Memória

Crônicas de outrora – Jurema Gomes Moreira Citeli

Um relato especial sobre a partida de uma amiga.

Tiago Rafael | Professor, historiador e gestor ambiental Colunista
Tiago Rafael | Professor, historiador e gestor ambiental
Bibliotecária Jurema Citeli (Fotos: Acervo Pessoal). Bibliotecária Jurema Citeli (Fotos: Acervo Pessoal).

À Jurema Citeli (Ju) (in memoriam)

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“Quando for crescida / hei de inventar / um perfume de encantar. / Quem o cheirar / há de ficar / com a cor da pele / que mais gostar / Branco ou amarelo / se preferir / preto ou vermelho / é só decidir. / Para alegrar / até estou a pensar / outras cores acrescentar. / Cor-de-rosa / verde ou lilás / são cores bonitas / e tanto faz. / E assim / há de chegar / o dia de acreditar / que o valor / de alguém / não se pode avaliar / pela cor que tem / E então / tudo estará bem.”

Maria Cândida Mendonça. A cor que se tem

(Último texto por ela compartilhado)

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Na última sexta-feira, infelizmente, fomos pegos de surpresa pela triste “partida” de nossa querida Jurema (Ju). Como já se sabe, aqui na terrinha não se mencionava a palavra “biblioteca” sem se lembrar de tão querida pessoa. E com certeza, em meio a uma vida toda dedicada aos livros, “todos” guardam ótimas recordações de sua pessoa. Inclusive eu! 

Entre tantos e tantos eventos da Secretaria de Cultura, Viagens Literárias, Teatros, Circuitos Culturais, Toró Cultural, Chegada de Papai Noel, idas e vindas do Arquivo Histórico, lá estava Jurema, muitas vezes com toda a sua a família (Armando, Maria Vitória e Enrico). Era como dizem: “Pau para toda obra!”

Poucos sabem dessa história, no entanto penso que este é o momento de contá-la (Por mais que ela não quisesse)! Quando iniciei minha graduação em história (2008), Jurema trabalhava na Livraria Universitária, em uma sala no Campus II da FAI (UNIFAI). E como todos sabem, em meio a um termo (semestre) e outro, livros e mais livros precisam ser adquiridos. O que não era diferente para a Turma de História. No entanto, alguns livros eram bem caros, o que me impossibilitava de adquiri-los naquele momento. 

 Mas, ela teve uma ideia. Pedia os livros em “seu nome”, pois tinha um “desconto maior” e eu ía lhe pagando dentro das minhas possibilidades. Assim, “para os outros”, quando eu ía buscar os livros, me tornava seu “sobrinho” e ela minha “tia”. E assim, conclui a minha graduação em história, com os livros que precisava e o auxílio de tão “maravilhosa pessoa”, que por sinal virou minha “tia postiça”.

Entre essas e outras história vivenciadas junto à sua pessoa, guardamos profunda e eterna memória e gratidão. E penso que tais linhas, nos seriam mínimas para descrevê-las. Foi uma honra tê-la conhecido! Minha “Tia”, minha “Comadre”, minha “Amiga”. Siga em paz!

Tiago Rafael dos Santos Alves

Professor, Historiador e Gestor Ambiental

Membro Correspondente da ACL e da AMLJF

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