Cidades

APTA realiza evento para discutir genética e tecnologia do amendoim em Adamantina

Encontro discutiu genética e tecnologia para o cultivo de amendoim na Nova Alta Paulista.

Por: Portal do Governo de SP atualizado: 28 de janeiro de 2020 | 11h37
Atividades a campo foram apresentadas ao público (Reprodução). Atividades a campo foram apresentadas ao público (Reprodução).

Na última quinta-feira (23), cerca de 150 produtores rurais, técnicos e estudantes participaram do Grande Encontro do Amendoim: Genética e Tecnologia para o Oeste Paulista, realizado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, por meio da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), em Adamantina, no interior de São Paulo.

O evento abordou o cultivo do amendoim na palha, manejo de pragas e doenças da cultura, além de apresentar as doze mais recentes cultivares do produto desenvolvidas pelo Instituto Agronômico (IAC), em parceria com as unidades regionais da APTA.

O Estado tem destaque como o maior produtor e exportador de amendoim do Brasil, sendo responsável por 90% de todo o produto no País. Segundo o pesquisador da agência Fernando Nakayama, o principal destino é o mercado externo, que comercializa o amendoim em grão e na forma de óleo.

“Nos últimos anos, tivemos um crescimento vertiginoso da produção, com aumento de 35% em 2018. O oeste do Estado tem sido um dos principais locais de crescimento, com destaque para o município de Tupã, com aumento de 23%. Daí a importância de um evento focado nesta região”, ressalta.

Cultivo

Uma característica interessante da produção na região é o cultivo do amendoim não apenas em áreas de renovação de pastagens e de cana, como ocorre em outras localidades. “Por termos mais terras ociosas, os produtores estão firmando contrato de arrendamento longo, com mais de cinco anos, para o cultivo do amendoim como cultura principal. Mais um motivo para compartilharmos informações, pois este produtor está se dedicando exclusivamente a cultura”, acrescenta o pesquisador.

O Instituto Agronômico (IAC), um dos seis institutos de pesquisa que compõem a APTA, detém 70% dos materiais genéticos plantados no País. “A APTA, por meio do IAC e suas unidades regionais, trabalha há muitos anos para o desenvolvimento da cadeia produtiva”, completa Fernando Nakayama.

Área de experimentos de variedades de amendoim para cultivares na Alta Paulista (Reprodução).

Leonardo Bonatto foi um dos produtores que participaram do evento. Com uma propriedade em Iacri, que produz cerca de 150 mil sacas de amendoim por ano, o agricultor disse ter aprovado a realização do evento da APTA na região.

“A APTA é uma instituição de pesquisa que está sempre à frente. Precisamos ter sempre coisas novas no campo, pois, a cada dia que passa, ocorre algo novo na agricultura”, destaca.

Renovação

O cultivo de amendoim na palha foi um dos assuntos discutidos no evento. Atualmente, 80% da produção de amendoim em São Paulo são feitos no período de renovação dos canaviais. Com a proibição da queima para a colheita da cana e a mecanização da atividade, os produtores precisam se adaptar à realidade de cultivar a oleaginosa sobre palhada, uma prática bastante comum entre os produtores da soja, mas pouco conhecida entre os de amendoim.

O pesquisador do IAC Denizart Bolonhezi explica que o instituto iniciou pesquisas na área em 1999, quando a proibição do uso do fogo e a utilização da colheita mecânica da cana era pouco discutida e não chegava a 10% da área colhida. Hoje, 100% dos canaviais paulistas são colhidos com máquinas, sistema que deixa a cada colheita pelo menos 15 toneladas de palhada sobre a superfície do solo.

Os resultados gerados nos últimos 20 anos, permitem recomendar a prática aos produtores. “Com base em todo esse nosso know-how de pesquisa, conseguimos orientar o produtor de amendoim com segurança. O plantio do grão na palha é uma realidade”, diz.

Apenas os custos com diesel nas operações de preparo do solo, para a retirada da palhada no canavial, aumentam em R$ 1 mil por hectare, os gastos com a implantação da lavoura. De acordo com a literatura internacional, para a produção de um quilo de grãos de amendoim são perdidos cinco quilos de terra por erosão.

“Esse índice pode chegar a 13 kg de terra por quilo de grãos produzidos nas condições brasileiras. Devido ao alto risco de erosão quando se adota preparo intensivo de solo na cultura do amendoim, em algumas regiões as usinas têm apresentado dificuldades aos produtores para estabelecer os contratos de arrendamento”, explica. (Continua após a publicidade...)

Publicidade

Clínica Savi
Tio Panda Adamantina
Supermercado Godoy

Publicidade

Dra Maria Gabriela Tiveron
Rede Sete Supermercado
Haddad
JVR Segurança
Daiane Mazarin Estética

Pesquisas

Denizart Bolonhezi ressalta que os produtores de amendoim são predominantemente arrendatários, e na eventualidade de não conseguirem terras para cultivar no Estado, onde está concentrado todo o parque de beneficiamento e industrialização da cadeia produtiva, precisam buscar terras em outras regiões, fato que aumenta os custos com transporte e impostos.

Os estudos do pesquisador mostram que o cultivo do amendoim na palha traz mais sustentabilidade a atividade – já que não há erosão do solo – e reduz os custos de produção, que compensa uma possível perda de 10% na produtividade da cultura em período de muita chuva.

“Nossos experimentos mostraram que em época de seca, o cultivo de plantio do amendoim na palha traz ganhos de produtividade. Nas épocas de chuva, há uma pequena redução. A queda dos custos operacionais, porém, compensa esta perda de produtividade”, diz.

Encontro teve atividade teórica no auditório da APTA (Foto: Cedida/PM)

As pesquisas do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, continuaram ininterruptas nos últimos 20 anos e permitiram testar outras opções de manejo conservacionista do solo, além da semeadura direta sobre palhada, a qual oferece ainda resistência de adoção pelos produtores. Nas últimas quatro safras, o IAC testou equipamento que realiza preparo reduzido em faixas de 30 centímetros.

Assim, o produtor consegue manter mais de 70% do solo coberto e não necessita trocar a semeadora. “Com esses resultados de pesquisa, conseguimos dar uma boa orientação aos agricultores. Provamos também, cientificamente, algumas práticas, trazendo segurança para os interessados em adotá-las”, pontua Denizart Bolonhezi.

Recursos

Os trabalhos científicos foram desenvolvidos com recursos aportados pela Fundação Agrisus e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “Juntos, os repasses não chegaram a R$ 50 mil. Apenas com a venda desse equipamento de cultivo mínimo, a empresa fabricante gerou mais de R$ 500 mil de Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para o Estado de São Paulo. Para cada real captado para pesquisa, houve um retorno de R$ 10 na arrecadação, somente com a venda do equipamento, sem contar os benefícios indiretos. É a prova que a pesquisa pública traz impactos diretos tanto para o produtor, quanto para o mercado e para a arrecadação estadual”, afirma Denizart Bolonhezi.

Durante o encontro, foram apresentados para os produtores os doze mais recentes lançamentos de cultivares desenvolvidas pelo IAC. Foram mostradas também quatro linhagens estudadas pelo instituto e que devem estar no mercado em breve.

Duas das cultivares são de lançamento recente. A IAC OL5, lançada em 2018, é do tipo runner (plantas rasteiras com vagens de duas sementes de pele clara), o mais procurado tanto no mercado interno como externo. Essa cultivar possui a característica “alto oleico”, ou seja, alto teor de ácidos oleico, que propicia maior vida de prateleira do produto. No aspecto agronômico, IAC OL5 mostra alto potencial produtivo, sendo ainda moderadamente resistente a doenças fúngicas foliares e a virose.

Outro material apresentado no evento foi o IAC Sempre Verde, primeira cultivar de amendoim adequada para o mercado de produtos orgânicos. Com grãos de pele vermelha e tamanho pequeno e médio, essa cultivar se destaca pela alta resistência a doenças foliares, possibilitando o cultivo sem o uso de fungicidas.

“A produtividade do IAC Sempre Verde pode atingir 5 mil quilos por hectare sem o uso de fungicida, resultado muito superior ao obtido por todos os amendoins de pele vermelha ou de pele clara existentes atualmente no mercado”, salienta Ignácio José de Godoy, pesquisador do IAC. O material foi lançado durante a feira Agrishow 2019. 

Segundo o pesquisador, o IAC Sempre Verde chega como alternativa aos produtores que pretendem aproveitar nichos de mercado, como o de produtos orgânicos in natura ou processados, como a pasta de amendoim, que está ganhando popularidade entre os consumidores brasileiros.

 

 

 

Publicidade

Clinica Lu Applim
Cinema

Publicidade

Insta do Siga Mais