Memória

Um pouco da história do rádio em Adamantina

Um breve relato sobre o surgimento da Rádio Brasil em Adamantina.

Tiago Rafael Colunista
Tiago Rafael
Porgrama da Rádio Brasil, em 11 de abril de 1958, com Rui Camarinha de Souza, Fauzer Santos (microfone), Nico Romanini, Olavo Mendonça de Faria e Wilson Matta (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues). Porgrama da Rádio Brasil, em 11 de abril de 1958, com Rui Camarinha de Souza, Fauzer Santos (microfone), Nico Romanini, Olavo Mendonça de Faria e Wilson Matta (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues).

“Meu nome é rádio, minha mãe é dona Ciência, meu pai é Marconi. Sou descendente longínquo do telégrafo, sou o pai da televisão. Fisicamente sou um ser eletrônico. Meu cérebro foi formado por válvulas, minhas artérias são fios por onde corre o sangue das palavras. Meus pulmões são tão fortes que consigo falar com pessoas dos mais distantes pontos deste pequeno planeta chamado Terra. [...] Eu falo aos religiosos, aos ateus, às freiras, às prostitutas, aos atletas, aos torcedores, aos presos, aos carcereiros, banqueiros, devedores. Falo aos estudantes e professores... Seja você quem for, eu chego lá, onde quer que você esteja! Ao meu espírito resolveram chamar "ondas". Eu caminho invisível pelo espaço para oferecer ao povo a palavra, a palavra nossa de cada dia [...]”

Meu nome é Rádio - Hélio Ribeiro

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No último dia 25, juntamente com alguns alunos, participamos da exposição e homenagem aos amigos radialistas daqui e dali, promovida pela Secretaria de Cultura e Turismo e Biblioteca Municipal local.  Em meio a lembranças e “causos”, inúmeros foram os nomes lembrados, os locais, as músicas, as propagandas, os jingles, os programas e os empecilhos de outrora. Não há dúvidas de que estes e aqueles fizeram e continuam a fazer história nos diversos lugares onde suas vozes alcançam.

Sede da Rádio Brasil. Na sacada, Jonas Bonassa e José Mário Toffoli (Reprodução: Livro Jubileu de Ouro de Adamantina/Cândido Jorge de Lima).

Rei Momo com as chaves da cidade (Armando Turci), a Rainah do Carnaval (Aparecida Brighenti), prefeito municipal Antônio Cescon e o radialista Newton Barreto (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues).

José Mário Toffoli, Walter Paulo Sabella (Rádio Brasil), Tino Romanini e o prefeito Élio Micheloni, em 1972 (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues).

No entanto, isso me levou pesquisar como o rádio chegou por aqui. Na década de 1940, a comunicação radiofônica ainda não havia chegado por aqui, nem telefone, nem mesmo energia elétrica. Mas, como tudo começou? Alguns moradores eram radioamadores, como os Srs. Francisco Nogueira de Oliveira, Newton Gonçalves Barreto, Hermes Regiani e Pedro Kamakura.

Além disso, em um prédio, de número 487, da Avenida Capitão José Antonio de Oliveira, havia um estúdio com amplificadores e caixas de som, onde propagandas, notícias, missas, bailes e músicas eram retransmitidas. Os alto-falantes eram afixados nas esquinas das Ruas Deputado Salles Filho e General Isidoro com a Avenida Capitão José Antonio de Oliveira. Seus proprietários foram os Srs. Mário Sanchez Teles e Divino Clemêncio da Silva.

Nelson Gonçalves, na década de 50, no prédio da Rádio Brasil de Adamantina. À direita, Wilson Matta (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues).

Altar da Pátria, na Semana da Pátria, em 1975, com a presença de Jonas Bonassa (de óculos), pela Rádio Brasil  (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues).

Campanha política para eleição de Cônego João Baptista de Aquino, em 1957, com  a presença do radialista José Mário Toffoli, à direita  (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues).

Já o rádio como conhecemos, só chegaria a terrinha em fins de 1948, mais precisamente em 18 de dezembro, em caráter experimental, sendo devidamente instalada em 30 de setembro de 1949. Assim surge a Rádio Brasil.

Segundo o professor Cândido: “A Rádio Brasil S/A tinha como diretores o Deputado José Correia Pedroso Júnior, Abel Pedroso e Synésio Pedroso.” Também conhecidos como “Irmãos Pedroso. Destaque-se que nessa época o Sr. Newton Gonçalves Barreto, atuara como Agente em meio a sua instalação. Operando a época sob o Prefixo ZYT-2 em 1.510 Khz, a Rádio Brasil contou com inúmeros profissionais em todos os seus seguimentos.

Em fins da década de 1970, a família Pedroso acaba vendendo grande parte de suas filiais aos seus funcionários. Por aqui, a Rádio Brasil foi comprada pelos radialistas Fauser Santos, Jonas Bonassa e José Mário Toffoli. Posteriormente, o Sr. Fauser Santos se desliga da empresa e se muda para o estado do Mato Grosso. Em 1994, o Sr. Jonas Bonassa assume integralmente o controle da Rádio Brasil, criando o Grupo Joia de Comunicação, composto pelas rádios Brasil AM, Jóia AM, 93 FM (em Adamantina) e NOVA 102 FM (na cidade de Garça). Daí em diante, a história já é conhecida por todos nós e permeia os nossos lares e rádios todos os dias.

Campanha para governador do candidato Carvalho Pinto, em 1958. No palanque, o radialista Newton Barreto (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues).

Assinatura de empréstimo junto à Caixa Econômica Federal, em 1962, na gestão do prefeito Élio Micheloni, com a presenta do repórter Armindo Silva (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues).

Wilson Matta entrevistabdo Laudo Naterl, no Cine Santo Antônio, em 1963 (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues).

É claro que, existem e existiram outras emissoras na terrinha. Mas, por aqui coube a lembrança e a informação de como tudo começou um dia na terrinha. A estes profissionais que, militaram e ainda militam em meio a comunicação radiofônica, o nosso Muito Obrigado! Afinal, vocês são o Rádio!

Tiago Rafael dos Santos Alves

Professor, Historiador e Gestor Ambiental

Membro Correspondente da ACL

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