Memória

O Hotel, a Igreja e o Jardim – O progresso por trás do marketing

Um breve relato sobre a ideia de se transformar Adamantina em uma metrópole.

Tiago Rafael Colunista
Tiago Rafael
Adamantina, nos anos 60. Rua Deputado Salles Filho. Ao fundo, o hoje Hotel Villa Verde, na esquina com a Avenida Rio Branco (Arquivo Histórico Municipal). Adamantina, nos anos 60. Rua Deputado Salles Filho. Ao fundo, o hoje Hotel Villa Verde, na esquina com a Avenida Rio Branco (Arquivo Histórico Municipal).

 “As aspirações de cada época são limitadas: daí a ilusão do progresso.” 

Georges Braque

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Recentemente ao cruzar a Avenida Rio Branco acabei por observar o Hotel Villa Verde, fiquei a imaginar quanto história aquele prédio possui. Por incrível que pareça, o mais curioso não é apenas a história por trás daquele prédio, mas também o “projeto de metrópole” que pretendiam fazer da terrinha.

Em um artigo de 2007, o Professor Marcos Martinelli retrata como as lideranças da cidade aspiravam por essa tal “modernidade”, celebrando um “suposto progresso”. Em diversas Revistas, produzidas especialmente para tal finalidade e nos jornais da época, são comuns as imagens e peças publicitárias exaltando os chamados “ares de progresso” da cidade.

Em relação ao tal prédio do atual Hotel Villa Verde, este fora construído no ínicio da década de 1950, pela Companhia Melhoramentos de Adamantina Ltda, sendo seus cotistas os senhores: Jamil de Lima, Vitório Romanini, Ihity Endo, José Antonio de Oliveira, Antonio Goulart Marmo, entre outros.

Denominado inicialmente de Grande Hotel Adamantina, este por muito tempo fora uma das vitrines da terrinha. São comuns as fotos do centro da cidade que o retratam no cruzamento das Avenidas Rio Branco e Dep. Salles Filho. Uma das fotos, chega a retratar o referido prédio com luzes de automóveis e placas com rastros luminosos, levando as pessoas a “acreditarem” que de fato o “progresso” havia chegado à cidade e dentro de pouco tempo esta seria a próxima “metrópole” do estado de São Paulo.

Ao mesmo tempo, Martinelli destaca que na mesma década três construções alicerçaram essa visão e com ela a noção de “centro da cidade”: O Grande Hotel, a Igreja Matriz e o Jardim Público, respectivamente em 1953, 1954 e 1956. Da mesma forma, são retratadas as outras duas construções, ou seja, Adamantina precisava “dar certo” e claro atrair novos empreendedores e quiçá moradores.

No decorrer da história da terrinha, nomes, estátuas, monumentos, foram levantados e dados à estes ou àqueles que pleiteavam transformá-la numa “metrópole”. Infelizmente tal projeto ficou apenas nas estratégias marketeiras de seus idealizadores. Mas, como relembrar faz parte, não custa perguntar: Será que realmente Adamantina seria mesmo uma metrópole? Talvez sim, talvez não! Assim prefiro ficar com a dúvida, e como diria o Jornalista de Terras Provincianas, Sérgio Barbosa: “Naum sei naum.”

Tiago Rafael dos Santos Alves é historiador. Acesse aqui seu perfil.

 

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