Memória

O dia em que a praga rogada pelo Padre pegou

Um breve relato sobre alguns desentendimentos entre alguns vereadores e o Padre local em meados da década de 1970.

Tiago Rafael Colunista
Tiago Rafael
O dia em que a praga rogada pelo Padre pegou

“Um Estado é considerado laico quando promove oficialmente a separação entre Estado e religião. A partir da ideia de laicidade, o Estado não permitiria a interferência de correntes religiosas em assuntos estatais, nem privilegiaria uma ou algumas religiões sobre as demais. O Estado laico trata todos os seus cidadãos igualmente, independentemente de sua escolha religiosa, e não deve dar preferência a indivíduos de certa religião. O Estado também deve garantir e proteger a liberdade religiosa de cada cidadão, evitando que grupos religiosos exerçam interferência em questões políticas. Por outro lado, isso não significa dizer que o Estado é ateu, ou agnóstico. A descrença religiosa é tratada da mesma forma que os diversos tipos de crença.”[1]

 

*  *  *

 

Nesta última semana dos atuais tempos obscuros pós-coronavirais, os holofotes da terrinha, em virtude do tal calendário eleitoral, tem se voltado para os “prováveis” pré-candidatos ao legislativo e executivo. Tudo isso me fez lembrar de uma história a muito tempo contada e até mesmo relatada pelo Prof. Cândido em seu livro. Trata-se de um “atrito” entre o padre local e alguns vereadores daqui.

 

Como se sabe, a terrinha em seus primórdios possuía uma população de grande maioria “cristã católica”, no entanto outras religiões e denominações sempre existiram por aqui. Mas, cabe ressaltar que tal “maioria” sempre se caracterizou por aqui e ali como um “poder paralelo” em “várias ocasiões passadas”, sendo algumas delas relatadas por aqui (reveja aqui).

 

Pois bem, em meados da década de 1970 a Câmara Municipal havia concedido o “Título de Cidadão Adamantinense” ao então Bispo Diocesano D. Hugo Bressane de Araújo. Mas a situação se complicou quando o mesmo título fora concedido ao religioso Francisco Cândido Xavier (Chico Xavier). Os vereadores que aprovaram tal decreto passaram a ser “proibidos” pelo Padre local de participarem como padrinhos em casamentos ou batizados em sua paróquia. Tendo em vista que o mesmo possuía um perfil “extremamente conservador”.

 

Insatisfeitos com o posicionamento do Vigário, alguns vereadores recorreram ao Bispo. Assim relata o Prof. Cândido Jorge de Lima:

 

 

Os vereadores João José Andery, Sebastião de Almeida, Nelson de Carvalho, Bruno Guiçardi e Antônio Padovam, resolveram então fazer uma viagem a Diocese de Marília, para reclamar ao Bispo, criticando o vigário e solicitando a revogação da decisão [...] (p.353, 1999)

 

E continua:

 

Não foram recebidos pelo Bispo e, ainda sofreram um acidente com seu veículo (um Galaxye) na volta, na saída de Pompéia, quando o mesmo encontrou na pista uma carreta que estava atravessada. O carro bateu com toda violência nos pneus, causando perda total do veículo e ferimentos em seus passageiros. (Idem) (Grifo nosso)

 

Pois bem, como se não bastasse toda a situação, “proibição”, “acidente”, “perda do carro”, ainda corria pela cidade um boato de que tudo isso havia ocorrido por conta de uma “praga do padre”. (idem)

 

Pois bem pessoal, se houve praga ou não, isso nunca saberemos! Mas, vale lembrar que, desde 1890 somos considerados um “país laico”, no entanto, por aqui cabem as “memórias, histórias e causos pitorescos” de quando essa, infelizmente,  era só mais uma “lei para inglês ver”!

 

Tiago Rafael dos Santos Alves

Professor, Historiador e Gestor Ambiental

Membro Correspondente da ACL e AMLJF



[1] Conferir em: <https://www.politize.com.br/estado-laico-o-que-e/> Acesso em: 19/07/2020.

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