Memória

Recortes da Política Adamantinense – Parte IV: Adhemar de Barros de Governador Inimigo a Benfeitor

Um breve relato sobre a relação entre os políticos locais e o Governador Adhemar de Barros.

Tiago Rafael Colunista
Tiago Rafael
Atual Avenida Adhemar de Barros (ainda sem pavimentação), em Adamantina (Reprodução). Atual Avenida Adhemar de Barros (ainda sem pavimentação), em Adamantina (Reprodução).

 “[...] Eu vejo o futuro repetir o passado / Eu vejo um museu de grandes novidades / O tempo não para / Não para, não, não para [...]”

O tempo não para – Cazuza

* * *

 

Nos últimos dias, dos “tempos obscuros” e “pós-coronavirais”, presenciamos por aqui e ali a tal flexibilização nas terrinhas adamantinenses. Muito bem, só acho... Mas penso que, teremos que “desenhar”, “pegar na mão” ou quem sabe começar a “penalizar”, uma galerinha que está fazendo o uso das máscaras na “mão”, no “queixo” ou mesmo no “bolso”. De repente, “sentindo no mesmo bolso”, quem sabe, começarão a aprender! Não custa tentar...

 

(Reprodução). 

(Reprodução). 

 

Deixemos essa turma de lado, e falemos um pouquinho da história da terrinha. Cabe mencionar que, em alguns textos estou retratando curiosos “recortes da política local”, o que farei nas linhas abaixo também. Desta vez, acabei me lembrando do “motivo” de mudança de nome de uma das principais avenidas daqui, a Avenida Paulista (atual Avenida Adhemar de Barros).

 

(Reprodução). 

 

Dando uma folheada em um artigo escrito pelo Prof. Marcos Martinelli, acabei localizando o “verdadeiro motivo de tal mudança”. Assim como já mencionei em outrora, foi fato comum por aqui e ali, nomear espaços públicos com “homenagens a políticos e personagens do grupo político dominante”. Assim, como menciona o referido professor:

 

As facções dos grupos dominantes no poder, homenageavam acintosamente personagens do grupo político ao qual pertenciam no momento, mesmo que para isso tivessem que passar por cima da história e da memória social do município[1]. (Negrito nosso)

 

E continua:

 

O caso da substituição da Avenida Paulista para Avenida Adhemar de Barros é um bom exemplo para o que foi afirmado. Antonio Goulart Marmo e Euclides Romanini – respectivamente Prefeito e Presidente da Câmara de Vereadores – eleitos pela legenda de Adhemar de Barros, o PSP (Partido Social Progressista), logo trataram de homenagear seu poderoso “cabo eleitoral” [...][2] (Negrito nosso)

 

Como já relatado em outros momentos, eram “homéricas” as disputas entre Lucélia e Adamantina. Tendo em vista, que esta última no início, ainda era um povoado da primeira, mas que pleiteava de todos os meios a sua emancipação.

 

Transição de posse de Antonio Goulart Marmo para Euclides Romanini, em 1953 (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues).

 

Pois bem, e para complicar ainda mais, o Prefeito de Lucélia, Luiz Ferras de Mesquita, era casado com a Sra. Cecília Mendes de Mesquita, irmã da Primeira-Dama do Estado, a Sra. Leonor Mendes de Barros, no caso a esposa do então Governador Adhemar de Barros, ou seja eram “concunhados” (parentes). E é claro que os laços parentais “eventualmente”, e com isso, não quero afirmar nada, mas poderiam migrar para a área pública.

 

Reivindicações de admantinenses ao governador Adhemar de Barros em 1964 (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues).

Primeira audiência com o governador Adhemar de Barros concedida ao prefeito Antônio Cescon e vereadores, em 1964 (Reprodução). 

 

Assim, Adhemar de Barros era visto como alguém que provavelmente estaria contrário a emancipação da terrinha, o que ocorreu em 1948[3]. E sobre isso, o Prof. Marcos relata: “O então “Governador Inimigo” da emancipação do município de Adamantina tornava-se na reviravolta política o seu “benfeitor”.[4] (negrito nosso)

 

Conforme citado acima, percebe-se que por aqui (e em outros “cantos”) predominaram algumas “imortalizações politiqueiras” de pessoas que sequer “levantaram uma palha” pela terrinha, “muito pelo contrário”, em muito fizeram para que tal projeto minguasse. Mas, infelizmente é assim que ocorre... Quanto ao “Seu Zé” ou a “Dona Cida”, que muito trabalharam por aqui, sequer são lembrados, viraram o que costumamos chamar de “pioneiros anônimos”.

 

Enfim, como se viu, a história da terrinha tem algumas curiosidades que merecem ser exploradas e (re) contadas às novas gerações. A nós historiadores, cabe esse papel e um pouco mais! Até a próxima!

 

Tiago Rafael dos Santos Alves

Professor, Historiador e Gestor Ambiental

Membro Correspondente da ACL e AMLJF

tiagorsalves@gmail.com



[1] MARTINELLI, M. 2006/2007. p. 53.

[2] Idem.

[3] Como se sabe, a Lei nº 233, de 24 de dezembro de 1948, acaba criando o município de Adamantina. Tais pormenores acerca disso, não vem ao caso nesse momento, e já foram relatados em outros textos.

[4] MARTINELLI, M. 2006/2007. p. 53

Publicidade

Clinica Lu Applim
Cinema

Publicidade

Insta do Siga Mais