Opinião

Me engana que eu gosto: quantidade nas embalagens diminui e consumidor paga o mesmo preço, levando menos

A prática é legal, desde que haja informação clara na embalagem. Mesmo assim, você já se sentiu lesado?

Acácio Rocha | acacio.rpg@gmail.com Colunista
Acácio Rocha | acacio.rpg@gmail.com
(Imagem: Andrea Piacquadio/Pexels). (Imagem: Andrea Piacquadio/Pexels).

A crescente alta no custo médio da cesta básica diminuiu o poder de compra do consumidor. Com o mesmo valor na carteira, no supermercado, o brasileiro leva menos do que se comprava a pouco tempo atrás.

Tudo está mais caro, e são muitas as explicações para isso. O preço final ao consumidor, na gôndola do supermercado, é calculado considerando os custos assumidos em todas as etapas da cadeia produtiva, sempre à mercê de fatores econômicos internos e externos. Entre eles, duas situações bastante presentes no dia a dia do brasileiro: o preço do dólar e dos insumos produtivos e de logística, como energia elétrica e combustíveis.

Se não bastasse tudo isso, o brasileiro tem vivenciado outras surpresas, muitas delas até imperceptíveis. E isso é de propósito: a indústria diminuiu a quantidade nas embalagens e o consumidor compra pensando que está pagando o mesmo preço por uma quantidade que sempre comprou. E na verdade, paga o valor habitual – ou mais caro – e leva menos para casa.

Essa estratégia está na indústria de alimentos, higiene e limpeza, por exemplo. Os setores reduziram a quantidade nas embalagens. Estas, por sua vez, informam corretamente a nova quantidade, a menor, mas o hábito de automaticamente pegar da prateleira e colocar no carrinho de compras, observando apenas o preço, trai o próprio consumidor.

Um olhar atento às embalagens no armário ou na geladeira de podem revelar isso, e criar a frustrante sensação de que foi enganado.  O “litro” do óleo de cozinha, agora, é 900 ml. O copo de requeijão cremoso também é menor. A caixa de sabão em pó foi diminuída para 800 gramas e há rolos de papel higiênico que perderam 10 metros, caindo de 40 para 30 metros. As mudanças, para menos quantidade, também estão nas caixas de bombom, chocolates em barra, biscoitos e outros produtos. Esses são apenas alguns exemplos.

Essa prática foi batizada de reduflação. Segundo a literatura econômica atualizada, a dinâmica das indústrias consiste na redução do conteúdo do produto nas embalagens, sem que o valor do item acompanhe a alta da inflação. Isso faz com que o consumidor tenha a falsa sensação de que o artigo não sofreu ajustes no preço, ou até mesmo, que esteja mais barato.

A conduta das indústrias pode parecer alguma ilegalidade – o que não é – e o consumidor se sentir trapaceado e traído, por comprar determinado produtos de sua marca preferida e naquela disposição de embalagem que habitualmente leva para casa. Não há ilegalidade e existe recente atualização normativa para esse tema.

No final setembro o Ministério da Justiça editou a Portaria nº 392/2020, que trata da obrigatoriedade da informação ao consumidor em relação à ocorrência de alteração quantitativa de produto embalado posto à venda. O prazo era de três meses, e passou para seis.

Segundo ressalta o Ministério da Justiça, com o passar dos anos e com a vulnerabilidade informacional, os consumidores se habituam com os padrões de quantidades e as alterações podem ser imperceptíveis, induzindo ao erro na decisão de compra.

A intenção do órgão ministerial é assegurar que haja informação clara, nas embalagens, por um período de seis meses, descrevendo as mudanças na quantidade do produto colocada à venda. Essas informações devem ficar na parte da frente da embalagem, com letras legíveis e grandes, em negrito e em cor contrastante com o fundo do rótulo. Os fabricantes têm 180 dias para se adequarem a essa nova regra.

Assim, considerando existir legislação suficiente para disciplinar esse tema e garantir clareza na informação transmitida ao consumidor, cabe a este o olhar atento nas embalagens, para a melhor segurança na tomada de decisões na hora da compra. Tão ruim e difícil conviver com a alta de preços, é sentir-se lesado. Compre com atenção e consciência a todas essas novidades, sabendo que vai pagar o mesmo preço, ou mais, e levar menos.

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