Memória

Proclamação da República? Onde? Quando? Para quem?

Uma breve análise sobre a Proclamação da República no Brasil

Tiago Rafael Colunista
Tiago Rafael
Proclamação da República? Onde? Quando? Para quem?

“Percorremos um longo caminho, muitos anos de história do esforço para construir o cidadão brasileiro. Chegamos ao final da jornada com a sensação desconfortável de incompletude”.

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“A ausência de ampla organização autônoma da sociedade faz com que os interesses corporativos consigam prevalecer”.

José Murilo de Carvalho

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Nos últimos dias a ânsia pelos feriados prolongados toma conta da população como um todo. Nesta semana como todos sabem, comemoramos a Proclamação da República no Brasil, o famoso “15 de novembro de 1889”. Mas, o que mudou de lá para cá?

Vamos aos fatos: Foi comum, ver nos livros didáticos, a imagem do Marechal Deodoro da Fonseca em cima de um cavalo, com o traje de gala do exército, etc. Criando dessa forma um “mito (ou herói)” que nunca existiu da forma como pintam.

A queda da Monarquia em nosso país deve ser entendida com base em diversos fatores, que não devem ser considerados únicos e nem entendidos como feitos de uma única pessoa:

Família Imperial Brasileira.

- O fim da escravidão em 1888, acabou desestabilizando os fazendeiros, extremamente dependentes dessa mão-de-obra no período.

- O Brasil ao contrário das outras nações americanas, foi o único país a se tornar uma Monarquia ao invés de uma República, após a sua independência. (Aliado ao fato de que o grupo ligado à Metrópole portuguesa ainda imperava por aqui)

- A centralização monárquica de nosso país prejudicava a autonomia e economia de diversas províncias do país (São Paulo e Minas Gerais)

- A Perda de apoio popular, D. Pedro II e sua família sofriam inúmeras retaliações e chacotas nos periódicos nacionais e locais, demonstrando tamanho descontentamento da população e de grupos liberais.

Charges com D. Pedro II: chacotas nos periódicos nacionais e locais.

- A Crise com a Igreja Católica, devido à política do Padroado exercida por D. Pedro II frente às decisões eclesiásticas.

- E não podemos esquecer das campanhas realizadas pelo Exército (Guerra do Paraguai), que acabaram suscitando ainda mais os ânimos dos militares para um possível levante, o que de fato veio a ocorrer.

Marechal Deodoro da Fonseca: o mito que nunca existiu.

Em 15 de Novembro de 1889, é proclamada a República Federativa do Brasil, apoiada pelas elites intelectuais, pela maçonaria, pelos fazendeiros, pelos militares, etc. Mas, e o povo? De fato, como já se diz no livro do jornalista José Murilo de Carvalho, “assistia bestializado”, sem saber o que estava acontecendo, achando que “era uma parada militar”.

Se fizermos uma análise dos primeiros anos do período republicano, veremos que muito pouco se alterou em todos os setores, apenas a nossa organização política, que passou de Monarquia a República de forma despercebida. Quanto aos ex-escravos e o povo de uma forma geral, como já mencionado, permaneciam à margem de tudo.

E se analisarmos um pouquinho mais tal período, veremos que até os símbolos que utilizamos, não passam de cópias e invenções daqui ou acolá, criados naquele momento, como forma de se incentivar o “tal sentimento nacionalista” que nunca houve em nosso país.

Nos dias atuais e em terras longínquas (Bem distante do Brasil!), criam-se mitos e heróis que nunca o foram, e de forma torta tentam buscar e exaltar ares nacionalistas com discursos e frases prontas. Mas, isso ocorre bem longe daqui! Quanto ao povo? Este ainda espera “bestializado” a troca de um herói (ou mito) pelo outro, à espera de que um dia, tudo possa mudar.

Tiago Rafael dos Santos Alves é historiador. Acesse aqui seu perfil.

Efigie da República: uma remodelação da Efigie da República Francesa; e a capa da Revista Fon Fon,  representando a Velha Monarquia a Jovem República.

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