Memória

O buracão, a cerâmica, a visita imperial e um pouco de história

Um breve relato sobre parte da história nipônica na cidade

Tiago Rafael Colunista
Tiago Rafael
Indústria Cerâmica Endo, atual Parque dos Pioneiros, em 1953 (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues). Indústria Cerâmica Endo, atual Parque dos Pioneiros, em 1953 (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues).

“Um ser humano sem história é um livro sem letras.”

Augusto Cury. 

* * *

 Nos últimos dias, foram iniciadas as obras de reparação na canalização do Parque dos Pioneiros. Isso me fez recordar um outro texto, que escrevi sobre os “nomes populares” de alguns locais da cidade. O popular “Buracão do Endo”, acaba trazendo muita história por trás de um simples nome e que pouca gente conhece.

No início da década de 1990, era muito comum ao cruzar tal espaço, se deparar com um depósito de entulhos e lixo a céu aberto em tal localidade, além de enormes erosões (buracões) em decorrência do córrego que ali se localiza. O que de fato mudou em meados da mesma década, com a inauguração do referido parque. No entanto, as atuais gerações sequer sabem o que existia antes disso.

Parque dos Pioneiros, após urbanização iniciada nos anos 90, virou cartão postal de Adamantina (Arquivo/Siga Mais).

Mas, bem antes, ainda na década de 1950, neste local haviam as Indústrias Endo, de propriedade do Sr. Ihity Endo (Daí, o nome “Buracão do Endo). Tratava-se de uma olaria que durante muito tempo foi a principal responsável pela produção das telhas e tijolos de muitas casas da cidade, o que ainda pode ser observado em muitos telhados.

Indústria Cerâmica, em 1953, atual alameda Padre Nóbrega (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues).

Indústria Cerâmica Endo, em 1953 (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues).

Hanako Endo (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues).

Além disso, devemos ressaltar que a comunidade nipônica sempre foi bem atuante na terrinha, chegando até mesmo a recepcionar em 5 de outubro de 1952, os Príncipes Imperiais do Japão, Suas Altezas Kouchio Outani e Satoko Outani (irmã da Princesa Nagako e futura Imperatriz Kōjun, esposa do Imperador Hirohito). Os hóspedes imperiais acabaram se hospedando na própria residência do Sr. Ihity Endo, ao lado da cerâmica. Infelizmente, tal residência acabou sendo demolida em 2016.

O príncipe, a prncesa e Ihity Endo (Reprodução: Livro Jubileu de Ouro de Adamantina/Cândido Jorge de Lima).

Relata-se que a Prefeitura providenciou a vinda de seis guardas de honras da Guarda Civil de São Paulo. Além de homenagens da Prefeitura e Câmara Municipal, os reais visitantes também foram homenageados pelos clubes locais e pela comunidade nipônica.

Imóvel que abrigou a família imperial do Japão, recentemente demolida (Arquivo/Siga Mais). 

Nos dias atuais, infelizmente nada restou da residência que abrigara os hóspedes imperiais e quiçá das Indústrias Endo, ou melhor, apenas as duas chaminés permanecem no local. A nós da história, cabe tarefa de ao menos rememorar os fatos e esclarecer o porquê dos diversos nomes adotados pelos munícipes.

Tiago Rafael dos Santos Alves é historiador. Acesse aqui seu perfil.

Chaminés das antigas Indústrias Endo, construídas em 1948 (Arquivo/Siga Mais).

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