Memória

Breves recortes sobre a história de Lucélia

Um breve relato de alguns recortes sobre a História de Lucélia.

Tiago Rafael Colunista
Tiago Rafael
(Fotos históricas de Lucélia. Reprodução: Site Nossa Lucélia) (Fotos históricas de Lucélia. Reprodução: Site Nossa Lucélia)

“Oh! Minha linda Lucélia / terra boa onde eu nasci / rainha dos luminosos / tão formosa eu nunca vi / Quem te conhece já sabe / quando és rica e majestosa. / Quero viver em Lucélia / onde a vida é cor-de-rosa[...]”

Valsa Lucélia - Palmeira, Luizinho e Zezinha

* * *

Recentemente ao escrever por aqui ou ali, me referi ao atual mês de junho como um “período cinza”. Haja vista a grande quantidade de festividades que existiam em tal época, como os aniversários das “terrinhas” locais. Como todos sabem, normalmente escrevo sobre “causos, histórias e versões” de alguns pontos de Adamantina. No entanto, em virtude de um pedido do meu amigo e colega de profissão, Marcos Vazniac, me aventurarei um pouco na história desta outra terrinha chamada Lucélia. Nesse sentido, cabe mencionar que no próximo dia 24, esta comemorará mais um ano de fundação.

Bom... Primeiramente, é importante destacar que esta região, onde se localiza Lucélia, começa a ser explorada/colonizada a partir da década de 1920, por imigrantes eslavos e russos, tendo em vista o avanço da malha ferroviária da Estrada de Ferro Sorocabana. Posteriormente, em 1929, o Sr. João de Arruda, construíra um pequeno rancho, dando início a um pequeno povoado, denominado “Zona da Mata”, o qual segundo o Prof. Rubens Galdino, também fora conhecido como “Cruzeiro do Arruda”.

(Reprodução: Site Nossa Lucélia)

Em 1939, o Dr. Luiz Ferraz de Mesquita, funda o povoado de “Lucélia”, nas terras do município de Martinópolis. Em meio a fundação do povoado, um capelinha fora levantada e em 24 de junho, celebrada a primeira missa, pelo Padre Gaspar Cortez Aguillar.

Quanto ao nome do povoado, esta se refere ao nome de seu fundador e de sua esposa Cecília Mendes de Mesquita. (LU+CE+LIA). No entanto, existe uma outra versão, pouco difundida entre seus habitantes, em relação ao nome da cidade, que viria do latim, “lux coelis” – luz celestial.

(Reprodução: Site Nossa Lucélia)

(Reprodução: Site Nossa Lucélia)

Cabe destacar que, segundo informações do Site Oficial do Munícipio de Lucélia, “até 1944 as terras de Lucélia pertenciam às comarcas de Araçatuba, Guararapes, Martinópolis, Tupã e Valparaíso. A própria povoação estava assim dividida: do lado direito da atual Avenida Internacional (do início até a atual praça José Firpo), pertencia ao município de Guararapes; continuando até onde estava a Indústria de Óleo Granol, pertencia ao município de Valparaíso. Do lado esquerdo da Avenida Internacional (do início até a altura da Granol), pertencia ao município de Martinópolis.”

Fato curioso e ao mesmo tempo comum em alguns municípios do interior de São Paulo, é que a data que se comemora o seu aniversário é diferente da data do Decreto-lei nº 14.334 (30 de novembro de 1944), que a eleva a distrito de paz, munícipio e comarca. E quiçá a data de instalação do município no dia 01 de janeiro de 1945. Assim, há de mencionar que tal data comemorativa se deve ao fato de no dia 24 de junho de 1939, ter ocorrido a fundação do povoado e a primeira missa, anteriormente citada.

(Reprodução: Site Nossa Lucélia)

(Reprodução: Site Nossa Lucélia)

Nos anos seguintes, o agora Município e Comarca de Lucélia, passa por um grande surto de desenvolvimento, o que pode ser verificado em seus dados econômicos referentes ao período em questão. Da mesma forma, como inúmeras conquistas e o seu pioneirismo em alguns outros pontos como: A criação do futebol médio (society), a criação do Aeroclube local (sendo o 3º maior do país em formação de pilotos), as festas em seus salões e clubes, destacando-se os carnavais, entre outros.

Daí em diante a história já é conhecida, mas por outro lado, por aqui também cabe mencionar como se prosseguiram as divisões territoriais de Lucélia nos anos seguintes, afinal esta fora Município Sede de grande parte de seus vizinhos.

(Reprodução: Site Nossa Lucélia)

(Reprodução: Site Nossa Lucélia)

Pois bem, como já mencionado no Decreto-lei supracitado, Lucélia passou a ser desmembrada de Andradina, Valparaíso, Guararapes, Martinópolis, Presidente Prudente, Presidente Bernardes, Santo Anastácio, Presidente Venceslau. Sendo constituída de 4 Distritos, Lucélia, Aguapeí do Alto, Gracianópolis e Guaraniúva.

Pela Lei Estadual no 233, de 24 de dezembro de 1948, desmembra-se do Município de Lucélia os Distritos de Guaraniúva (atual Pacaembu), Gracianópolis (atual Tupi Paulista) e Aguapeí do Alto (atual Flórida Paulista). Passando a contar com os Distritos de Lucélia, Ibirapuera e Pracinha, comarca de Lucélia.

(Reprodução: Site Nossa Lucélia)

(Reprodução: Site Nossa Lucélia)

Em 1959, por meio da Lei Estadual no 5285, de 18 de fevereiro, desmembra-se do Município de Lucélia o Distrito de Ibirapuera, atual Inúbia Paulista. Passando a ser constituída pelos Distritos: de Lucélia e Pracinha. Fato que perdura até o ano de 1993, onde por meio da Lei Estadual nº 8550, de 30 de dezembro, desmembra-se o Distrito de Pracinha. Passando a partir de 1995, conforme divisão territorial de 01-VI-1995, o município a ser constituído Distrito Sede, da forma como a conhecemos atualmente.

Enfim, inúmeras são as “histórias, causos e versões”, selecioná-las e problematizá-las é um trabalho árduo e ao mesmo tempo gratificante. Ao município de Lucélia, o “Pioneiro da Nova Alta Paulista” os nossos parabéns!

Tiago Rafael dos Santos Alves

Professor, Historiador e Gestor Ambiental

Membro Correspondente da ACL e AMLJF

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