Coronavírus

Em Adamantina, movimento pede que mães lactantes sejam imunizadas contra a Covid-19

Imunização de mães que amamentam também protege o bebê.

Por: Acácio Rocha | Da Redação | acacio@sigamais.com atualizado: 21 de julho de 2021 | 11h57
Anticorpos gerados pela vacina contra covid podem passar para bebês pela amamentação, o que motiva o movimento (Reprodução/Unicef). Anticorpos gerados pela vacina contra covid podem passar para bebês pela amamentação, o que motiva o movimento (Reprodução/Unicef).

Um abaixo assinado protocolado na Prefeitura de Adamantina no dia 8 de julho pede que as mães lactantes sejam incluídas o quanto antes no programa de vacinação contra a Covid-19. A principal motivação ao pedido é que os anticorpos gerados pela vacina podem passar para os bebês pela amamentação, gerando, diretamente, dupla proteção.

Duas referências buscadas pelo SIGA MAIS abordam o tema, entre elas a Universidade de São Paulo (USP) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Ambas destacam os benefícios da vacinação em mães que amamentam (leia mais abaixo).

O abaixo assinado protocolado na Prefeitura de Adamantina foi estruturado em uma Carta Aberta. Veja íntegra do documento:

“O Brasil encontra-se em situação calamitosa quanto ao controle da Pandemia de Covid-19, sem previsão de melhoras e ainda muito distante da imunização desejada. Neste sentido, alguns grupos de pessoas que apresentam maiores riscos foram incluídos como prioritários na vacinação. Atualmente grávidas e puérperas podem se vacinar, porém, um importante grupo ainda não foi beneficiado que são as lactantes (mulheres que amamentam).

De acordo com o levantamento realizado pela organização global de saúde pública Vital Strategies, cerca de 1,6 mil bebês de até 1 ano morreram por Covid-19 no Brasil desde o início da pandemia. Como se sabe, crianças com menos de 12 anos ainda não serão contempladas com o imunizante, e a proteção mais eficaz seria a vacinação das mães, pois 1 vacina imunizaria dois (mães e bebês).

A justificativa médica para se vacinar as lactantes está estabelecida na literatura científica. São inúmeros os estudos que demonstram a transferência passiva da imunidade humoral da mãe para o bebê em diversas afecções virais, e a covid-19 não é uma exceção. Já foram detectados anticorpos contra o novo coronavírus no leite materno de lactantes vacinadas e daquelas convalescentes da doença. Ou seja, com a vacinação da mãe, obtemos também a proteção imunológica da criança ao mesmo tempo.

Neste sentido solicitamos a inclusão das lactantes na vacinação municipal, como já ocorre em várias outras cidades do Estado de São Paulo e Brasil. A título de informação, até o presente momento as lactantes das cidades de Araçatuba, Barbosa, Bertioga, Birigui, Carapicuíba, Cubatão, Itanhaém, Itapevi, Mauá, Mirassol, Mongaguá, Novo Horizonte, Osasco, Praia Grande, Ribeirão Pires, Santo André, Salto de Pirapora, São Bernardo do Campos e São Vicente estão sendo imunizadas”.

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Anticorpos gerados pela vacina contra covid podem passar para bebês pela amamentação

O SIGA MAIS buscou referência sobre a vacinação de lactantes. Uma delas, publicado no site Jornal da USP, da Universidade de São Paulo, em abril deste ano, aponta que ainda há muitas dúvidas sobre o impacto da Covid-19 na saúde das mães que acabaram de ter seus bebês e também dos recém-nascidos.

Porém, o conteúdo cita uma revisão sobre o tema feita por pesquisadoras do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP,  publicada no Physiological Reports, onde mostrou que a amamentação pode ajudar a prevenir a Covid-19 em bebês, além de proteger contra distúrbios gastrointestinais associados à doença.

De acordo com o Jornal da Universidade, a professora Patrícia Gama, pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, coordenou essa revisão ao longo do segundo semestre do ano passado. “As moléculas presentes no leite fazem com que o bebê possa ter um quadro reduzido de sintomas e de consequências, se for infectado. Ele ainda não tem um sistema imunológico formado e depende, justamente, do leite, para que a mãe forneça a ele todas essas moléculas. Por isso, a amamentação é uma ponte tão importante para se garantir o crescimento e o desenvolvimento adequado”, destaca.

(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil).

Há ainda um quadro de pesquisas mais recentes, segundo o Jornal da USP, focadas na situação das mães vacinadas. Como a professora explica, a vacina permite que os anticorpos, ao passarem por um processo chamado “soroconversão” no corpo das mães, passem ou não para o bebê. Ainda que muito recentes, Patrícia destaca que esses trabalhos “vêm sugerindo que, sim, esses anticorpos derivados da soroconversão da mãe, após a vacina, também passam para o bebê pelo leite”.

Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda vacinação contra a Covid-19 em lactantes

Outra referência consultada pelo SIGA MAIS foi o site da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Por meio dos Departamentos Científicos de Aleitamento, Imunizações e Infectologia, a instituição publicou em março deste ano o documento científico “Vacinação contra Covid-19 em lactantes”, onde recomenda a imunização desse público.

De acordo com a SBP, o material apresenta uma revisão sobre os dados disponíveis a respeito do tema. “A orientação segue o que preconiza a Organização Mundial da Saúde (OMS), que se posiciona claramente ao afirmar que, se a lactante é pertencente a um grupo no qual a vacinação é recomendada, ela deve ser oferecida”, afirma. Além disso, a SBP não aconselha a interrupção da amamentação após a vacinação.

O documento analisa, ainda, que as duas vacinas utilizadas até o momento no Brasil, Coronavac (Sinovac/Butantan) e AstraZeneca/Oxford/Bio-Manguinhos, são consideradas conceitualmente vacinas inativadas. O principal documento nacional, que define as ações vacinais do Sistema Único de Saúde (SUS), orienta a vacinação de gestantes e lactantes com precaução, caso a mulher e o seu médico prescritor decidam, de forma compartilhada, pela aplicação.

(Foto: Mehmet Turgut Kirkgoz no Pexels).

Outros documentos também foram publicados seguindo a mesma linha de orientação da nota do Ministério da Saúde, entre eles o da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO); um consenso das filiadas Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado do Rio de Janeiro (SGORJ) e Associação de Obstetrícia e Ginecologia de Santa Catarina (SOGISC); e o The American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Por outro lado, além da OMS, outras entidades internacionais se posicionaram a favor da vacinação nestes grupos, especialmente em lactantes.

No documento, a SBP destaca o benefício da vacinação da gestante e/ou da lactante, que é propiciar a proteção destas mulheres contra a Covid-19, diminuindo, portanto, o risco teórico de transmitir a infecção aos filhos destas mães vacinadas. Além disso, o leite materno contém anticorpos (IgA secretória contra o SARS-CoV-2) que poderiam potencialmente proteger o bebê amamentado.

A SBP enfatiza, ainda, a recomendação da vacinação de mulheres que, na sua oportunidade de vacinação, estiverem amamentando, independentemente da idade de seu filho, sem necessidade de interrupção do aleitamento materno, ressaltando todos os benefícios de ambas as ações.

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