Opinião

Autorretrato: o cidadão, o político e a cidade

Adamantina como cenário de oportunidades, oportunismo e aprendizados.

Acácio Rocha Colunista
Acácio Rocha
Autorretrato: o cidadão, o político e a cidade

O cotidiano nos é apresentado com inúmeros desafios, e preciso lidar com eles como cidadão, comunicador e agente político. Diariamente, são três perspectivas de observação e absorção das demandas, enfrentamentos e diálogo. E em todas elas, a necessidade de posicionamentos.

Tenho muita disposição para escutar. Sou observador nato. E em tudo, extraio conhecimento, informação e aprendizado. Aplico isso com facilidade e acumulo importantes experiência com essa dinâmica.

Nesse exercício, observo pessoas que celebram cada conquista, seja no campo do poder público, na área privada ou naquilo mais pessoal. Se foi possível avançar em serviços de saúde, infraestrutura, melhorias, moradias, há que se comemorar sim. Se a empresa cumpriu as metas, abriu uma nova unidade, contratou mais pessoas, modernizo sua loja, é preciso celebrar também. Se alguém foi promovido a um novo cargo, ganhou um presente no sorteio pelas redes sociais, vive a chegada de um novo filho, também precisa celebrar.

Eu celebro as pessoas que celebram, e com as pessoas que celebram.

Em conjunto, no relacionamento diário com esses temas e seus avanços, cabe o imprescindível exercício da autocritica, da ponderação, da racionalidade, e a necessidade de fazer mais. Somos capazes, como cidadãos e políticos, de reconhecer os avanços – bem como as deficiências – e dar uma maior contribuição a esse universo, para a construção do possível novo amanhã.

Assim, toda conquista, mínima ou grandiosa, não deve cegar, nem fazer acomodar, nem permitir que nos deixem por satisfeitos. Aliás, deve inspirar para a superação, para busca por mais, e por tudo que repercuta em um cenário positivo e de novas oportunidades.

Em paralelo, a conquista também deve motivar o exercício da fiscalização, pelo político e pelo cidadão, seja pelo correto emprego da máquina pública e suas verbas, no combate à corrupção institucionalizada e às pequenas corrupções.

No enfrentamento às grandes corrupções, o cidadão vive hoje em um ambiente que oferece informações em tempo real, acesso a dados, processos, contabilidade pública, entre outros instrumentos, e pleno espaço para apresentação de demandas junto a órgãos como ministério público, tribunal de contas e o poder legislativo.

Tão igual é o enfrentamento no ambiente da pequena corrupção, como transgredir e não pagar a zona azul, burlar a fila do banco e da lotérica, fraudar informações para conquistar uma casa popular, enfim, condutas que revelam um oportunismo nefasto, onde o agente da pequena corrupção quer tirar proveito para si e para os seus. Assim, reproduz aquilo que reprova. Ou se torna, por conveniência, imagem e semelhança daquilo que publicamente nega, mas deseja para si, no seu íntimo universo de vantagens e oportunidades.

O que se vê, pelas redes sociais e nos meios de comunicação, sinaliza a possibilidade de uma nova percepção e vivência social e cidadã, mas ainda há um longo caminho de aprendizado, pautado pelas escolhas e consequências. E isso se aplica ao ambiente político/eleitoral. Escolhas podem ter consequências positivas ou negativas, seja para um lado, ao outro, ou para todos os lados.

É nesse ambiente, de novas oportunidades e múltiplos instrumentos, de aplicação e vivência decorrentes das escolhas majoritárias, que nos encontramos. E cada um, homem público ou o cidadão, vai experimentar as consequências das decisões. Estas, afetam a todos, independente da ideologia ou do calibre da arma. E como já dito, podem ser boas, ou não.

Nesse exercício, de observador, e agora acumulando dois anos como vereador na Câmara Municipal de Adamantina, posso fazer uma colocação com bastante tranquilidade, equilíbrio e bom senso: a cidade de hoje, em janeiro de 2019, é melhor do que a recebida em janeiro de 2017. Nessa linha do tempo, estamos no meio, entre o já feito e o que temos por fazer. E há oportunidade e a necessidade de fazer mais.

Há um longo caminho ainda a ser percorrido. Nele, a experiência acumulada compõe a bagagem, e é combustível para essa jornada, que continua. No mapa das necessidades, estão as questões de zeladoria, que permitem a vivência cotidiana em um ambiente minimamente possível, pactuado por direitos e deveres, atribuídos a cidadãos e governos, e as ações estratégicas, pensadas para o futuro, com efeitos estratificados a curto, médio e longo prazos.

No balanço disso tudo, o olhar para trás permite identificar avanços: em infraestrutura urbana, e saúde, na educação básica e na geração de empregos. É possível identificar e reconhecer isso, e faço a partir do cenário e das informações.

Em paralelo, e sem a cegueira da vaidade, da soberba ou da arrogância, o olhar para trás permite também observar que em muitas áreas ainda há deficiência de políticas públicas, com mínimos avanços ou sua ausência, como no campo da agricultura familiar, da valorização do servidor público, e da qualidade e efetividade do serviço público como um todo, em todas as frentes operacionais. Houve também reflexos negativos à autarquia de ensino superior UniFAI, por conta de ingerências que se instalaram em um ambiente com ausência de gestão. Nesse universo, houve aprendizado, correção de caminhos e realinhamentos importantes.

Esse é o cenário: de celebração, de estar junto, de cobrar e também ser exemplo, de contribuição e construção. O vivido e a experiência acumulada com erros e acertos – regra que vale para todas as pessoas – permitem querer mais, fazer mais, e melhor.

Nessa busca, cada um se torna agente transformador. É imprescindível um pé na realidade e outro nas oportunidades, e todo o corpo físico e intelectual também orientado pelos mesmos princípios e para a mesma diretriz.

Cada um é capaz de promover o bem ou o caos. O amanhã é consequência do que construímos hoje. Em um universo de causas e consequências, minha escolha é para que tudo dê certo, e desejo ter ao meu lado pessoas nessa mesma sintonia, somando esforços e energia para a vigilância permanente e a construção de oportunidades mais felizes para todos.

Acácio Rocha é jornalista, diretor de conteúdo do Portal Siga Mais. É vereador em Adamantina (SP).

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