Opinião

Vive Adamantina uma pandemia?

Adamantina: realidade e desafios diante da pandemia do novo coronavírus.

Débora Nazari | Cientista social, jornalista, escritora e adamantinense. Colunista
Débora Nazari | Cientista social, jornalista, escritora e adamantinense.
(Imagem: Pixabay) (Imagem: Pixabay)

Há dois meses me recolhi na segurança do meu antigo lar da infância. Estar em Adamantina neste momento enquanto o mundo batalha contra a pandemia do coronavírus, tem sido meu refúgio de leituras, de tempo para família, de redefinição de carreira e sobretudo de lidar com a ansiedade.

Não estávamos psicologicamente preparados para o colapso que se instaura em nossa sociedade. Colapso esse que em pleno século XXI defende bandeiras de desigualdade social, autoritarismo, ignorância e eugenia. O mundo colapsou e ao invés de nos reorganizarmos como sociedade, buscamos resolução em políticas ultrapassadas que cada vez mais nos distanciam como pessoas.

Na mesma semana em que o Brasil chega a 1 milhão de casos e contabiliza mais de 50 mil mortes, Adamantina ainda patina na casa dos 40% em taxa de isolamento social segundo a Prefeitura. Some a isso o comércio aberto, com pais levando os filhos pequenos para passear no supermercado, as pessoas com máscaras no queixo numa prosa tranquila na praça central, aos churrascos e reuniões infinitos nas áreas nobres e periféricas da cidade joia do oeste paulista.

Você cidadão está aí na sua casa cumprindo protocolos e se priva de várias coisas que hoje são um passado distante. Só sai para ir ao mercado, à farmácia, ao trabalho e o que for essencial, como verificar se seus pais ou avós necessitam de alguma coisa. Em todos esses meses eu não sei se falta noção, de respeito, de solidariedade, de empatia, ou se essas pessoas que tanto saem e fazem festinhas é que estão certas e quem cumpre o isolamento é o errado da história. Me espanta ver a quantidade de pessoas que flanam nas ruas reivindicando uma medida de emergência que nos foi imposta. É tão difícil assim ficar em casa?

Em junho celebramos o aniversário da cidade e dia de Santo Antônio. Nosso padroeiro é protetor das coisas perdidas, dos casamentos e dos pobres. Ele é o Santo dos milagres, mas se falta aos adamantinenses se enxergarem na dor do outro diante desta pandemia, não haverá reza e nem milagre de Antônio que nos salve. Já nos aludia Guy Debord que "no mundo realmente invertido, o verdadeiro é um momento do falso". Por hora só nos resta viver o agora.

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