Memória

Repensando e (re)organizando trechos sobre a História de Adamantina – Parte II

Uma nova releitura acerca da História de Adamantina através de novas fontes.

Tiago Rafael Colunista
Tiago Rafael
Repensando e (re)organizando trechos sobre a História de Adamantina – Parte II

“O historiador e o poeta não se distinguem um do outro pelo fato de o primeiro escrever em prosa e o segundo em verso. Diferem entre si, porque um escreveu o que aconteceu e o outro o que poderia ter acontecido.”

Aristóteles

* * *

Em meio ao atuais tempos obscuros coronavirais, creio que assim como muitos da terrinha, ainda me encontro nessa nova organização de trabalho, o “Home Office” (ou teletrabalho, como queiram). Não que seja o que eu gostaria de fazer, mas é o que “devemos fazer” diante do que estamos vivendo.

E nos últimos dias, ainda estamos assistindo a novela do “abre ou não abre” local e ao mesmo tempo a falta de “empatia” de alguns, ao realizarem festas aqui e acolá. Mas... Cada qual com as suas “responsabilidades”. Não é mesmo? E vamos ao que interessa...

Em recente reunião com uma turma de pesquisadores da região, comentávamos sobre a inauguração do tal “gentílico” adamantinense e algumas de suas curiosidades. Pois bem, durante muito tempo, se falou sobre as ditas “colônias de imigrantes” que foram recorrentes por aqui e ali. Principalmente de alemães, italianos, portugueses, japoneses, russos, etc. E sobre algumas delas já comentamos por aqui em outrora.

No entanto, em análise de algumas documentações de cartórios de registro civil, notou-se uma grande parcela de mineiros, provenientes da região norte de minas, e baianos, da região central e sul do estado. Ou seja, chegamos a alguns pontos, ou questionamentos, que merecem ser destacados novamente.

Vejamos: Por quais motivos, tais pessoas são sequer lembradas? Por que somente “determinadas famílias” são destacadas no cenário histórico das “terrinhas locais”? Isso tem alguma relação com a perpetuação do poder político de algumas dessas famílias? De que forma isso refletiu e reflete na condição socioeconômica de seus moradores? E em relação as divisas geográficas dos bairros? São essas algumas das perguntas que tais dados recém descobertos, nos levam a fazer.

Sobre tal questão, recentemente escrevi por aqui também, infelizmente a perpetuação da memória e da história local, acaba ficando a cargo de quem controla o poder e/ou tem o poder (diga-se $$$). No entanto, este acaba sendo um dos papéis dos pesquisadores, tentar problematizar e desconstruir a ideia de um “mito”, “herói”, “bandeirante”, “pioneiro”, “benfeitor”, etc.

E com isso não quero que me entendam mal! Mas, cabe lembrar que, atrás de cada um desses adjetivos supracitados, existem outras tantas pessoas que muito labutaram para que tais espaços e “outras pessoas” chegassem ao que são hoje.

Bom pessoal... E é nesse sentido que surgem tais questionamentos! Mas destaco que, ainda é cedo para tentar responder tais perguntas (ainda estamos “pesquisando”). No entanto, elas (as perguntas) nos inspiram a pelo menos tentar questionar tudo o que nos é colocado como “história oficial” daqui e dali. Então... Até breve!

Tiago Rafael dos Santos Alves

Professor, Historiador e Gestor Ambiental

Membro Correspondente da ACL e AMLJF

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