Opinião

Turismo regional: quando o conhecido se torna extraordinário

Projeto experimental leva grupo a realizar turismo em cidades da Nova Alta Paulista.

Izabel Castanha Gil Colunista
Izabel Castanha Gil
Turismo regional: quando o conhecido se torna extraordinário

Relações afetivas e de trabalho costumam fortalecer a sensação de pertencimento ao lugar. A vivência e a convivência fazem com que tudo nos pareça familiar, até mesmo lugares e acontecimentos não tão presentes no cotidiano. A longa permanência como morador faz com que uma notícia que chega, um amigo que reside na cidade vizinha, uma passagem rápida durante os pequenos deslocamentos constitua os elementos que embasam a nossa percepção do lugar e de suas cercanias. Afinal, somos parte dessa história.

Embora nos pareça tão familiar, grande parte dessa percepção povoa o nosso imaginário e pode revelar grandes surpresas quando saímos dos itinerários que normalmente percorremos. Basta adentrar uma estrada vicinal para que as novidades apareçam: um córrego, uma ponte, uma propriedade rural bem cuidada, uma plantação pouco convencional, uma agroindústria, uma associação agrícola, uma bica d´água, uma cachoeira, um pequeno núcleo comercial rural. Na cidade, um novo restaurante, um novo bairro residencial, um clube recreativo, uma antiga máquina de café revitalizada, uma avenida remodelada, e tantas outras manifestações arquitetônicas, produtivas, esportivas e culturais que desconhecíamos ou que há muito tempo não revisitávamos.

Essas preciosidades existem e estão dispersas. Um olhar empreendedor pode conectar empreendimentos existentes, recursos naturais e pessoas ressignificando experiências por meio do turismo regional de recepção. Novas vivências e novas oportunidades.

Esse é o propósito da João de Barro Turismo Regional, em fase experimental pelas professoras Maria Emília Furtado Forte de Luccas e Edite Barbosa. O Projeto surgiu durante a realização do curso Escola de Inovadores proporcionada pela Agência Inova Paula Souza e realizada por meio de parceria entre a ETEC Prof. Eudécio Luiz Vicente e a FATEC Adamantina. 

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 Sábado, dia 8/12, o primeiro grupo formado por quarenta pessoas de Adamantina, Lucélia, Flórida Paulista, Osvaldo Cruz e Rinópolis fez um roteiro muito original incluindo Adamantina, Pacaembu, Junqueirópolis e Pauliceia. O primeiro tour procurou resgatar as raízes agrárias regionais. O café da manhã foi servido na Associação Passiflora dos Produtores Rurais de Adamantina e Região (APPRAR), com a presença de membros da diretoria e de um vereador da cidade. Uma mesa farta mostrou o que temos de melhor: suco de frutas naturais, queijo fresco, iogurte, pão caseiro com manteiga, leite local e café regional, frutas tropicais, bolo de fubá e de cenoura. Em Pacaembu visitamos uma propriedade rural produtora de café arábica e a torrefação do Aroma Paulista Café, na sede da Associação dos Produtores Rurais de Pacaembu (APRUP), onde membros da diretoria nos relatou as lutas e conquistas da mesma e nos serviram um café fresquinho. Em Junqueirópolis a diretoria da associação agrícola nos aguardava com um almoço dos tempos da roça: polenta com frango ao molho de tomate e acerola, arroz branco, carne de porco caipira frito, abobrinha refogada e salada verde. À moda da casa, nos foi servido suco de aceruva. Sobremesa? Doces de mamão e de abóbora cristalizados. E, para dar um toque especial, três violeiros do Clube da Viola interpretaram clássicos da música caipira. O fim do roteiro foi igualmente aconchegante: visita à Associação de Artesãos Mãos Talentosas, petiscos na tradicional feira livre local e um passeio de lancha no rio Paraná conduzido pelo prefeito municipal e pelo diretor municipal de Turismo. Um dia inesquecível para professores, estudantes e membros da comunidade que compuseram o grupo.

 O turismo regional constitui-se numa iniciativa que conecta pessoas, revive memórias e tradições, promove a região, e aquece a economia local. A potencialidade do turismo de recepção e a sua importância na economia local e regional podem ser demonstradas nas compras realizadas pelos visitantes, sem considerar o consumo do café da manhã, do almoço e da feira livre. Foram adquiridos trinta e um quilos de polpas de frutas, quinze pacotes de café, dezesseis pães caseiros, doze geleias, dez licores, três conservas de pimenta, vinte pacotes de biscoitos e sete jogos de panos de prato.

Outros roteiros trarão novas experiências, revelando a Nova Alta Paulista a seus próprios moradores e mostrando ao mundo a nossa identidade geográfica, socioeconômica e cultural.

(*) Prof.ª dr.ª Izabel Castanha Gil. Agente de Inovação. Professora da ETEC Prof. Eudécio L. Vicente e da UniFAI. Adamantina (SP).

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