Memória

Taxas para quem possuía televisão? Já tentaram implantar isso por aqui?

Um breve relato sobre a chegada dos primeiros aparelhos televisores à terrinha.

Tiago Rafael Colunista
Tiago Rafael
Aparelho televisor da marca National (Reprodução). Aparelho televisor da marca National (Reprodução).

“Se todos quisessem a paz ao invés de um aparelho de tv, todos teriam a paz.”

John Lennon

* * *

Tempos atrás já escrevi por aqui ou ali sobre como a tecnologia tem avançado em relação às diversas mídias. No entanto, dias atrás em conversa com alguns colegas de trabalho estávamos conversando sobre como as transmissões em nossas TV’s estão ocorrendo atualmente.

A um clique você pode assistir a qualquer filme, série ou música que desejar, pode espelhar vídeos e fotos do seu celular e se quiser ainda pode utilizar os mais diversos aplicativos que uma “Smart TV” pode lhe proporcionar. Ah, e se não tiver uma dessas, existem kit’s que podem transformar a sua simples TV em uma.

Película de acetado para “dar cor” à imagem preta e branca da TV  (Reprodução).

Nesse sentido, cabem algumas lembranças e recordações de uma época não tão distante, a dos televisores de tubo. Me recordo que, em minha casa possuíamos um desses da marca “National” com as laterais em madeira e com aquele aparelhinho conversos de UHF e VHF em cima. Como se não bastasse, a dita cuja ainda era do modelo “Preto e Branco” (ah... e colocávamos uma película colorida em sua frente para “tentar” assistir uma programação “colorida”, ou talvez um “bombril” na antena!). Se você nasceu na década de 1980 ou antes, provavelmente se lembrará de tudo isso.

Conversor de UHF, novidade nos anos 90 (Reprodução).

É claro que, evoluímos e raras são as casas em que encontramos algumas destas peças hoje. Muitas acabaram compondo acervos de museus e arquivos históricos, como as que existem na Biblioteca Pública Municipal. Mas, como chegaram os primeiros sinais de TV à terrinha?

Como se sabe, televisão no Brasil fora inaugurada em 1950, no entanto somente em 1962 esta chegou por aqui. Sobre isso relata o Prof. Cândido Jorge de Lima: “A casa de comércio de aparelhos eletrônicos ‘Joia do Lar’ anunciava a venda de televisores, e comunicava que capitava sinais de ondas de Londrina com visibilidade de 85%.” (1999, p. 76)

Ou seja, ainda não possuíamos repetidores instalados na cidade, os sinais captados aqui, eram do Paraná, e detalhe com uma visibilidade muito ruim. Cabe ressaltar que, 85% de visibilidade já era “alguma coisa”, tendo em vista que nada tínhamos. Nesse sentido, algumas providências envolvendo o Poder Público, Associações locais e alguns moradores, foram tomadas.

Em 13 de outubro de 1962 foi inaugurada a primeira torre. Quatro anos mais tarde, em 1966, foi constituído o Clube dos Amigos da Televisão de Adamantina, e tinha como diretores Newton Molina de Oliveira Bueno, Euclydes Romanini e Carlos Roberto Brighenti. Sendo no ano seguinte, em 17 de outubro, instalados os repetidores.

Para manutenção da torre, ora instalada, o Prefeito Gumercindo Romanini, foi autorizado a doar a quantia de NCr$ 250,00. Além disso, para manutenção e ampliação dos sinais, a Câmara instituiu por meio da Resolução de nº 32/67, uma taxa única de NCr$ 50,00 e mais NCr$ 10,00 anuais para cada televisor da cidade, denominada de SERMANTEVE.

Parte do atual sistema de torres da Prefeitura de Adamantina, no Jardim Bela Vista (Foto: Siga Mais).

Ainda segundo o Prof. Cândido, da mesma forma, também fora proposto a criação de uma taxa mensal para todos os possuídores de TV, que seria cobrada junto ao consumo de água, mas (felizmente ou infelizmente) não fora aprovada. (Ainda bem! Vai que a moda pega!) (Idem)

Na administração do Prefeito Sérgio Gabriel Seixas, houve a desapropriação de terrenos para a instalação de retransmissores da Rede Globo. Daí pra frente a história já é conhecida, vieram os diversos canais que conhecemos, o televisor com UHF embutido, as telas de 40 polegadas, as telas planas, telas finas, de plasma, de LED ou LCD, a era digital, os canais por streaming, etc.

À direita da foto, torres da Prefeitura de Adamantina, no Jardim Bela Visa (Foto: Drone Adamantina). 

Enfim, seja aqui ou ali, a televisão ainda é um dos maiores veículos de comunicação de massa, pois está presente em quase todos os lares brasileiros. A nós da história, (com cobrança ou sem cobrança de taxa) cabe ao menos tentar entender como tudo isso um dia veio parar por aqui.

Tiago Rafael dos Santos Alves

Professor, Historiador e Gestor Ambiental

Membro Correspondente da ACL e AMLJF

tiagorsalves@gmail.com

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