Coronavírus

Sem respostas e ações da Prefeitura pela economia local, Sincomercio se retira do Comitê Covid-19

Presidente do Sincomercio anuncia saída do Comitê de Contingenciamento do Coronavírus de Adamantina.

Por: Da Redação atualizado: 17 de abril de 2020 | 16h39
De portas fechadas, comércio agoniza: empresas já demitem e podem encerrar atividades por definitivo (Foto: Gustavo Castellon | Grupo IMPACTO). De portas fechadas, comércio agoniza: empresas já demitem e podem encerrar atividades por definitivo (Foto: Gustavo Castellon | Grupo IMPACTO).

Em ofício dirigido ao prefeito de Adamantina, Márcio Cardim, o presidente do Sincomercio Nova Alta Paulista, Sérgio Vanderlei, comunicou seu desligamento do Comitê de Contingenciamento do Coronavírus de Adamantina. A decisão se deu após reunir-se com a diretoria do Sincomercio local na manhã desta quinta-feira (16).

O Siga Mais teve acesso ao ofício. No documento, Sérgio reconhece o momento crítico e as medidas em saúde pública adotadas em proteção à vida das pessoas na tentativa de evitar a disseminação do novo coronavírus (Covid-19), bem como a limitação de flexibilização do Poder Executivo em relação às recomendações do Ministério Público e ao decreto estadual de quarentena fixado pelo governador João Dória.

Com esse posicionamento, o Sincomercio deixa claro a insatisfação quanto a ausência de ações locais e iniciativas, pelo poder executivo, que pudessem flexibilizar as medidas restritivas locais – observadas todas as recomendações das autoridades de saúde – e assim também garantir a sobrevivência financeira das empresas, sobretudo os setores do comércio e serviços, representados pela entidade. “O que não podemos aceitar é o fato ‘de não ser prerrogativa do município de Adamantina querer fazer diferente’, pois entendemos que além das questões relacionadas à saúde, esta pandemia traz graves problemas econômicos e financeiros”, questiona.

Sérgio Vanderlei, presidente do Sincomercio Nova Alta Paulista (Reprodução: Life FM).

O dirigente sindical destaca ser prerrogativa do Poder Executivo tentar achar soluções que possam contemplar ou pelo menos amenizar, em conjunto, as questões saúde e economia. “Entendemos ser sim primordial salvar vidas, mas entendemos que salvar vidas é também garantir emprego, renda e comida às famílias do nosso município. O fechamento de empresas e o desemprego em massa, com toda certeza, trará consequências graves como fome, desesperança, doenças diversas, aumento da violência, além de inúmeros outros problemas que poderíamos aqui citar e que chegarão de alguma forma ‘na porta’ do Poder Público”, pontou.

No ofício endereçado ao prefeito, Sérgio revela ter proposto ao Comitê estudos de casos e iniciativas de outras cidades, na tentativa de sensibilizar o Poder Executivo local, porém, sem sucesso. “Ao expor exemplos estudados e praticados em outros municípios dentro do Comitê, a intenção do Sincomercio foi a de apenas contribuir para com a discussão, na tentativa de fazer o Poder Executivo encontrar uma linha de trabalho que possa contribuir para as duas questões, saúde e economia. Jamais tivemos a intenção de desmerecer qualquer preocupação ou trabalho de membros do Comitê”, pontuou.

Ao Siga Mais, Sérgio Vanderlei pontua que o prefeito sinaliza boas intenções, mas estaria mal assessorado. “Acredito que o prefeito está com boas intenções e sendo sensato, mas está mal assessorado juridicamente. O jurídico do prefeito, que tem feito a interlocução entre Comitê Gestor e Ministério Público, pouco tem feito para amenizar as questões econômica. É preciso discussão. E quando falo em discussão não é enfrentamento ao Ministério Público. É discutir sugestões, ações e encontrar um ponto comum para saúde e economia”, afirma.

Comércio pede socorro e não vê respostas da Prefeitura para o setor (Siga Mais).

A Câmara Municipal também se mobilizou nesse tema, até agora sem sucesso. Por inciativa de todos os vereadores foi proposta a criação de um Comitê Econômico, para atuar em paralelo às medidas de saúde pública, para tratar de medidas emergenciais à economia local e sua reativação (reveja). O pedido, estruturado em forma de requerimento, ainda não foi respondido pelo prefeito.

O tamanho do setor

Segundo o Sincomercio, Adamantina tem 735 empresas no ramo do comércio, que empregam 2.813 pessoas; 1.046 empresas no setor de serviços que empregam 3.386 trabalhadores; e 51 no ramo da construção civil que geram outros 473 empregos. Juntos, esses três setores somam 1.832 empresas e 6.672 postos de trabalho.

O órgão traz também um panorama de duas outras atividades. Na indústria local, segundo o Sincomercio, são 158 empresas, com 1.652 empregos; e no agronegócio outras 449 empresas, com 759 postos de trabalho. Juntos, esses dois setores somam 607 empresas e 2.411 postos de trabalho.

Essas informações permitem dimensionar que as 1.832 empresas dos setores de comércio, serviços e construção civil são praticamente quatro vezes o total de industrias em geral e empresas ligadas ao agro, e assim geram 2,7 vezes mais postos de trabalho.  (Continua após a publicidade...)

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Flexibilizar e endurecer

Ao final do ofício, o dirigente do Sincomercio cita uma lista de sugestões para o Poder Público estudar, a fim de amenizar a grave crise econômica já instalada na cidade. “Sabemos das limitações, mas sabemos que para muitas ações são necessárias coragem e competência. Agradecemos e rezamos para que Deus oriente nossos gestores na condução dos melhores caminhos”, finaliza o documento.

O Sincomercio agrupo em dois tópicos sugestões para flexibilizar e endurecer as medidas que envolvem o enfrentamento ao Covid-19 e a relação desse tema com a economia local. Veja:

Flexibilização

· Comércio em geral – com as portas fechadas, permissão de atendimento interno para um cliente por vez, além dos serviços de delivery e drive thru. As empresas deverão dispensar todos os funcionários relacionados no grupo de risco. Fica obrigatório o uso de máscaras pelos funcionários, além da disposição do álcool em gel para funcionários e clientes.

· Salões de beleza, barbearias e afins – com as portas fechadas, permissão de atendimento interno para um cliente por vez, com agendamento e hora marcada. Fica obrigatório o uso de máscaras pelos profissionais e a esterilização dos equipamentos, além da disposição do álcool em gel para clientes.

· Mototáxi – permitido o atendimento desde que os clientes usem o próprio capacete e o profissional faça a esterilização de equipamentos e veículos a cada corrida.

· Academias de ginásticas – com as portas fechadas, permissão de atendimento interno para um cliente por vez, com agendamento e hora marcada. Fica obrigatório o uso de máscaras pelos profissionais e a esterilização dos equipamentos, além da disposição do álcool em gel para clientes.

Endurecimento

· Bancos e lotéricas – controle de filas internas e externas, os bancos têm condições para isso, fazendo a distância mínima de 2 metros entre as pessoas.

· Supermercados – atendimento prioritário para idosos em horário determinado e a permissão de apenas uma pessoa por família dentro dos estabelecimentos.

· Agentes públicos – diminuição dos salários durante o período de 90 dias para uso dos recursos em ações para o contingenciamento do coronavírus, como a compra e distribuição de máscaras entre a população.

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