Coronavírus

Saúde nega pedido para inclusão de lactantes entre as prioridades para vacinação contra a Covid-19

Mães que amamentam pretendiam antecipar o quanto antes a vacinação contra a Covid-19.

Por: Da Redação atualizado: 23 de julho de 2021 | 16h26
Mães que amamentam devem aguardar avanço da vacinação conforme idade ou a definição de novos grupos prioritários (Foto: Unicef). Mães que amamentam devem aguardar avanço da vacinação conforme idade ou a definição de novos grupos prioritários (Foto: Unicef).

A Secretaria Municipal de Saúde de Adamantina negou o pedido de um grupo de mães para que fosse estendida a vacinação contra a Covid-19 às lactantes, independente do calendário do programa de imunização que, a partir desta sexta-feira (23), na cidade, vai vacinar moradores com idade de 27 anos.

O pedido formalizado por um grupo de mães foi protocolado junto ao poder público municipal no dia 8 de julho. No documento elas informam que a iniciativa já ocorre em outras cidades, como Araçatuba, Barbosa, Bertioga, Birigui, Carapicuíba, Cubatão, Itanhaém, Itapevi, Mauá, Mirassol, Mongaguá, Novo Horizonte, Osasco, Praia Grande, Ribeirão Pires, Santo André, Salto de Pirapora, São Bernardo do Campos e São Vicente.

A prática também é endossada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). A principal motivação ao pedido é que os anticorpos gerados pela vacina podem passar para os bebês pela amamentação, gerando, diretamente, dupla proteção.

A resposta às mães está no Oficio Nº 170/2021/SMS, com data de segunda-feira (19).  O documento começa informado a versão mais recente do Documento Técnico do Estado de São Paulo para imunização da população (17° atualização, de 12/07/2021.

O Ofício da Secretaria Municipal de Saúde considera “que o objetivo da vacinação é a redução da morbimortalidade causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), bem como a manutenção do funcionamento da força de trabalho dos serviços de saúde e a manutenção do funcionamento dos serviços essenciais e além de vacinar os grupos de maior risco de desenvolvimento de formas graves e óbitos pela doença”.

Ainda de acordo com o Ofício, “considerando ainda que de acordo com o mesmo documento técnico, para as mulheres lactantes, não há um grupo prioritário de vacinação específica, contudo está autorizada a vacinação às lactentes pertencentes aos grupos prioritários que já iniciaram a imunização até o momento”.

Por fim, a manifestação do órgão municipal de saúde orienta que as lactantes observem os anúncios com as datas conforme a idade ou a definição de novos grupos prioritários, para serem imunizadas. “Desta forma, informamos que as lactantes que ainda não se encaixam nos grupos tidos como prioritários, devem estar atentas ao calendário atualizado de vacinação para receberem sua dose da vacina”, encerra o documento.

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Anticorpos gerados pela vacina contra covid podem passar para bebês pela amamentação

O SIGA MAIS buscou referência sobre a vacinação de lactantes. Uma delas, publicado no site Jornal da USP, da Universidade de São Paulo, em abril deste ano, aponta que ainda há muitas dúvidas sobre o impacto da Covid-19 na saúde das mães que acabaram de ter seus bebês e também dos recém-nascidos.

Porém, o conteúdo cita uma revisão sobre o tema feita por pesquisadoras do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP,  publicada no Physiological Reports, onde mostrou que a amamentação pode ajudar a prevenir a Covid-19 em bebês, além de proteger contra distúrbios gastrointestinais associados à doença.

De acordo com o Jornal da Universidade, a professora Patrícia Gama, pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, coordenou essa revisão ao longo do segundo semestre do ano passado. “As moléculas presentes no leite fazem com que o bebê possa ter um quadro reduzido de sintomas e de consequências, se for infectado. Ele ainda não tem um sistema imunológico formado e depende, justamente, do leite, para que a mãe forneça a ele todas essas moléculas. Por isso, a amamentação é uma ponte tão importante para se garantir o crescimento e o desenvolvimento adequado”, destaca.

(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil).

Há ainda um quadro de pesquisas mais recentes, segundo o Jornal da USP, focadas na situação das mães vacinadas. Como a professora explica, a vacina permite que os anticorpos, ao passarem por um processo chamado “soroconversão” no corpo das mães, passem ou não para o bebê. Ainda que muito recentes, Patrícia destaca que esses trabalhos “vêm sugerindo que, sim, esses anticorpos derivados da soroconversão da mãe, após a vacina, também passam para o bebê pelo leite”.

Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda vacinação contra a Covid-19 em lactantes

Outra referência consultada pelo SIGA MAIS foi o site da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Por meio dos Departamentos Científicos de Aleitamento, Imunizações e Infectologia, a instituição publicou em março deste ano o documento científico “Vacinação contra Covid-19 em lactantes”, onde recomenda a imunização desse público.

De acordo com a SBP, o material apresenta uma revisão sobre os dados disponíveis a respeito do tema. “A orientação segue o que preconiza a Organização Mundial da Saúde (OMS), que se posiciona claramente ao afirmar que, se a lactante é pertencente a um grupo no qual a vacinação é recomendada, ela deve ser oferecida”, afirma. Além disso, a SBP não aconselha a interrupção da amamentação após a vacinação.

O documento analisa, ainda, que as duas vacinas utilizadas até o momento no Brasil, Coronavac (Sinovac/Butantan) e AstraZeneca/Oxford/Bio-Manguinhos, são consideradas conceitualmente vacinas inativadas. O principal documento nacional, que define as ações vacinais do Sistema Único de Saúde (SUS), orienta a vacinação de gestantes e lactantes com precaução, caso a mulher e o seu médico prescritor decidam, de forma compartilhada, pela aplicação.

(Foto: Mehmet Turgut Kirkgoz no Pexels).

Outros documentos também foram publicados seguindo a mesma linha de orientação da nota do Ministério da Saúde, entre eles o da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO); um consenso das filiadas Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado do Rio de Janeiro (SGORJ) e Associação de Obstetrícia e Ginecologia de Santa Catarina (SOGISC); e o The American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Por outro lado, além da OMS, outras entidades internacionais se posicionaram a favor da vacinação nestes grupos, especialmente em lactantes.

No documento, a SBP destaca o benefício da vacinação da gestante e/ou da lactante, que é propiciar a proteção destas mulheres contra a Covid-19, diminuindo, portanto, o risco teórico de transmitir a infecção aos filhos destas mães vacinadas. Além disso, o leite materno contém anticorpos (IgA secretória contra o SARS-CoV-2) que poderiam potencialmente proteger o bebê amamentado.

A SBP enfatiza, ainda, a recomendação da vacinação de mulheres que, na sua oportunidade de vacinação, estiverem amamentando, independentemente da idade de seu filho, sem necessidade de interrupção do aleitamento materno, ressaltando todos os benefícios de ambas as ações.

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