Memória

Repensando e (re)organizando trechos sobre a História de Adamantina

Uma nova releitura acerca da História de Adamantina através de novas fontes.

Tiago Rafael Colunista
Tiago Rafael
Vendas de terras na chamada Zona da Mata, em 1939, futura Adamntina. Compradores de Novo Horizonte (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues). Vendas de terras na chamada Zona da Mata, em 1939, futura Adamntina. Compradores de Novo Horizonte (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues).

“O historiador e o poeta não se distinguem um do outro pelo fato de o primeiro escrever em prosa e o segundo em verso. Diferem entre si, porque um escreveu o que aconteceu e o outro o que poderia ter acontecido.”

Aristóteles

* * *

Em meio ao atuais tempos obscuros coronavirais, creio que assim como muitos da terrinha, me encontro em uma nova organização de trabalho, um tal de “Home Office” (ou teletrabalho, como queiram). Não que seja o que eu gostaria de fazer, mas é o que “devemos fazer” diante do que estamos vivendo. Mas, vamos ao que interessa!

Como já mencionado em meu último relato, acabei me deparando com alguns textos de minha época da graduação em história. E alguns anexos e fontes me chamaram a atenção. Localizei em meio à Dissertação do Prof. Dr. Rubens, cartazes alusivos à venda de terras no transcorrer do ramal dos futuros trilhos da linha férrea (e claro, que chegariam por aqui).

Recibo de venda realizada pelo Sr Antônio Goulart Marmo em 1938 (Reprodução: Rubens Galdino da Silva).

Cartaz da Caic  (Reprodução: Rubens Galdino da Silva).

Cartaz de venda de terras  (Reprodução: Rubens Galdino da Silva).

A CAIC (Companhia de Agricultura, Imigração e Colonização), atuava como uma empresa auxiliar da Companhia Paulista de Estradas de Ferrro (CPEF). A ideia era inicialmente colonizar toda a área e posteriormente, fazer por ali passar os ramais da estrada de ferro, ou mesmo o seu ponto final. O que geraria uma certa polarização econômica para o núcleo então organizado.

Inauguração da Companhia Pauilsta de Estradas de Ferro, tornaod Adamantina ponta dos trilhos da companhia. Foto de 209 de abril de 1950 (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues).

Na terrinha, percebe-se que isso de fato ocorreu e até mesmo contrariando, uma rival à epoca, Lucélia. E isso já relatei por aqui em outrora. Mas, é nesse ponto que cabe uma breve pergunta: Como atingimos tudo isso? Ou melhor, quem conseguira tudo isso naquele momento?

Creio que a resposta é pode ser melhor explicada com um breve trecho do estudo do Prof. Rubens, acerca da primeira eleição municipal da terrinha:

“De uma lado, apresentou-se como candidato Antônio Goulart Marmo (PSP), ao Executivo Municipal, por indicação e apoio dos diretores da CAIC, CICMA e CPEF, pois este era funcionário de inteira confiança de seus dretores. Tratava-se de garantir, pelo domínio do poder público local, a continuidade das metas a serem alcançadas. Em outras palavras, as vendas de todas as propriedades urbanas e rurais, e seu povoamento, assim como o seu desenvolvimento econômico, atendendo, deste modo, aos investimentos ferroviários na região. (1989, p. 129) (Grifo nosso)

Pelo trecho em questão, percebe-se que desde o início o plano inicial das supracitadas Companhias era fazer com que tais núcleos recém-criados se alavancassem vertiginosamente, em especial Adamantina, tendo à frente um de seus funcionários eleito como Prefeito. E claro, também devemos ressaltar as inúmeras ligações entre os inúmeros diretores, que dão nomes às ruas da terrinha, e as várias lideranças estaduais e federais, destaque-se que alguns deles ainda eram acionistas de tais empresas (veja mais aqui).

Deputado Antônio Carlos de Salles Filho, líder do Partido Republicano (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues).

Dr. Washington Luiz Pereira de Souza, ex-presidente da República, conversa com o ex-prefeito Antonio Goulart marmo. Presentes também Clóvis Camargo e Dr. Antonio Prado Júnior (Reprodução: Livro Jubilei de Ouro de Adamantina/Cândido Jorge de Lima).

Populaçao de Adamantina festejando a vitória de Antônio Goulart Marmo (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues).

Desta forma, percebe-se que tal crescimento da terrinha, em detrimento de outros núcleos, foi algo realizado ao sabor das garantias econômicas de uns e outros. E assim, caminhamos! Enfim, seja aqui ou ali, o que se percebe é que a história possui inúmeras faces. Vale a pena conferir!

Tiago Rafael dos Santos Alves

Professor, Historiador e Gestor Ambiental

Membro Correspondente da ACL e AMLJF

tiagorsalves@gmail.com

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