Memória

O rinoceronte, o macaco e o mosquito - o voto de protesto

Analisando o voto de protesto ao longo da recente história brasileira.

Tiago Rafael Colunista
Tiago Rafael
O rinoceronte, o macaco e o mosquito - o voto de protesto

“Vivemos esperando / Dias melhores / Dias de paz, dias a mais / Dias que não deixaremos / Para trás.”
Dias melhores - Jota Quest

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Neste último fim de semana passamos por mais uma etapa do processo eleitoral brasileiro. E como já se sabe, em São Paulo iremos para um 2º Turno, bem como na corrida presidencial. Mas, o que me preocupou em alguns momentos foram alguns nomes de candidatos eleitos para o legislativo estadual e federal.

Muitas pessoas apontam tais escolhas como um “voto de protesto”, mas esquecem de que devido ao nosso sistema, baseado no tão famoso “coeficiente (quociente) eleitoral”, muitos candidatos acabam se elegendo, não representando necessariamente a vontade popular.

O mais curioso é que o “voto de protesto” não é algo novo, em alguns momentos a população brasileira já o utilizou, quando as votações eram realizadas por meio de cédulas de papel.

Em 1959, em meio às eleições para a Prefeitura de São Paulo o rinoceronte “Cacareco” recebeu a incrível soma de cerca de 100 mil votos, sendo o “candidato” mais votado em meio aos outros 540, que disputavam uma cadeira do legislativo municipal. Tamanha expressividade na votação chamou a atenção das Nações Unidas e foi matéria de capa do Jornal “New York Times”.

Em 1987, em Vila Velha, os eleitores devido à insatisfação com o poder público e grande quantidade de casos de dengue, acabaram elegendo o candidato “mosquito”. Este acabou sendo eleito com um total de 29.668 votos, cerca de 3 mi a mais que o segundo colocado.

E não parou por aí, em 1988 outro animal voltou a ganhar o cenário político, desta vez no Rio de Janeiro. O macaco Tião, um chimpanzé que vivia no zoológico do Rio, acabou sendo lançado como candidato à Prefeitura. A iniciativa partiu dos redatores do Programa “Planeta Diário” e da “Casseta Popular”, que futuramente viriam a se tornar o conhecido “Casseta e Planeta”. Estima-se que Tião tenha recebido cerca de 400 mil votos, o deixando na época no 3º lugar do pleito.

Bom, em tempos de urnas eletrônicas, não é mais possível eleger o rinoceronte, o macaco ou o mosquito, mas penso que ao invés de se utilizar o “voto de protesto” para eleger “palhaços” e com eles os “não tão palhaços”, deveríamos utilizar o “voto consciente” e com ele eleger o candidato “de bem”, que muitas vezes por uma pequena margem de votos não teve a oportunidade que precisava para colocar seus projetos em prática.

Tiago Rafael é historiador. Acesse aqui seu perfil.

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