Memória

No meio do caminho tinha uma casa

Um breve relato sobre a construção de uma casa em meio ao traçado da linha férrea.

Tiago Rafael Colunista
Tiago Rafael
No meio do caminho tinha uma casa

“No meio do caminho tinha uma casa / tinha uma casa no meio do caminho /

tinha uma casa / no meio do caminho tinha uma casa.”

Carlos Drummond de Andrade - Adaptado

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Conforme já mencionado aqui ou ali, a história da terrinha é permeada de curiosidades, umas mais estranhas do que outras. Já tivemos cavalo aposentado, bomba de prefeito, máquina de fabricar dinheiro sendo vendida, primeiro vestibular anulado, estátua de padre arrancada, etc. No entanto, mais um fato, relatado pelo Prof. Cândido, merece o devido destaque. Trata-se da construção de uma casa em meio ao trajeto da linha férrea.

Pois bem, vamos aos fatos. No início de su formação, era comum o “ponto final” da ferrovia, polarizar “progresso e desenvolvimento” à localidade onde o mesmo se localizava. As lideranças políticas de Adamantina lutavam junto aos diretores da Ferrovia para que este se fixasse aqui. No entanto, as lideranças políticas de nossa vizinha Lucélia, também conheciam previamente o traçado da ferrovia e não tinham interesse algum em desenvolver o seu “patrimônio” (Adamantina) e quiçá emancipá-lo.

Segundo o Prof. Cândido, “um de seus moradores, fez a construção de uma casa no trajeto entre Lucélia e Adamantina, impedindo o prosseguimento da ferrovia.” É claro que tal situação ocasionou uma “bela” disputa judicial entre as partes. Em meio a tal disputa, que durou cerca de três anos, o “ponto final” parou na cidade de Osvaldo Cruz, o que veio a beneficiar tal localidade.

Conforme relata o Sr. João Carlos, após inúmeras idas e vindas, a Companhia Paulista de Estradas de Ferro (CPEF), lança o seu “ultimato”, ou a casa sairia do lugar, ou o traçado da ferrovia seria alterado, passando a cerca de seis quilômetros ao norte da cidade de Lucélia. Assim, a CPEF e as lideranças de Lucélia cessam tal disputa. A ferrovia passaria por esta, mas o ponto final seria a cidade de Adamantina.

Enfim, com casa ou sem casa, o trem, a emancipação e comarca chegaram. Infelizmente do trem como relatado aqui ou acolá neste mesmo espaço, restam apenas as “boas e curiosas” lembranças que um dia marcaram o cenário das “pendengas” entre Adamantina e Lucélia.

Tiago Rafael dos Santos Alves é historiador. Acesse aqui seu perfil.

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