Memória

Frio (muito frio), geadas e história (agora regulamentada)

Um breve comentário sobre a Geada Negra de 1975 e seus impactos atuais.

Tiago Rafael | Professor, historiador e gestor ambiental Colunista
Tiago Rafael | Professor, historiador e gestor ambiental
Imprensa, na época, noticiou os estragos e prejuízos da geada negra, ocorrida em 1975 (Reprodução). Imprensa, na época, noticiou os estragos e prejuízos da geada negra, ocorrida em 1975 (Reprodução).

“A função do historiador é lembrar a sociedade daquilo que ela quer esquecer.”

Peter Burke

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Na última semana, assistimos à derrubada do veto presidencial ao Projeto de Lei do Senado nº 368, de 2009, que dispunha sobre a Regulamentação da Profissão de Historiador. A partir da LEI Nº 14.038, DE 17 DE AGOSTO DE 2020, nosso ofício passa a ser regulamentado (dois dias antes do Dia do Historiador). Portanto, congratulo-me com os demais colegas de profissão e parabenizo em especial, os parlamentares que conseguiram entender a “importância da história” em nossas vidas. Mas, vamos ao que interessa! O frio! Ou melhor a Geada!

Nos últimos dias, foram comuns os avisos meteorológicos acerca da chegada de uma grande frente fria em nosso país. E de fato, a mesma por aqui estacionou e já deixou a sua marca. Em grande parte do país já foram registradas as menores temperaturas do ano, sendo muitas delas abaixo de 0º (e por aqui também não foi diferente!).

Com tamanho frio, não faltaram reclamações e elogios daqui e dali, há quem goste e quem não goste. No entanto, o que mais me chamou a atenção em meio a tudo isso, foram as comparações e mesmo lembranças de algumas pessoas (os mais velhos) em relação à famosa Geada Negra de 1975.

As geadas são popularmente chamadas de brancas e negras, pois podem ocorrer de duas formas. A primeira é mais comum e se caracteriza pelo congelamento das gotículas de água dispersas na superfície, dando um aspecto esbranquiçado a vegetação. Já a segunda, tem esse nome, devido ao fato de causar danos muito maiores as vegetações, chegando a “queimar” a sua seiva, deixando-a posteriormente com aspecto escuro, daí o nome.

Pois bem, em 18 de julho de 1975, as lavouras de café do interior de São Paulo e do Paraná, foram dizimadas pela Geada Negra. Agricultores que haviam investido verdadeiras fortunas nos pés de café, viram o seu patrimônio “escurecer” e se perder meio a toda aquela friaca. Há relatos ainda, de pessoas que chegaram a se suicidar devido às perdas que tiveram (na nossa região, também tivemos alguns casos).

É claro, que depois de tamanhas perdas, algumas regiões precisaram se reinventar. A cultura do café, já não era mais tão atraente aos olhares dos agricultores. Assim, cada região precisou encontrar novas formas de se organizar economicamente. Algumas conseguiram, outras ainda estão “patinando” em meio a tudo isso (mesmo depois de 45 anos) tentando se encontrar economicamente.

Enfim, com frio ou sem frio, cabe a reflexão para a nossa Região e aos nossos gestores (atuais e futuros). Ainda precisamos nos encontrar economicamente e quem sabe, dessa forma voltar a ser o que no passado “alguns políticos locais” alardeavam aos quatro ventos: “A (região) mais próspera do estado de São Paulo.”  Que assim seja!

Tiago Rafael dos Santos Alves

Professor, Historiador e Gestor Ambiental

Membro Correspondente da ACL e da AMLJF

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