Memória

Ponte pênsil, cheias e história

Um breve relato sobre a Ponte pênsil e uma das cheias do Rio do Peixe.

Tiago Rafael Colunista
Tiago Rafael
Ponte pênsil sobre o Rio do Peixe, na década de 50 (Arquvo Histórico Municipal). Ponte pênsil sobre o Rio do Peixe, na década de 50 (Arquvo Histórico Municipal).

 Vivemos esperando / O dia em que seremos melhores / Melhores no amor, melhores na dor / Melhores em tudo.”

(Dias Melhores – Jota Quest)

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Na última sexta-feira (25), o povo brasileiro mais uma vez se viu entristecido com a notícia do rompimento de uma das barragens da Vale, no município de Brumadinho-MG. É claro que este episódio traz também as tristes recordações da tragédia de Mariana-MG, em 2015, e rompimento de outra barragem, mantida pela Samarco.

Em nossa região felizmente não há barragens ou quiçá mineradoras, e claro sem fazer comparações com tamanha tragédia, quando falamos de “desastres”, são comuns nas lembranças da população algumas situações ocasionadas por conta das chuvas, enchentes e consequentemente às cheias dos rios que compõem o Espigão Peixe-Aguapeí (Feio).

Como se sabe, ao se emancipar Adamantina também era composta pelo Distrito de Mariapólis, e uma das dificuldades era ligar a Região da Paulista à Sorocabana, havia o Rio do Peixe. A solução encontrada foi a construção de uma ponte “pênsil”, tendo o saudoso Sr. Alcides Zanandréa como o responsável por sua montagem.

Reprodução: Livro Jubileu de Ouro Adamantina/Cândido Jorge de Lima.

Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues.

Em 1952, sua construção foi concluída. A obra contava cabos de aço suspensos de ambos os lados, vindo da Serra de Santos, suas hastes foram chumbadas em bases de concreto, além da madeira que fora extraída da região. Segundo conta o Sr. Cândido Jorge de Lima em seu livro, o projeto desta ponte foi feito pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro.

Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues.

Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues.

Mas, é claro que como já mencionado, foram comuns as cheias e enchentes por aqui. Em algumas fotos da época, é possível verificar que o nível do Rio Peixe chegou a ultrapassar a referida ponte, que só não foi arrastada devido aos cabos que a fixavam.

Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues.

Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues.

Tal ponte perdurou por muito tempo, ligando uma região a outra, até que em fins da década de 1960, outra ponte, desta vez de concreto, fora construída substituindo assim a anterior.

Nos dias atuais, somente as colunas de fixação ainda restam em seus referidos lugares. Aos moradores daqui ou de acolá, ficam as recordações não tão boas de momentos onde a “força da natureza” superou todas as expectativas humanas, mostrando que nem sempre tudo VALE a pena.

 Tiago Rafael dos Santos Alves é historiador. Acesse aqui seu perfil.

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