Memória

Adamantina, Capitão Marinho e a Revolta da Chibata

Uma curta história sobre um dos personagens mais icônicos da história de Adamantina.

Tiago Rafael Colunista
Tiago Rafael
João Cândido lendo o manifesto da Revolta da Chibata, movimento que, supõe-se, teria a participação do Capitao Marinho, e depois fugido à região de Adamantina (Reprodução). João Cândido lendo o manifesto da Revolta da Chibata, movimento que, supõe-se, teria a participação do Capitao Marinho, e depois fugido à região de Adamantina (Reprodução).

"(...) “Glória a todas as lutas inglórias / Que através da nossa história / não esquecemos jamais / Salve o navegante negro / Que tem por monumento / as pedras pisadas do cais”

BOSCO, João; BLANC, Aldir. O mestre-sala dos mares. In: Caça à raposa, 1975.

* * *

A alguns anos atrás, quando adquiri um dos exemplares do livro Jubileu de Ouro de Adamantina, do Prof. Cândido Jorge de Lima, um de seus textos me chamou a atenção. Tratava-se de uma referência a um dos personagens icônicos da terrinha, o Capitão Marinho.

Muito pouco se sabe sobre o tal Capitão, segundo relata o Prof. Cândido em algumas de suas visitas ao mesmo:

 “O Capitão Marinho era matuto, sozinho, não tinha família e ninguém sabia de onde viera. Deveria ter chegado à região depois de 1910. Falava muito do Marechal Hermes e da Marinha brasileira. Com certeza não era Capitão, mas devia ter trabalhado em navio de guerra.” (1999, p. 60)

Em 22 de novembro de 1910, liderada por João Cândido Felisberto (também conhecido como o Almirante Negro), eclodiu a chamada Revolta da Chibata, no Rio de Janeiro. Tal motim fora ocasionado por conta dos castigos físicos, no caso, chibatadas, que os marinheiros negros e mulatos recebiam dos oficiais navais brancos, daí o nome da revolta.

Marechal Hermes da Fonseca (Reprodução). 

A tal revolta termina dias depois e com ela algumas medidas são colocadas em prática. O fim dos castigos A anistia e repressão aos rebeldes, posteriormente a prisão e demissão de centenas de marinheiros e até mesmo a morte de alguns deles.

O mais curioso disso tudo é que, o Prof. Cândido relata que o tal Capitão Marinho sempre se referia a tal acontecimento e sobre como ocorrera a “revanche e a retaliação”. Desta forma, supõe-se que ele tenha participado de tais eventos, mas posteriormente fugira para o interior de São Paulo, se abrigando às margens do Rio Feio.

Alguns anos depois, começaram a surgir outros ranchos próximos ao Rio Feio, e o Capitão Marinho acabou se desentendendo com um dos moradores. Foi condenado e preso na cadeia de Adamantina, pelo assassinato de um deles. Lá acabou ficando doente e foi transferido à Santa Casa local, vindo a falecer dias depois, recomendando à Madre Superiora que deveria ter o seu caixão coberto pela Bandeira Nacional, pois era um Capitão da Marinha.

Enfim, se o tal Capitão Marinho era ou não das fileiras militares, se participara ou não da Revolta da Chibata, não sabemos. Mas, por aqui cabem as curiosidades desses personagens que um dia marcaram a história da terrinha.

 

Tiago Rafael dos Santos Alves

Professor, Historiador e Gestor Ambiental

Membro Correspondente da ACL e AMLJF

tiagorsalves@gmail.com

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