Memória

Entre o Coronavírus e história da saúde em Adamantina

Um breve relato sobre os primeiros consultórios e hospitais de Adamantina.

Tiago Rafael Colunista
Tiago Rafael
Obras da Santa Casa de Adamantina, iniciadas em 1956 (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues). Obras da Santa Casa de Adamantina, iniciadas em 1956 (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues).

“É parte da cura o desejo de ser curado.”

Sêneca

* * *

Nesta última semana fomos pegos novamente de surpresa, desta vez pelo tal do “coronavírus” (Covid-19). Como já fora veiculado nos diversos meios daqui e dali, diversas secretarias de educação, incluindo a do Estado de São Paulo, optaram pela gradual suspensão das aulas nas escolas das redes públicas.

Pois bem, já vivenciamos algo “parecido” a alguns anos atrás, mais precisamente em 2009. Provavelmente você se lembrará do “H1N1” e toda aquela situação desconfortável por ele causada. Naquela época, as aulas também foram suspensas e tudo mais. No entanto, toda essa situação envolvendo a saúde pública me fez lembrar de alguns espaços da terrinha que um dia já abrigaram clínicas e/ou casas de saúde.

Segundo relata o Prof. Cândido Jorge de Lima: 

Inexistindo assistência médica no povoado, o primeiros filhos da terra eram atendidos por parteiras e os doentes pelos farmacêuticos práticos. Em casos de doenças graves era necessária a locomoção dos pacientes para as cidades mais próximas. (1999, p. 253)

 Haja vista que em meados da década de 1940, fora criado o município de Lucélia e logo em seguida uma Santa Casa, assim muitos pacientes se deslocavam para lá.

Assim, percebe-se o quão precárias eram tais condições no início por aqui. Prof. Cândido, ainda destaca que o primeiro médico a se instalar na terrinha, em 1948, teria sido o Dr. Camargo, onde atuara em um prédio de propriedade da família Testa, na Alameda Armando Salles de Oliveira, 634. (Idem)

Posto de Saúde, na Alameda Santa Cruz, altura do número 347, na década de 1950 (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues).

No ano seguinte, em 1949, o Dr. André Mota de Siqueira, construiu um prédio próprio para abrigar uma Casa de Saúde. (Atualmente em tal espaço abriga uma unidade escolar do município) Me recordo com muita clareza de minha avó relatar que era atendida no Hospital do saudoso Dr. André, e com certeza muitos moradores da terrinha também se lembrarão.

Casa de Saúde de Adamantina, em 1958, espaço que ficou conhecido como “Hospital Dr. André” (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues).

Residência do Dr. André (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues).

Nos anos seguintes, postos de saúdes e puericultura foram instalados por aqui. Já a Santa Casa de teve suas obras inciadas em meados da década de 1950 e fora inaugurada em 07 de dezembro de 1957, com a presença de inúmeras autoridades, incluindo o então Governador do Estado Jânio Quadros.

Santa Casa de Adamantina, instalada em 2 de janeiro de 1958 (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues). 

Ampliação da Santa Casa e atual pronto-socorro (Arquivo Histórico). 

Santa Casa de Adamantina (Arquivo Histórico).

Além dos dois médicos já citados anteriormente, Prof. Cândido também relatara que outros profissionais também vieram para terrinha na mesma época, como: O Cap. José Antonio de Oliveira (ex-combatente da FEB), Francisco Nogueira de Oliveira, Célio de Azevedo Figueiredo, Nobuhide Goda e Osias Izidoro dos Santos Filho. Assim, para não cair no esquecimento e quiçá no erro, destacamos que nos anos posteriores, tantos outros médicos também fizeram e fazem as suas carreiras por aqui, a todos vocês, o nosso Muito Obrigado!

Enfim, como já relatado por aqui ou ali, a nós da história, cabem as recordações, a memória e principalmente as curiosidades da terrinha, até mesmo na saúde (ou na doença).

Tiago Rafael dos Santos Alves

Professor, Historiador e Gestor Ambiental

Membro Correspondente da ACL e AMLJF

tiagorsalves@gmail.com

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