícil de todo o torneio, a única vencida pela diferença mínima, por 2 x 1. Depois disso, o time brasileiro goleou a Alemanha por 8 x 4 na semifinal e derrotou, na decisão, a Polônia, também de goleada, por 4 x 0.

O título da equipe feminina na terceira participação no evento reforça a evolução do grupo ao longo dos anos. Em 2011, a seleção brasileira foi a última colocada no Mundial. Quatro anos depois, chegaria ao vice-campeonato para, agora, faturar o ouro.

Momento de glória para as surdoatletas, campeãs mundiais em futsal, na Suíça (Reprodução/CBDS).

 A seleção masculina, também com três participações, terminou em sétimo lugar neste ano. A colocação também representa uma evolução em relação às duas últimas edições: o grupo terminou em 11º lugar em 2011 e em 9º em 2015.

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