Memória

Entre hinos e símbolos – a construção de uma imagem

Um breve relato sobre o hino de Adamantina e seus símbolos.

Tiago Rafael Colunista
Tiago Rafael
Entre hinos e símbolos – a construção de uma imagem

Na última semana várias e várias polêmicas tomaram novamente o cenário jornalístico e de certa forma as redes sociais como um todo. Uma em especial me chamou a atenção, em relação ao canto do hino nacional nas escolas e possíveis filmagens dos alunos para uso em campanhas do Governo Federal.

A maioria deve saber que sou educador já a algum tempo, e claro, já cantei “quase todos” os hinos do nosso país, seja na escola, no TG e mesmo em diversas cerimônias. Independente de posições ideológicas de um lado ou do outro, penso que há problemas mais sérios e prioritários a serem resolvidos na Educação do que a mera formalização do canto de um hino, podem ter certeza! Mas, independente disso ou daquilo, e quiçá do que penso, vamos a mais um capítulo da história da terrinha e de como o seu “hino” foi composto.

Desde o período do Estado Novo (1937-1945), de Getúlio Vargas, os brasões, hinos e bandeiras tanto estaduais como municipais haviam sidos abolidos, somente retornando com o Governo Dutra e a Constituição de 1946. Assim, nesse contexto surgiam os símbolos municipais da terrinha.

Tais “símbolos” tem por objetivo principal incutir a ideia de civismo, patriotismo e mesmo pertencimento a tal localidade, seja por meio de sua história, cultura e “glórias”, construindo assim a sua imagem como “municípe”. É nesse sentido que, também foram compostos os símbolos locais, construindo assim a figura do “adamantinense” e do que o representa.

Tanto o brasão como a bandeira municipal, foram de autoria do Prof. Arcinoé Antônio Peixoto de Faria e tem sua descrição própria em lei (1.123 de 16 de fevereiro de 1972). Quanto ao hino de Adamantina, este fora uma composição do Prof. Dr. Raul Thomaz Oliveira do Valle, no ano de 1956, enquanto ministrava a disciplina de Canto Orfeônico no Ginásio Estadual da cidade.

A oficialização do referido hino se deu com a lei municipal de nº 355 de 30 de maio de 1956. Dois anos mais tarde, este fora apresentado oficialmente à municipalidade pelo Coral Adamantinense, no Cine Santo Antônio.

Momoento solene em que o professor Raul do Valle faz a entrega do Hino de Adamnaina ao prefeito Euclydes Romanini, em 1956 (Reprodução/Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues).

Como bem se sabe, o Prof. Dr. Raul há muito já não reside na terrinha, mas chegou a ser agraciado com o título de “Cidadão Adamantinense” e em recente visita à cidade também fora homenageado pelos municípes.

E daí pra frente a história já é conhecida por todos nós. O hino chegou até mesmo a ganhar uma “nova roupagem musical” nos últimos anos, que ao meu ver, ficou ótima.

Enfim, independente do atual cenário nacional e mesmo municipal, sobram as lembranças de momentos onde “hinos” e “cultos à bandeira” eram realizados nas escolas. Mas, aqui novamente fica a deixa para algo que já registrei aqui ou acolá. Que possamos ver em um dia, não tão distante que, além da esquerda ou da direita, com hino ou sem hino, com filmagem ou sem filmagem, só se progride andando para frente.

Tiago Rafael dos Santos Alves é historiador. Acesse aqui seu perfil.

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