Memória

Da madeira à alvenaria: as construções da cidade

Uma breve análise das casas de madeira construídas na cidade de Adamantina.

Tiago Rafael Colunista
Tiago Rafael
4º Grupo Escolar, hoje a Escola Durvalino Grion (Imagem: Arquivo Histórico Municipal). 4º Grupo Escolar, hoje a Escola Durvalino Grion (Imagem: Arquivo Histórico Municipal).

“Quem disse que eu me mudei?

Não importa que a tenham demolido:

A gente continua morando na velha casa em que nasceu..”

Mário Quintana

* * *

Dando uma volta pela cidade de Adamantina, é impossivel não se impressionar com a grandiosidade de algumas casas e prédios comerciais. Cada vez mais os traços dos arquitetos e engenheiros locais ganham destaque. No entanto, o que pouco se vê são as casas de madeira, que durante muito tempo imperaram na terrinha.

Provavelmente se você já morou em alguma, vai se lembrar de alguns itens que só existem nelas, como uma “tramela” ou uma “estronca”. Bastava um prego e tudo poderia ser pendurado (Havia quadros pendurados para todos os lados!). Sem falar nos estalos que muitas madeiras provocavam devido ao frio ou calor.

Rua 3, em 1942: imóveis construídos em madeira (Imagem: Arquivo Histórico Municipal).

Em imagens das décadas de 1940 a 1970, elas eram bem comuns nos bairros periféricos da cidade. De certo modo sua matéria-prima ainda era mais barata que a alvenaria. Atentemos ao fato de que neste período, o número de serrarias e matéria-prima disponível eram grandes.

Primeira cadeia pública de Adamantina (Imagem: Arquivo Histórico Municipal). 

O mais curioso é que para muitas pessoas da época, residir em uma casa de alvenaria era um sinônimo de “status social”, e isso era representado nos diversos cartazes e propagandas alusivas ao imaginário de progresso do município. No entanto, residir em uma simples e singela casinha de madeira poderia simbolizar o oposto.

 

Folhetim de época destaca casa de alvenaria (Imagem: Arquivo Histórico Municipal).

Além das casas, era bem comum visualizar diversos estabelecimentos comerciais em prédios ou construções de madeira. Com o passar do tempo, o barateamento dos materiais de construção e as diversas possibilidades de financiamentos, tais moradias foram caindo em desuso.

Estabelecimento comercial construído em madeira (Imagem: Arquivo Histórico Municipal).

Nos dias atuais é bem difícil localizar casas ou estabelecimentos com este tipo de material, algumas ainda resistem ao tempo, outras devido ao avanço das políticas imobiliárias, acabam virando “madeira de demolição” e muitas vezes se convertendo em novas formas uso.

Enfim, o que nos resta são apenas as lembranças das diversas construções que admirávamos quando criança, onde não importava o “status” e nem o tipo de material usado, mas as pessoas que nelas residiam.

Publicação destaca o progresso de Adamantina (Imagem: Arquivo Histórico Municipal).

Tiago Rafael dos Santos Alves é historiador. Acesse aqui seu perfil.

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