Sociedade

A vida não é o Instagram

Ao invés de darmos um tempo, nos prendemos em vidas editadas e no filtro da felicidade alheia.

Débora Nazari | Cientista social, jornalista, escritora e adamantinense | nazaridebora@gmail.com Colunista
Débora Nazari | Cientista social, jornalista, escritora e adamantinense | nazaridebora@gmail.com
(Foto: Milan Popovic/Unsplash). (Foto: Milan Popovic/Unsplash).

Não acredite em influenciador digital e nem frases motivacionais, muito menos se vêm de quem tem barriga tanquinho e foto de perfil em Noronha. A vida não é o Instagram. Do que adianta você lutar e tentar caminhar todos os dias, mas quando chega no fim da batalha tem aquela sensação de não foi o suficiente. Será que eu me basto? Será que fiz a escolha certa? Por que não fui recompensado como queria? A vida, como diria a grande médica Elisabeth Kübler-Ross, “A vida é dura, a vida é luta”.

Muitas vezes estamos passando por uma prova de resistência, daquelas que até hoje só tínhamos visto em séries ou lido nas entranhas dos livros, até que um dia a encontramos, a fonte que perturba nossos sonhos, a julgadora que habita todos os espelhos, a protagonista mais presente nos perfis de redes sociais: a vaidade. Ah esse substantivo que corrói tanta gente por dentro, ressalta a qualidade do que é vão, uma falsa modéstia a futilidade que reina a barriga.

Como é que nós ainda estamos tão presos a esse mundo de vaidade? Para uma espécie que evolui constantemente é irônico pensar que tamanha mudança se dá ao simples deslizar o dedo por uma tela. No Facebook só existem pessoas felizes, no Twitter as mais inteligentes, no LinkedIn as mais bem sucedidas e no Instagram as mais bonitas e perfeitas desse século.

O overposting nas redes sociais está gerando um estado de esgotamento em muita gente, como pode em tempos de pandemia tanta vaidade numa conexão só? Você pode até estar vivendo a sua vida numa boa, está finalmente feliz no emprego, está se esforçando para educar os filhos, se planejando para conseguir ganhar melhor, ter mais tempo livre ou até mesmo juntar o seu dinheirinho para compra um celular novo. Porém, todo dia pipoca uma frase motivacional (que mais te desmotiva) ou aquela foto toda trabalhada no Face Tune com o biquini trançado no umbigo seguido de um coach de relacionamento dizendo que você deve sumir e não se importar com o outro. Pois é, tem muita gente caindo na cilada da vaidade digital.

Pode parecer estranho, mas se desconectar ou dar um tempo das redes sociais tem se tornado um aliado para muitas pessoas. Imagina quem sobre de ansiedade ou terminou um relacionamento, olha como as fotos de Noronha ou os vídeos trazendo a imagem do mundo perfeito e uma felicidade que jamais alcançarei pode ser uma avalanche de sentimentos e causar danos irreparáveis.

Nós esquecemos que nosso corpo é um templo, que essa estrutura envelhece todos os dias e ao invés de perdermos tempo vendo e ouvindo o influenciador que não nos conhece poderíamos fazer mais o exercício de refletir as pequenas coisas boas que nos fazem felizes todos os dias. Essa vida aqui, você só existirá da forma que é hoje uma vez, então aproveite para desconectar do Instagram e conectar com quem preenche o seu coração, mesmo que seja você sozinho. Dia desses o escritor João Anzanello Carrascoza compartilhou um pensamento que fala muito sobre o nosso breve momento de existir, deixo aqui para você se desligar, se acalmar e se inspirar:

“Vanprash é uma palavra hindu que significa “aquele que se volta para a floresta”. Quando a velhice se avizinha e o fim da jornada não está mais tão distante, é hora de começar a mirar a floresta, o lugar de onde viemos, o nosso útero primeiro”.

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