Memória

Uma menina já foi raptada em Adamantina

Um breve relato sobre rapto de uma menor em Adamantina (SP) na década de 1960.

Tiago Rafael Colunista
Tiago Rafael
Sacada da Rádio Brasil, quando o sargento Parra exibia a menor que foi raptada (Reprodução/Jubileu de Ouro Adamantina/Cândido Jorge de Lima). Sacada da Rádio Brasil, quando o sargento Parra exibia a menor que foi raptada (Reprodução/Jubileu de Ouro Adamantina/Cândido Jorge de Lima).

“A união do rebanho obriga o leão a deitar-se com fome.”

Provérbio africano

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Nos últimos dias as redes sociais foram bombardeadas com a notícia do desaparecimento de uma jovem na terrinha. Pois bem, a menina foi encontrada e os pormenores do sumiço estão sendo apurados pelas autoridades locais. Tudo isso me lembrou um fato semelhante, há muito já ocorrido aqui na terrinha.

Segundo relata o Prof. Cândido Jorge de Lima, em 28 de janeiro de 1964, uma menina de 10 anos foi raptada, enquanto levava o almoço para o seu pai, um dos funcionários da extinta Brasex. Um indivíduo fazendo se passar por amigo de uma tia da vítima, a enganou dizendo que a mesma o havia pedido para buscá-la. De posse da vítima, o tal homem se escondeu nas matas locais.

Milharal onde o criminoos fez a cama com capim e suas roupas, e pernoitiu com a vítima (Reprodução/Jubileu de Ouro Adamantina/Cândido Jorge de Lima).

O pai da vítima ao ter conhecimento do desaparecimento da filha, logo tratou de procurar a polícia e comunicar o fato. Da mesma forma, procurou o radialista Fauser Santos, gerente da Rádio Brasil na época, e solicitou para que a população o auxiliasse nas buscas à filha.

Os adamantinenses “se uniram e saíram à campo”, vasculhando possíveis esconderijos e matagais onde os dois poderiam estar. No entanto, a menor e o criminoso só foram encontrados no dia seguinte, no município de Lucélia. A prisão do indivíduo fora realizada pelos Srs. Ídalo Faccioli e Antônio Mangussi, quando realizavam a coleta do leite e se dirigiam pela estrada Lucélia-Valparaíso.

Sargento Parra (esquerda) e delegado Milton Gonzales (direita) e ao centro o criminso ladeado por dois pliciais miliates, por ocasião da reconsittuição não oficial do crime (Reprodução/Jubileu de Ouro Adamantina/Cândido Jorge de Lima).

O indivíduo de nome, Sebastião Antônio de Oliveira, já havia sido condenado anteriormente pelo crime de estupro contra uma menor de 8 anos. E segundo constava, havia sido internado no Manicômio Judiciário do Estado por 2 anos. Possuía uma companheira de nome Rosinha, que durante muito tempo permaneceu no Lar São Vicente de Paulo (Asilo local). Como medida de segurança, Sebastião foi novamente internado no Manicômio Judiciário do Estado, desta vez por 3 anos.

Fauser Antônio dos Santos, então gerente da emissora Rádio Brasil (Reprodução/Jubileu de Ouro Adamantina/Cândido Jorge de Lima).

Quanto à menina, esta nada sofreu nas mãos do criminoso, o que fora atestado em seu exame de corpo de delito. Nas imagens da época, pode se ver a enorme multidão anciosa por ver a menor sã e salva. Bem como, as imagens da reconstituição do crime com o criminoso.

Enfim, seja neste ou naquele desaparecimento tudo acabou bem, mas nem sempre é assim! Desta forma, fica o alerta e a informação de situações que já aconteceram, acontecem e poderão acontecer novamente.

Tiago Rafael dos Santos Alves é historiador. Acesse aqui seu perfil. 

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