Memória

Entre matas e serrarias – Onde tudo isso foi parar?

Um breve relato acerca das serrarias e das matas de Adamantina.

Tiago Rafael Colunista
Tiago Rafael
(Imagem: Acervo Histórico Municipa)l (Imagem: Acervo Histórico Municipa)l

“A pior guerra é a guerra contínua contra a natureza, que é silenciosa, que destrói ao longo do tempo.”

Fernando Henrique Cardoso.

* * *

Em meu último texto publicado acabei abordando um breve histórico acerca do local onde se localiza atualmente o Parque dos Pioneiros. O mais curioso é que diversas pessoas também acabaram se recordando da serraria que se localizava por ali também. Em outro texto também acabei abordando algo sobre as construções de madeira que por aqui ainda resistem.

Pois bem, a questão é que no seu início, Adamantina possuía diversas serrarias. E isso é claro, se dava pelo simples fato da abundância de matéria-prima devido à “derrubada das matas” que cobriam a nossa região. Segundo relata o Prof. Cândido, “as transportadoras se tornavam impotentes para atender os pedidos de embarque, em virtude do estoque volumoso”.

(Imagem: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues) 

(Imagem: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues) 

(Imagem: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues) 

Além da utilização da madeira nas construções locais, era muito comum a produção de dormentes para linha férrea que outrora também chegou até aqui. Se por um lado, a principal utilização se dava no campo da construção civil, por outro, devemos ressaltar  o uso da lenha e do carvão como fontes de energia na época. A grande maioria das casas possuíam fogões a lenha,  os botijões de gás só foram chegar algum tempo depois e para as famílias mais abastadas.

Dentre as principais serrarias da época, destacavam-se:

- Serraria de Arthur Pacífico Garbini

- Serraria IV Centenário de Oliveira & Ramazzini Ltda

- Serraria São Paulo de Irmãos Sismeiros

- Serraria São José de Shigeru Izumi

- Serraria Santo Antonio de Antonio Cescon

- Serraria de Jacinto Henrique

- Serraria Manoel Balseiro Fragata

(Imagem: Acervo Histórico Municipa)l

Além das serrarias, o município ainda contava com diversas empresas que comercializavam as madeiras e dormentes. Infelizmente, devemos nos atentar que em nenhum momento havia alguma preocupação ambiental com a derrubada das matas (e é claro, com os animais também), a ideia era simplesmente extrair tudo o que a “terrinha” pudesse oferecer e dessa forma ganhar “ares de metrópole”.

(Imagem: Acervo Histórico Municipa)l

Atualmente somente a lembrança das serrarias citadas ainda resta. Muitos dos locais que as abrigavam no passado, deram lugar a outros empreendimentos imobiliários, como áreas residênciais e prédios diversos. Quanto as matas? Fica a dúvida e a cobrança: Onde tudo isso foi parar?

Tiago Rafael dos Santos Alves é historiador. Acesse aqui seu perfi.

Publicidade

Cinema
Clinica Lu Applim

Publicidade

Youtube