Cidades

Empresa explica intenso odor que incomodou moradores; indústria amplia biofiltros e investimentos

Mau cheiro originado em indústria de processamento de resíduos animais incomodou moradores.

Por: Da Redação atualizado: 16 de maio de 2022 | 11h12
Parte da planta industrial da Patense em Adamantina (Foto: Siga Mais). Parte da planta industrial da Patense em Adamantina (Foto: Siga Mais).

O forte mau cheiro que incomodou os moradores de Adamantina a partir do começo da noite da última quarta-feira (11) gerou um grande volume de reclamações nas redes sociais. A origem apontada para o intenso odor seria a indústria de processamento de resíduos animais existente na cidade.

Ontem (12) o SIGA MAIS fez contato com os representantes da empresa Patense a na manhã desta sexta-feira (13) a reportagem foi recebida no local, por dois gerentes, das áreas industrial e administrativa. No encontro, os representantes explicaram sobre a situação pontual vivida nesta semana na cidade, reclamada pelos moradores, como também outros pontos da atividade empresarial na cidade e seus reflexos.

Segundo informaram ao SIGA MAIS, a situação de quarta-feira foi desencadeada como consequência de falha mecânica em um dos caminhões de coleta de resíduos animais que retornava do Paraná, com carga recolhida em frigoríficos do estado vizinho, para ser processada na indústria adamantinense.

Parte da planta industrial (Foto: Siga Mais).

No trajeto houve a falha mecânica, no Paraná – em local cerca de 500 km de Adamantina – e até que fosse promovido o socorro ao veículo e seu restabelecimento, a carga transportada no caminhão chegou à empresa adamantinense com atraso de seis horas. O horário habitual de recepção dessa linha é 9h da manhã, porém chegou às 15h.

Essa janela de seis horas em que carga ficou retida na carroceria do caminhão, combinada com as condições climáticas de calor, acelerou os processos de exalação de odores. Quando houve seu descarregamento e até o início do seu processamento, houve a exalação de intenso odor, em parâmetros atípicos para rotina da unidade industrial local.

R$ 2 milhões em biofiltros

Em Adamantina, a Patense opera sete dias por semana, sem parar, processando resíduos animais provenientes de abatedouros, como vísceras, ossos e sangue. A planta industrial funciona sem parar e a estrutura de processamento conta com robusto mecanismo para filtragem do ar, para reduzir a expedição de odores.

A empresa investiu cerca de R$ 2 milhões em equipamentos para diminuir os odores e está finalizando a instalação de um novo exaustor para ampliar a captação no galpão industrial, filtragem e dispersão. O moderno sistema de biofiltro tende a reduzir em grande escala os odores gerados no manuseio e processamento das matérias primas recebidas, porém não conseguirá neutralizá-los. 

Tamanho e crescimento

A operação da Patense, em Adamantina, processa cerca de 400 toneladas/dia de resíduos animais, coletados por mais de 40 caminhões em diferentes regiões. A captação de matérias primas ocorre em frigoríficos, o que garante destinação segura a esses materiais, aproveitamento comercial e proteção ao meio ambiente.

Esse volume de matéria bruta recebida mantém a planta industrial de Adamantina em operação sete dias por semana, em diferentes turnos, gerando atualmente 180 empregos diretos no local.

Com sede em Patos de Minas (MG), o grupo Patense deve realizar novos investimentos em Adamantina. Um deles, com a ampliação da unidade industrial, cuja operação pode gerar cerca de 70 novos empregos diretos. Outro investimento na cidade é a instalação de uma base da transportadora Triângulo, segmento que atua no transporte da produção o grupo, e pode gerar cerca de 50 novos empregos.

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O que se produz em Adamantina

A partir dos materiais coletados em frigoríficos, como vísceras, ossos e sangue de animais, são produzidos na Patense, em Adamantina, farinha de osso, farinha de sangue e sebo bovino.

Segundo informa o site da empresa, a farinha de sangue e a farinha de osso são utilizadas como ingredientes na fabricação de rações balanceadas de animais não ruminantes, sendo incluída em dietas de aves, suínos, peixes e rações pet.

Tanques verticais de armazenamento de sebo líquido (Foto: Siga Mais).

Já o sebo bovino é utilizado como ingrediente na fabricação de rações balanceadas de animais não ruminantes, sendo incluída em dietas de aves, suínos, peixes e rações pet, e utilizado também em indústrias químicas, higiene e limpeza, vernizes e lubrificantes, ácidos graxos e na produção de biodiesel, comprovado como alternativa econômica e ambientalmente viável.

Vias de circulação

A atual operação da empresa e sua expansão em Adamantina traz também, à discussão, as vias de circulação urbana dos veículos de carga com matéria prima bruta. É um ponto reclamado por moradores, porém não há outras vias de acesso alternativas, disponíveis, que comportem o caminhões pesados.

Uma das apostas da empresa seria pela pavimentação da Estrada 14, uma antiga demanda de infraestrutura da comunidade que também atenderia unidades públicas com a sede da APTA (Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio), ligada à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, a Escola Técnica Estadual (ETEC) Engenheiro Herval Bellusci (Colégio Agrícola) e produtores rurais.

A empresa afirmou que tem promovido tratativas com autoridades locais, que por sua vez têm buscado canais governamentais para tais investimentos. Porém, não há nada mais concreto que possa consolidar a pavimentação de uma via alternativa que tire o fluxo dos veículos de carga da empresa, e de outras, das ruas e avenidas da cidade.

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