Memória

Lucélia é a nossa mãe, Baliza a nossa avó, Martinópolis nossa bisavó e Presidente Prudente é a nossa tataravó

Um breve relato sobre a história que envolve as localidades de Adamantina, Lucélia, Baliza, Martinópolis e Presidente Prudente.

Tiago Rafael | Professor, historiador e gestor ambiental Colunista
Tiago Rafael | Professor, historiador e gestor ambiental
Visão noturna de Lucélia (Fonte: Prof. Geise Mary Gualti Suzana). Visão noturna de Lucélia (Fonte: Prof. Geise Mary Gualti Suzana).

“Acredito que estou preenchendo uma lacuna e deixando para as futuras gerações um relato dos acontecimentos, datas e pessoas que tornaram a cidade o que ela é hoje. Um verdadeiro trabalho de garimpeiro, feito com muito suor mas também com muito prazer.”

Prefácio do Livro: Martinópolis, sua história e sua gente

José Carlos Daltozo – Junho de 1999

***

Nos últimos dias, em uma de minhas idas à terrinha de Presidente Prudente, como sempre faço, acabei adquirindo alguns livros em dos sebos de lá. Para minha surpresa, acabei encontrando um exemplar do livro: Martinópolis, sua história e sua gente, do Sr. José Carlos Daltozo. Vocês devem estar se perguntando: Mas o que isso, tem a ver com a história da terrinha? Pois bem, tudo e mais um pouco! Eu explico.

A algum tempo atrás eu havia lido no livro do Prof. Cândido Jorge de Lima, um trecho de um texto, no qual ele denominava: Baliza é a avó de Adamantina. Achei curioso o referido texto à época e depois acabei entendendo do que se tratava.

 

Adamantina, anos 60 (Fonte: Arquivo Histórico Municipal).

 

O Prof. Cândido, de forma bem humorada, justificava que pelo fato de um dia termos feito de parte do município de Lucélia, enquanto povoado, seríamos filha desta. Já Lucélia, por sua vez pertencia em sua origem ao Distrito de Baliza, ao qual ele denomina de nossa “avó”.

Achei interessante a brincadeira e neste texto resolvi acrescentar a “bisavó” de Adamantina. Logicamente, o município ao qual o Distrito de Baliza estaria subordinado: Martinópolis. E aí que entra o livro anteriormente citado do Sr. José Carlos Daltozo. Mas se quisermos continuar, cabe destacar que, o Distrito de José Teodoro (Martinópolis) era subordinado ao Município e Comarca de Presidente Prudente, a nossa “tataravó”.

 

Alambique de destilação de hortelã no Distrito de Baliza (Fonte: Helena Tarnovetski).

 

É claro que, a ideia de se atribuir uma qualidade maternal aos municípios e distritos, é conforme já citado, uma mera brincadeira. No entanto, isso tudo nos dá uma breve ideia de como ocorreu a colonização dessas regiões. Contrariando em partes, aquela típica visão do sentido “leste-oeste”, como muitos historiadores e geográfos apontam. Ela também ocorreu no sentido norte-sul e sul-norte. Haja vista que, muitos dos moradores de tais localidades adentraram a esta região por meio das Estradas de Ferro da Sorocabana e da Noroeste, aliado ao fato de também já existirem caminhos e estradas já conhecidas que ligavam um espigão ao outro.[1]

 

Estação Ferroviária Sorocabana, na década de 50 (Livro Martinópolis, sua história e sua gente. José Carlos Daltozo – Junho de 1999).

 

Nesse sentido, é aí que entra também parte da minha família e a de muitos conterrâneos (reveja aqui), que assim como muitos migrantes nordestinos e mineiros, adentraram a esta região via Rancharia, Martinópolis, Baliza, etc.

 

Distrito de Paz de Baliza, em Lucéia, área de terras pertencente, à época, ao município de Martinópolis (Reprodução).

 

Enfim, a história é isto! Num simples livro, adquirido em Presidente Prudente (a nossa tataravó), sobre Martinópolis (nossa bisavó), conseguimos costurar inúmeros pontos de nossa história e problematizá-los, comparando-o com outro texto que fala de Baliza (nossa avó) e Lucélia (nossa mãe). E dessa forma, entender como um dia, nossos antepassados vieram parar aqui.

Tiago Rafael dos Santos Alves

Professor, Historiador e Gestor Ambiental

Membro Correspondente da ACL e da AMLJF



[1] Conferir o texto: PERLI, Fernando. Caminhos verticais e colonização da Zona da Alta Paulista. Revista Omnia, v. 9/10, p. 39-45, 2007.

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