Educação

Em entrevista, novo reitor da UniFAI fala sobre o processo de eleição, realidade e desafios

“Nós queremos paz e estaremos abertos ao diálogo” diz o novo reitor da UniFAI.

Por: Da Redação atualizado: 15 de julho de 2021 | 18h18
Professor doutor Alexandre Teixeira de Souza, reitor da UniFAI para o mandato que vai até 30 de junho de 2025 (Acervo Pessoal). Professor doutor Alexandre Teixeira de Souza, reitor da UniFAI para o mandato que vai até 30 de junho de 2025 (Acervo Pessoal).

“A UniFAI é a razão da nossa motivação e será o foco do nosso trabalho. Nós queremos paz e estaremos abertos ao diálogo. Agora iremos olhar para frente. A autarquia municipal de ensino superior precisa de uma gestão que se preocupe com o presente e com o futuro, respeitando a história e as pessoas”. Esse é uma das afirmativas dadas pelo novo reitor do Centro Universitário de Adamantina, professor doutor Alexandre Teixeira de Souza, em entrevista ao SIGA MAIS.

Nas últimas semanas Adamantina viveu um intenso debate sobre o processo de eleição da nova reitoria da instituição municipal de ensino UniFAI, o mais polêmico nos 54 anos de história da autarquia. No núcleo das discussões a resistência do prefeito Márcio Cardim (DEM) em acolher os nomes dos novos reitor e vice-reitor que encabeçaram a lista tríplice junto ao Conselho Universitário (ConsU), como sempre ocorreu.

O processo de eleição da reitoria da UniFAI é regido por uma lei municipal de 2017, de autoria do próprio prefeito, que já dirigiu a instituição. A legislação permite a livre escolha dos nomes a partir da lista tríplice, pelo chefe do Poder Executivo, porém condiciona que haja referendo legislativo. Assim, o prefeito fez suas escolhas, em duas tentativas, que não estavam entre os nomes mais votados no ConsU, e a Câmara Municipal negou referendo por duas vezes. Cardim tentou ainda, na Justiça, anular a sessão legislativa, e também não conseguiu. O Poder Judiciário negou seu pedido. Ao defender sua posição, Cardin colocou que buscava uma chapa mais alinhada a ele.

A indicação dos professor doutor Alexandre Teixeira de Souza para reitor e do professor doutor Wendel Cleber Soares para vice-reitor, pelo prefeito à Câmara, se deu após esgotadas as duas possibilidades da lista tríplice, e só ocorreu no dia 6 de julho. No dia seguinte a Câmara referendou os dois nomes e no dia 8 ambos foram nomeados pelo prefeito, por decreto.

Enquanto o prefeito fazia suas tentativas, a UniFAI ficou sem comando, desde 1º de julho, já que o mandato anterior terminou no dia 30 de junho. Os novos reitores nomeados dia 8 foram empossados no primeiro dia útil seguinte, na segunda-feira desta semana (12), sem cerimônia solene, em razão da pandemia.

“Quando a vontade da maioria prevalece, edifica-se a democracia”, destaca o novo reitor (Acervo Pessoal).

O novo reitor está atualmente sob isolamento familiar, onde se recupera da Covid-19, e tem atuado remotamente no comando da autarquia. Nos ambientes de decisões o vice-reitor tem ocupado espaço, representado o titular da reitoria. A expectativa é que na próxima semana o dirigente da instituição ocupe sua sala no campus 1.

À distância, em razão do seu isolamento e diante da impossibilidade de um encontro presencial, no atual momento, o novo reitor da UniFAI foi entrevistado pelo SIGA MAIS. Ele respondeu questões ligadas à votação que obteve no Conselho, o relacionamento com o prefeito e o protagonismo da Câmara Municipal no processo de eleição da instituição.

Ele faz também uma radiografia do momento vivido pela instituição, quanto a cursos, finanças, inadimplência e perda de alunos, a consolidação do curso de medicina, a estruturação dos demais cursos, formação da equipe de trabalho, a escolha do vice-reitor, os projetos com o poder público na área de saúde e os novos desafios ao ensino superior pós pandemia.

O novo dirigente da UniFAI, para o mandato que vai até 30 de junho de 2025 tem graduação, mestrado e doutorado em engenharia química. É professor na UniFAI desde janeiro de 2006. De perfil discreto, ocupa agora o cargo mais importante na instituição. 

Como você interpretou a posição institucional do Conselho Universitário em validar, com 12 votos, a indicação de sua chapa?

Prof. Dr. Alexandre Teixeira de Souza - O Conselho Universitário (ConsU) é o órgão colegiado superior da UniFAI, composto por representantes da comunidade acadêmica (professores, servidores administrativos e alunos) e da sociedade civil.  Acreditamos que os votos dos conselheiros consideraram as diretrizes e a coerência do Plano de Gestão quanto ao ensino, à pesquisa e à extensão, em todas as áreas do conhecimento, prezando pela valorização humana e pela autonomia institucional.

A UniFAI atravessou nesses dias um processo histórico, relacionado à nomeação da nova reitoria, sobretudo pelas divergências de perspectivas do conselho universitário e do prefeito, com a posição do colegiado acadêmico endossada pela sociedade. Com sua nomeação legalmente consolidada, como pretende conduzir a partir de agora seu relacionamento com o prefeito?

Prof. Dr. Alexandre - A UniFAI é a razão da nossa motivação e será o foco do nosso trabalho. Nós queremos paz e estaremos abertos ao diálogo. Agora iremos olhar para frente. A autarquia municipal de ensino superior precisa de uma gestão que se preocupe com o presente e com o futuro, respeitando a história e as pessoas. Portanto, de nossa parte, estaremos sempre abertos para o diálogo, como sempre estivemos. A harmonia entre a UniFAI e os poderes Executivo e Legislativo é essencial para o nosso Plano de Gestão. Acreditamos que o trabalho harmônico será viabilizado pelo bom senso de todos.

Em paralelo, houve um novo protagonismo da Câmara Municipal nesse processo, e até decisivo, para sua nomeação. Agora, como o poder legislativo pode contribuir especificamente com a sua gestão à frente da UniFAI?

Prof. Dr. Alexandre - Reconhecemos o papel fundamental da Câmara Municipal em prol da autonomia da UniFAI representada pela vontade da maioria do Conselho Universitário. Considerando a natureza jurídica autárquica da UniFAI, o Poder Legislativo municipal tem um papel fundamental e inerente às atividades parlamentares, seja no acompanhamento e fiscalização do interesse público, seja na aprovação de leis necessárias para a Instituição. Acreditamos que haverá uma união de esforços em favor das medidas que contribuirão para a execução do Plano de Gestão e para o futuro exitoso da UniFAI.  

Campus II da UniFAI (Imagem: REC Filmagens/Divulgação).

Com os nomes que compuseram as outras duas chapas: existe algum desconforto?

Prof. Dr. Alexandre - De modo algum. Muito pelo contrário, são professores doutores e colegas de trabalho respeitados. Contamos com a união e colaboração de todos na condução dos interesses da Instituição.

Em relação ao seu projeto de gestão, que radiografia ele traz sobre o atual momento da UniFAI?

Prof. Dr. Alexandre - A principal motivação da nossa candidatura foi o cenário educacional em que se encontra a Instituição, perda de alunos, não abertura de cursos, falta de incentivo à pesquisa, desmotivação por parte de servidores administrativos, professores e alunos. Entendemos que estamos em um período de crise educacional de âmbito nacional, mas a UniFAI necessita de autonomia acadêmica, administrativa e financeira que permita dialogar com toda a comunidade acadêmica, bem como compor com todas as dimensões da sociedade, visando cumprir a sua missão institucional relativa ao ensino, à pesquisa e à extensão, com responsabilidade social. Gerir uma Instituição de Ensino Superior com autonomia é agir estrategicamente para mantê-la em uma posição competitiva, cumprindo a sua missão institucional em todas as áreas de atuação. Tais aspectos estão expostos no Plano de Gestão apresentado ao Conselho Universitário como requisito para pleitear os cargos de reitor e vice-reitor. O título do nosso Plano de Gestão representa as principais necessidades que vislumbramos na atualidade: "Gestão Efetiva, Autonomia e Valorização Humana".

Para os próximos quatro anos, quais são os núcleos estratégicos mais importantes a serem enfrentados pela nova reitoria, nos campos do ensino, pesquisa e extensão?

Prof. Dr. Alexandre - Nos próximos quatro anos a UniFAI deverá percorrer o caminho para o seu credenciamento como universidade junto ao Conselho Estadual de Educação. O nosso Plano de Gestão contempla muitas ações de ensino, pesquisa e extensão voltadas para tal finalidade. O trabalho integrado de todas as pró reitorias será fundamental. A valorização humana e a atuação autônoma são ações estratégicas para alcançar os resultados propostos.

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Especificamente sobre o curso de medicina, um dos primeiros desafios é revalidar seu reconhecimento junto ao Conselho Estadual de Educação. E além disso, consolidá-lo para os atuais alunos e futura clientela. Há alguma lacuna estrutural no curso?

Prof. Dr. Alexandre - O projeto pedagógico do curso de medicina estabelece a sua estrutura curricular e as principais ações educacionais. O reconhecimento do curso demonstra que não há problemas graves na estrutura curricular já aprovada pelo Conselho Estadual de Educação. Entretanto, reconhecemos que, como acontece com todos os cursos de graduação, a experiência vai indicando pontos que devem ser aprimorados para assegurar a qualidade de ensino e a formação integral do aluno. Acreditamos que o fortalecimento do Departamento de Medicina seja fundamental no momento, pois a primeira turma acaba de se formar e a própria vivência contribuirá para os ajustes necessários para manter a qualidade do curso de medicina. O nosso Plano de Gestão contempla estratégias que poderão solucionar os principais apontamentos apresentados pelo Conselho Estadual de Educação no processo de reconhecimento do curso. Todos os cuidados necessários serão dispensados para a renovação do reconhecimento do curso, bem como para o seu futuro consistente.

Quanto aos demais cursos, há críticas dos próprios alunos e da sociedade, de que estariam desprestigiados pela instituição. É possível revigorá-los? Há alguma estratégia para esse tema?

Prof. Dr. Alexandre - O nosso Plano de Gestão contempla todos os cursos de graduação da UniFAI. A pró reitoria de ensino terá total apoio da reitoria para adotar as medidas que cada curso necessitar para o enfrentamento dos desafios existentes, avaliando as especificidades. Há diferentes questões que afetam os diferentes cursos. Entretanto, as ações globais voltadas para o atendimento e valorização dos alunos e a atuação conjunta de coordenadores e professores contribuirão para o fortalecimento dos cursos. As principais estratégias estão detalhadas no Plano de Gestão e serão aprimoradas pela participação da própria comunidade acadêmica.

Ensino presencial, híbrido ou à distância, e considerando as características da UniFAI: qual o espaço que essas dinâmicas terão no ensino pós-pandemia na autarquia adamantinense?

Prof. Dr. Alexandre - A Portaria nº 2.117/2019, publicada no Diário Oficial da União, autoriza as Instituições de ensino superior a ampliar para até 40% da carga horária de educação a distância (EaD) em cursos presenciais de graduação. As áreas de engenharia e saúde, com exceção da medicina, podem ampliar a modalidade EaD na organização pedagógica e curricular de seus cursos de graduação presenciais. Diante dessa realidade, propõe-se um estudo detalhado sobre a viabilidade de implantação de cursos de graduação e pós-graduação EaD. Os estudos deverão considerar a possibilidade de parcerias com outras Instituições já consolidadas nas diversas áreas do conhecimento, com o fim de reduzir custos de investimentos e manter a competitividade quanto à demanda por cursos EaD. Trata-se de um tema desafiador que deverá ser amadurecido através do diálogo, especialmente com o corpo docente e com o Conselho Universitário.

Novo bloco dedicado ao curso de medicina e outros cursos da área da saúde (Foto: Siga Mais).

As evasões e a inadimplência foram acentuadas na pandemia, e repercutem nos cofres da UniFAI. E considerando todo o histórico recente e global de retração econômica, a situação das finanças da autarquia é confortável?

Prof. Dr. Alexandre - A UniFAI é uma Instituição de ensino superior sólida e respeitada. Apesar das dificuldades trazidas pela pandemia, a situação financeira é estável. A gestão deverá ser cuidadosa quanto à responsabilidade fiscal. O nosso Plano de Gestão prevê um Centro de Atendimento e Acolhimento dos alunos, com o fim de acompanhar as principais dificuldades dos discentes nas áreas acadêmica, administrativa e financeira, o que certamente contribuirá para reduzir evasões.

Em relação à formação das equipes administrativa e acadêmica: qual o perfil pretendido e quais características de trabalho pretende estabelecer? E em relação ao vice-reitor, que espaço terá na gestão da instituição?

Prof. Dr. Alexandre - A UniFAI conta com muitos profissionais excelentes. A nossa equipe está sendo formada pela compatibilidade entre o currículo profissional e as principais metas do Plano de Gestão, mas contamos com o envolvimento de toda a comunidade acadêmica. Quanto ao vice-reitor, o Wendel é um companheiro da academia, professor respeitado por todos. O nosso Plano de Gestão foi elaborado conjuntamente, de forma que o trabalho dele, com toda a experiência docente e de gestão que já tem, será fundamental para que possamos atingir os objetivos propostos. A nossa união fortalecerá a união de toda a comunidade acadêmica e estamos preparados para muito trabalho juntos.

Prof. Dr. Wendel Cleber Soares, vice-reitor (Cedida).

Outro tema bastante discutido nesse processo de transição versa sobre o diálogo institucional entre a UniFAI e o Poder Executivo municipal, sobretudo em temas da saúde pública, o que envolve projetos em andamento na rede da atenção básica e hospitalar, com repercussões regionalizadas. Como o seu projeto de gestão interage nesse tema?

Prof. Dr. Alexandre - A UniFAI, por meio do curso de Medicina e dos demais cursos da área da Saúde, deve contribuir para o objetivo de credenciar Adamantina como um polo de referência em saúde local e regional. A consolidação desse propósito depende do fortalecimento da relação com diversos parceiros envolvidos, especialmente com a Municipalidade. Inicialmente, conduziremos esse processo dialogando com os parceiros para entender o verdadeiro papel da instituição de ensino superior no projeto local e regional de saúde, mas certamente apoiamos o propósito e buscaremos adotar todas as medidas que forem da alçada da UniFAI, respeitando a finalidade institucional, a legalidade dos atos e os limites financeiros.

Por fim, em que esse processo eleitoral tão polêmico e intenso deixa de aprendizado?

Prof. Dr. Alexandre - A certeza de que o diálogo e o respeito devem estar presentes em todas as relações humanas e institucionais. Quando a vontade da maioria prevalece, edifica-se a democracia, presente estará a ponte para o caminho da harmonia.

Considerações finais/livre.

Prof. Dr. Alexandre - Agradecemos a oportunidade de nos manifestar e apresentar um pouco do nosso Plano de Gestão. Agradecemos o apoio de todos os envolvidos. O nosso Plano de Gestão foi intitulado "Gestão Efetiva, Autonomia e Valorização Humana". O foco é o crescimento e o desenvolvimento sustentável da UniFAI, visando o seu credenciamento como universidade junto ao Conselho Estadual de Educação. Durante o nosso mandato atuaremos em prol da gestão voltada para resultados favoráveis para o ensino, para a pesquisa e para a extensão, preservando a autonomia e a independência institucional, sobretudo pela valorização de docentes, servidores administrativos e alunos. Contamos com a união e a força de todos, animados de que a grandeza da UniFAI assegurará o futuro próspero.

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