Memória

A rodoviária e o centro da cidade: onde eram mesmo?

Um breve relato sobre a história dos Terminais Rodoviários de Adamantina.

Tiago Rafael Colunista
Tiago Rafael
Antiga Rodoviária de Adamantina, no cruzamento da Avenida Capitão José Antônio de Oliveira com a rua General Isidoro, inaugurada em 1951. Hoje, no local, funciona o Ave Cristo (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Caarlos Rodrigues). Antiga Rodoviária de Adamantina, no cruzamento da Avenida Capitão José Antônio de Oliveira com a rua General Isidoro, inaugurada em 1951. Hoje, no local, funciona o Ave Cristo (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Caarlos Rodrigues).

A configuração do centro funciona como uma espécie de sinal do ‘caráter’ da cidade, cartão de visitas, imagem que ela exibe para fora, mas sobretudo que o poder urbano exibe para a totalidade da cidade e de seus habitantes. (ROLNICK, 1988).

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Com as recentes chuvas ocorridas na terrinha, são diversos os vídeos e imagens que percorrem as redes sociais. Geralmente, os mesmos locais acabam sofrendo com a violência das águas, em especial as áreas mais baixas da cidade, para onde se escoa toda a enxurrada.

Uma dessas áreas localiza-se nas proximidades do Supermercado Godoy e do Ave Cristo. É claro que isso não é novidade para ninguém. Mas, analisando um pouquinho a história da cidade, percebe-se que tal localidade no início de sua colonização fora considerado o “centro econômico da cidade”. Afinal, ali se localizava o Terminal Rodoviário, exatamente na parte baixa da cidade, onde convergiam as populações tanto das zonas rurais, como urbanas.

Mas, a história traz algumas curiosidades! Vamos aos fatos! Em fins da década de 1940, a cidade ainda não possuía uma rodoviária. Segundo narra o Prof. Cândido Jorge de Lima: “Os passageiros embarcavam e desembarcavam em um ponto de ônibus, em frente ao Restaurante do Toshio Oki”.

A Capitão José Antônio de Oliveira era a principal avenida da cidade. Na foto, cruzamento com a rua General Isidoro, proximidades da antiga Rodoviária (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Caarlos Rodrigues).

Dessa forma, uma das aspirações de uma recém criada cidade, era possuir o seu próprio Terminal Rodoviário, e assim poder exaltar os seus ares de “progresso e modernidade”. E assim se fez. Por meio da lei de nº 18 de 04 de julho de 1949, foi iniciada a construção de uma Rodoviária na Rua 5 (atual Osvaldo Cruz), esquina com a Alameda Navarro de Andrade, onde atualmente se localiza a residência do saudoso Nico Romanini. Ainda no mesmo ano, o direito de exploração da mesma, foi concedido a empresa Jorge Abdo & Cia Ltda.

Dois anos depois, uma nova empresa passaria a ter os direitos de exploração, Paula K. Olivero. Assim surgia a necessidade de construção de um novo prédio. Desta vez na esquina entre as Avenidas Capitão José Antonio de Oliveira e General Izidoro, onde atualmente se localiza o Ave Cristo.

Prédio da antiga Rodoviária (Reprodução: Livro Jubileu de Ouro de Adamntina/Cândido Jorge de Lima).

Como já mencionado, o “centro econômico” da cidade acompanhava o “deslocamento” da população e se alterou na medida em que novas situações ocorriam, como relata o Prof. Marcos Martinelli: “Três edificações marcaram a constituição deste novo centro: a construção do “Grande Hotel Adamantina”, da Igreja Matriz, da praça pública, inaugurados respectivamente em 1953, 1954 e 1956.” Há de se mencionar também a chegada do transporte ferroviário no período.

1950: chegada do primeiro ônibus da linha Adamantina/Lucélia(Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Caarlos Rodrigues).

1952: Viação Cometa, em Adamantina, com ônibus para Maripá (hoje Pracinha), Vila Rica (hoje Flora Rica) e o entao Distrito de Mariápolis (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Caarlos Rodrigues).

Assim, com um novo “centro”, a cidade também precisaria deslocar a sua rodoviária, para tais proximidades. No entanto, isso veio a ocorrer de fato, em fins da década de 1980. Para tanto, empréstimos foram celebrados e desapropriações de terrenos pertencentes à FEPASA foram realizados. Em 1987, as obras do atual Terminal Rodoviário foram concluídas e este inaugurado, onde permanece até os dias atuais.

Atual terminal rodoviário (Arquivo/Siga Mais). 

Aos moradores mais antigos, ficam as recordações das diversas viagens iniciadas na “Rodoviária Velha”, para nós da história, cabe a singela tarefa de rememorar tudo isso e contá-la as atuais gerações.

Tiago Rafael dos Santos Alves é historiador. Acesse aqui seu perfil.

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